No momento, você está visualizando O respeito: fundamento da família e da sociedade

Prezado leitor:

Se alguém lhe perguntasse o que considera mais importante no trato com seus conhecidos — ser estimado, querido ou respeitado —, qual dessas opções escolheria?

Alguns leitores talvez hesitem entre ser estimados ou queridos, considerando uma dessas coisas como a principal a ser alcançada de nosso próximo. Talvez poucos escolhessem ser respeitados.

É que, atualmente, o respeito está em baixa em nossa sociedade.

Entretanto, a primeira coisa que cada pessoa deve exigir da outra não é ser querida, nem tampouco estimada, mas respeitada.

Com efeito, basta refletir um pouco sobre o assunto para perceber que o respeito é a base de qualquer relação séria e estável. O respeito deve existir entre os esposos, entre pais e filhos, entre inferiores e superiores, e vice-versa.

O carinho ou o afeto são sentimentos que, nos casos de relações mais estreitas, podem e devem ser acrescentados, mas sempre devem pressupor o respeito mútuo.

Trazemos essas considerações a propósito do projeto de lei apresentado no último dia 21 de maio, que propunha punir como faltas graves as ofensas e os agravos contra os integrantes da instituição policial chilena responsável pela manutenção da ordem pública.

Quando se torna necessário promulgar uma lei para impedir os agravos à instituição que representa a autoridade nas vias públicas, isso significa que algo vai muito mal.

Pois, se todos merecemos respeito, a medida desse respeito não é igual para todos. Uma coisa é o respeito que um estudante deve a seu colega de estudos; outra é o respeito que deve a seu professor; e outra, ainda, é o respeito devido ao Ministro da Educação.

Os estudantes que, poucos anos antes, subiram sobre a mesa de negociações em que se discutia a questão educacional no edifício do Congresso, em Santiago, sabiam que, com aquele gesto, estavam realizando um ato simbólico de ruptura da ordem na sociedade.

O mesmo vale para aqueles que insultam ou agravam a autoridade representada pelas forças policiais. E, por essa mesma razão, o respeito às Forças de Ordem deve ser maior do que aquele devido, por exemplo, aos nossos vizinhos.

Cabe então perguntar: qual é a razão pela qual devemos, acima de tudo, respeito aos demais?

A base do respeito encontra-se nas próprias Sagradas Escrituras; no Gênesis, afirma-se que Deus nos criou à sua “imagem e semelhança”. Cada ser humano é feito à semelhança de Deus e dotado de uma alma espiritual eterna.

Tais características, presentes em nossa própria essência, distinguem todos os homens dos demais seres criados.

Não somos feras que se impõem pela força de suas garras ou pelo impacto de seus coices, mas seres dotados de inteligência, que devem manifestar suas divergências dentro de um marco de — voltamos à palavra — respeito.

Entretanto, se o respeito deve valer para todos, com maior razão ainda deve valer para aqueles que, em virtude de sua função, de sua idade, de suas qualidades morais ou profissionais, representam na sociedade uma superioridade ou uma autoridade.

Santo Tomás de Aquino ensina que Deus, ao nos criar, deu a todos a mesma natureza humana, mas não nos fez todos iguais. Ao contrário, quis dotar cada um de características e dons naturais e sobrenaturais diversos, para que, desse modo, o conjunto da sociedade refletisse melhor as infinitas perfeições do próprio Criador.

Por essa razão, na sociedade civil e em toda sociedade bem constituída devem existir superiores e inferiores e, para que entre eles haja harmonia e concórdia, deve existir, precisamente como fundamento, o respeito mútuo.

E o que isso tem a ver com a família?

Muito. É precisamente na família que todos começamos a nos relacionar uns com os outros. E é em seu seio que percebemos, pela primeira vez, que existe uma autoridade: nossos pais, aos quais certamente devemos carinho, mas também respeito.

A conhecida advertência paterna ou materna, “Não me falte com o respeito, meu filho”, é muitas vezes o primeiro e melhor modo pelo qual aprendemos que o carinho não deve excluir o respeito.

Mais tarde, quando a criança vir em seus professores o reflexo daquela autoridade que deve respeitar em casa, ou quando sair à rua e se deparar com um policial, compreenderá que este também merece — e, em certo sentido, ainda mais — o respeito próprio devido a uma autoridade pública.

É, portanto, justamente na família que se formam e se alimentam as primeiras noções de respeito. O fato de se pensar em criar uma lei para punir as ofensas à autoridade pública talvez seja um sinal de que, nas próprias famílias, não estamos ensinando com o devido empenho o quanto o respeito é fundamental.

Para avaliar o quanto a prática do respeito é necessária e benéfica, basta imaginar um dia em que, em casa, no supermercado, na casa de algum amigo ou parente, no transporte coletivo e nos demais ambientes da vida cotidiana, todos, sem exceção, se tratassem com respeito mútuo.

Como seria diferente o nosso dia!

Comecemos, então, a cultivar o respeito em nosso próprio lar, com nossos filhos, entre os pais, com os avós, enfim, com todos aqueles que nos cercam mais de perto. Quando em um lar se respira esse ambiente de respeito mútuo, torna-se fácil compreender e praticar o terceiro mandamento da Lei de Deus: “Honrarás teu pai e tua mãe”.

Alguns exercícios práticos podem ajudar: cuidar das palavras e das ações, pois também por meio dos gestos se aprende a respeitar; escutar com atenção as opiniões alheias, ainda que delas se discorde; não zombar de eventuais deficiências ou limitações de algum familiar, pois isso pode feri-lo.

O respeito é a base das relações e da harmonia familiar, e é na família que se aprende a viver em sociedade.

Vale fazer a experiência: começar hoje mesmo a se esmerar no trato respeitoso permite perceber como as coisas podem mudar muito, e para melhor.

* Conteúdo original em formato podcast, adaptado para a linguagem escrita.


Fonte: Credo Chile — https://www.credochile.cl/podcast/por-que-el-respeto-y-como-se-forma-2

Deixe um comentário