Carlos Vitor Valiense

Representantes da Diocese de Miracema do Tocantins participam do 14º Intereclesial das CEBs.

“Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”[1] Ex 3, 7. Este trecho belíssimo do livro do Êxodo demonstra a ação de Deus, que ouve os clamores do seu povo e desce do céu para libertá-lo. Palavras de significado belíssimo e que não causam espanto, apesar de muitos tentarem deturpá-las de todos os modos, inclusive do ponto de vista político, como o fez a Revolução Francesa.

Com efeito, a libertação primordial que o cristão deve buscar consiste em retirar o homem do pecado e do erro para conduzi-lo à Verdade que é Jesus Cristo, e não instrumentalizar a mensagem do evangelho segundo uma visão política de luta de classes. Se não, vejamos: “Lá vem o trem das CEBs, caminhando com o seu povo […] luta contra o opressor… CEBs são o povo de Deus buscando libertação […] libertando o oprimido das correntes do opressor […] as CEBs estão crescendo, se organizando em mutirão”. Estes são alguns trechos retirados ao acaso da música “Trem das CEBs”.

O maquinista desse trem parece ter sido substituído mais uma vez. O leviatã vermelho apoderou-se de forma totalitária dele e, como diz o dito popular, “quem deve, teme”, seus passageiros estão temendo e tremendo.

Depois da condenação de Lula da Silva pelo TRF-4, realizou-se de 23 a 27 de janeiro em Londrina, sob os auspícios da Arquidiocese local, o “14º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base”. Estas constituem o famigerado “leviatã vermelho”, um dos principais tentáculos da Teologia da Libertação. É desse campo minado que vicejam esdrúxulas ideologias que alimentam a plataforma política do PT e congêneres.

Segundo o noticiário, do encontro teriam participado 3.300 pessoas, entre as quais nada menos que 60 bispos[2]. Portanto, parte do clero “progressista” do Brasil, do qual se deve esperar o pior, estava nesse encontro, realizado pela Arquidiocese de Londrina.

A fundação internacional Adveniat, dirigida pelo cardeal alemão Walter Kasper – o maior incentivador da comunhão para os recasados e do casamento homossexual – foi grande patrocinadora do encontro. Tudo leva a crer que a agenda central das CEBs é tentar conduzir o Brasil para uma ditadura comunista como a que vem sendo levada a cabo na Bolívia e na Venezuela. Aliás, sua meta coincide com as do Foro de São Paulo.

No encontro das CEBs – sempre segundo as notícias divulgadas – tratou-se de muita coisa, exceto da verdadeira doutrina social da Igreja. Eis alguns exemplos dos temas ali estudados: fraternidade, liberdade; impeachment é golpe, ditadura do judiciário, marco civil da Internet, Minha Casa Minha Vida; teto, terra, trabalho; a vivência da sexualidade de forma igualitária e afirmar a capacidade das pessoas de se amarem; lei de cotas; ataques ao regime e ao patriarcado; contra a escravidão religiosa; política social desenvolvimentista dos governos Lula e Dilma e o pluralismo religioso, dentre outras coisas.[3] Sem falar que houve até simulacros de Via Sacra pró-Lula/Dilma.

Cabe ressaltar que as CEBs atuam de forma “oficial” dentro da Igreja no Brasil, tanto que ela é eclesial. A Teologia da Libertação, apesar de já ter sofrido reparos[4], entretanto continua viva entre expoentes do clero. Na verdade, trata-se de uma revolução em nome da religião, pois trabalha a favor da vitória do laicismo completo, uma forma de ateísmo. O seu fim não é religioso, mas estritamente temporal. De espírito essencialmente ecumênico, ela não visa o triunfo da religião católica, mas tão-somente da justiça social.

