Laços que unem Cuba e Coreia do Norte

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Quando o governo brasileiro resolveu importar médicos cubanos, muita gente ficou de orelha em pé. Sobretudo quando se tornou patente que mais de 80% do salário devido a esses médicos eram embolsados pelo governo cubano, deixando apenas uma magra parcela para o profissional.

Em português claro, o governo brasileiro transferia assim dinheiro para manter no poder o regime comunista dos irmãos Castro, que há décadas oprime a população da infeliz ilha. Justamente o governo brasileiro, que procura combater afanosamente o que qualifica de “trabalho escravo”!

A realidade cubana revela a estratégia dos regimes socialistas em geral: impõem o capitalismo de Estado, com as inevitáveis consequências de opressão e miséria, e para sobreviver recorrem aos “donativos” de governos colaboracionistas.

Mas o meu tema hoje não é Cuba, mas a Coreia do Norte. Em termos de socialismo, esse país do Extremo Oriente conseguiu um “avanço” bem mais pronunciado do que a ilha caribenha.

Reportagem do “New York Times”, reproduzida pela “Folha de S. Paulo” (28-2-2015), informa que para obter divisas, o ditador Kim Jong-um está “vendendo” trabalhadores para outros países (qualquer semelhança com Cuba é mera coincidência!).

“Dezenas de milhares de norte-coreanos labutam durante longas jornadas, com pouca ou nenhuma remuneração, em fábricas da China e em áreas de extração de madeira da Rússia, ou então cavando túneis militares em Myanmar, construindo monumentos para ditadores africanos, suando em canteiros de obras do Oriente Médio ou a bordo de barcos pesqueiros na costa de Fiji, segundo ex-trabalhadores e pesquisadores de direitos humanos”.

O programa de enviar trabalhadores ao exterior e confiscar a maior parte dos seus salários vem sendo ampliado. Centros de pesquisas estimam que entre 60 e 65 mil norte-coreanos estavam trabalhando em mais de 40 países, fornecendo US$ 150 milhões a US$ 230 milhões por ano ao regime comunista.

“A Coreia do Norte está explorando os trabalhadores para engordar os cofres de Kim Jong-um”, disse Ahn Myeong-chul, da ONG sul-coreana de direitos humanos NK Watch. Ele descreve essa situação como “escravidão patrocinada pelo Estado”.

Um trabalhador disse à NK Watch que recebeu apenas US$ 160 nos três anos que passou como lenhador na Sibéria, na década de 1990, trabalhando sob temperaturas próximas de 0°C em jornadas de até 21 horas por dia. Ele era informado de que o restante do seu salário estava sendo enviado a parentes na Coreia. Mas as famílias recebiam apenas cupons para usar em lojas estatais, onde muitas vezes não havia nada para comprar

O carpinteiro Rim Il recebeu em 1996 uma oferta de emprego no Kuait, e não perdeu a oportunidade. O salário prometido era de US$ 120 por mês, uma quantia inimaginável para grande parte dos trabalhadores em seu faminto país.

O ônibus que o transportava com cerca de 20 outros recém-chegados estacionou em um acampamento isolado por cercas de arame farpado, no meio do deserto. Lá, 1.800 trabalhadores enviados pela Coreia do Norte para receber salários em divisas estrangeiras, das quais o regime necessita desesperadamente, viviam sob o olhar vigilante de supervisores do governo norte-coreano, segundo Rim. Eles trabalhavam da 7 às 19 horas, frequentemente estendendo a jornada até a meia-noite, sete dias por semana, fazendo tarefas braçais em canteiros de obras.

“Só tínhamos folgas em duas tardes de sexta-feira por mês, mas precisávamos passar esse tempo estudando livros ou assistindo a vídeos sobre a grandeza do líder de nosso país”, disse Rim, agora na Coreia do Sul. “Nunca recebemos nossos salários e, quando perguntávamos a respeito disso aos nossos superiores, eles diziam que deveríamos pensar nas pessoas que passam fome em nosso país e agradecer ao líder por nos dar a oportunidade de comer três refeições por dia”.

Voltando ao caso de Cuba, Raul Castro parece ter conseguido agora um grande doador: o presidente Obama.