Ademais, essa concepção de justiça social equivale à igualdade pregada pelo comunismo. Nesta cruzada sem cruz, ‘Cristo’ é mencionado com certa frequência pelas CEBs, não enquanto Homem-Deus, mas como um líder meio guru, revolucionário, exatamente como a interpretação marxista da figura e do papel histórico do Messias.[5]

Acima das CEBs está a CNBB. Mas o que é a CNBB? Em tese, é a estruturação jurídica do Episcopado nacional. Na realidade, um dispositivo jurídico cujos corpos de direção são constituídos na sua maioria por figuras da “esquerda eclesiástica”, sempre disposta a se impor à maioria dos Bispos silenciosos, os quais docilmente se calam em suas reuniões, e acabam votando como a esquerda quer que eles votem.[6]

“Agitação social, violência: produtos de laboratório que o Brasil rejeita”, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1984

A Teologia da Libertação é, de fato, o compêndio doutrinário e religioso das CEBS. Enquanto a primeira teoriza, a segunda realiza a prática da “libertação popular”. A primeira dita a atuação das CEBs, de modo que suas atividades, aparentemente sem gravidade, inócuas ou até louváveis no seu início, se vistas sob a luz da TL, ganham significado. Ou seja, a TL aponta para onde devem caminhar as CEBs, e estas, por sua vez, realizam o programa da TL.[7]

O leviatã vermelho do comunismo passa os seus tentáculos na esfera eclesiástica de uma forma “oficial”. Com o apoio de clérigos da esquerda-católica, dissemina um pensamento e uma doutrina que divergem do ensinamento tradicional da Igreja. Entretanto, essa atuação, além de ser um câncer no seio da Igreja, é também um grande perigo no âmbito social-temporal.

A doutrina defendida pelas CEBs é totalmente contrária à verdadeira doutrina católica – e à eclesiologia – vigente e defendida pelos papas. A justificação moral do igualitarismo religioso, político, social e econômico impulsiona seus adeptos à luta de classes.

No 14º intereclesial da CEBs foram ditas várias atrocidades, tais como: “A multiplicação dos pães, palavra equivocada, porque não houve multiplicação: houve partilha. O que é? É o Fome Zero de Jesus”; “Eleição sem Lula é fraude”; “Jesus não veio nem fundar uma Igreja, nem fundar uma religião. Ele veio nos trazer um novo projeto sociopolítico”[8]. Tal é o pensamento destes ‘eclesiásticos’ que desejam arrastar a sociedade para a escravidão sob uma ditadura comunista.

A Teologia da Libertação quer reinterpretar tudo, procurando dar uma explicação nova e política ao Cristianismo nos moldes de uma ação política libertadora, em que tudo será interpretado de maneira político-marxista. A opção da luta de classes para a derrubada do sistema capitalista.

Embora usem a linguagem cristã, eles, na verdade, introduzem o aspecto revolucionário do veneno marxista nos átrios sociais e eclesiais. É o reflexo do TREM da CEBS, que demonstrou seu verdadeiro ideal no 14º Intereclesial de Londrina.

                                               
Notas:
1 http://www.cebsdobrasil.com.br/2017/07/03/14o-intereclesial-das-cebs-ja-se-aproxima/ Lema do 14º Intereclesial das CEBs
2 http://www.cebsdobrasil.com.br/2018/01/29/carta-dos-bispos-presentes-no-14o-intereclesial-das-comunidades-eclesiaisde-base/
3 https://drive.google.com/file/d/0BwAa_bwbOdkfSFJrTFhqdTNWWDQ/view
4 http://portal.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20130906182452.pdf
5 As CEBS… Das quais muito se fala Pouco se conhece- A TFP as descreve como são, Plinio Corrêa de Oliveira.
6 ibidem
7 ibidem
8 https://www.youtube.com/watch?v=5-hnf-Z9vD8

 

2 COMENTÁRIOS

  1. FORA O COMUNISMO ! SAIAM DO BRASIL E DO MUNDO ! RECALCITRANTES E REPUGNANTES SÓRDIDOS QUE DESVASTAM À HUMANIDADE, SEM PIEDADE E SEM MEDO TEM QUE SER COMBATIDOS A CADA HORA E A CADA DIA, SEM DESCANSO PELO BEM DE NOSSOS PRINCIPIOS QUE PERFAZEM À PATRIA E OS ALICERSES DAS NOSSAS FAMILIAS, DA NOSSA RELIGIÃO CATÓLICA E DAS TRADIÇÕES DO BRASIL. EM NOME DE DEUS QUE ASSIM SEJA !

     

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