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E por que ela é importante?

A fé, juntamente com a esperança e a caridade, forma o conjunto das três virtudes teologais. Cada uma delas tem Deus por objeto.

Em sua obra Teologia da perfeição cristã, o renomado teólogo espanhol Pe. Royo Marín explica: “As virtudes teologais são as mais importantes na vida de um cristão, porque constituem a base e o fundamento de todas as demais. São virtudes diretamente relacionadas com Deus; todas as outras se referem diretamente a coisas distintas de Deus. Nisso reside a suprema excelência das virtudes teologais.”1

O Padre Marín explica que a fé, a mais conhecida das três virtudes teologais, é “uma virtude infundida por Deus no intelecto, pela qual assentimos firmemente às verdades divinamente reveladas, apoiados na autoridade de Deus, que as revela”.2

Essa virtude pode ser abordada sob muitos ângulos. Com base nos ensinamentos de teólogos influentes, em documentos do Magistério e, sobretudo, nos Concílios Ecumênicos, este artigo a examina de uma perspectiva teológica menos conhecida.

Fé natural e fé sobrenatural

A Santa Madre Igreja sempre sustentou que existem duas ordens de conhecimento, distintas entre si não apenas quanto ao princípio, mas também quanto ao objeto. Uma delas é alcançada pela razão natural; a outra, pela fé divina.

A fé natural é a confiança cotidiana fundamentada na razão e nos sentidos. Por exemplo: “Tenho fé de que este medicamento funcionará”. Ela procura alcançar a verdade por meio da razão natural.

A fé sobrenatural ou divina, ao contrário, tem por objeto os mistérios ocultos em Deus, que só podem ser conhecidos por meio da revelação divina. Portanto, ela não contradiz a lógica nem as evidências físicas, mas as transcende, pois se fundamenta na Palavra de Deus, que exige do homem adesão plena à verdade apresentada.

Embora a fé natural seja comum a todos, a fé sobrenatural é recebida e desenvolvida por meio de nossa união com Deus e da ação do Espírito Santo. Às vezes, a fé exige atos que desafiam as leis naturais, como ocorreu com as exigências feitas a Moisés e Abraão.

Como a Igreja Católica e seus representantes na Terra são os depositários da verdade revelada por Deus, o Concílio de Trento afirmou que devemos aderir plenamente, sem hesitação nem a menor dúvida, àquilo que ela ensina com suprema autoridade como revelado por Deus.

A fé “é a certeza do que esperamos e a prova das coisas que não podemos ver”

Em sua Epístola aos Hebreus (11:1), São Paulo define sucintamente a fé como “a substância das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem”. Portanto, é preciso acreditar naquilo que não foi visto, mas foi revelado por Deus.

A fé é o fundamento de todas as virtudes, pois “todas elas, inclusive a caridade, pressupõem a existência da fé e repousam sobre ela como um edifício sobre seus alicerces”. São Paulo explica: “Sem fé, é impossível agradar a Deus, pois aquele que se aproxima de Deus deve acreditar que Ele existe e que recompensa os que O procuram” (Hb 11:6). Isso porque “pela graça fostes salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9).

A respeito da necessidade da fé, o Divino Salvador disse aos discípulos, admirados porque a figueira que Ele amaldiçoara havia secado imediatamente: “Direis a este monte: ‘Ergue-te e lança-te ao mar’, e assim acontecerá. E tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis” (Mt 21:21-22).

Como desenvolver a virtude da fé

Pe. Royo Marín explica ainda que “quando informada pela caridade, a fé produz, entre outros, dois grandes efeitos na alma: o temor filial de Deus, que ajuda a alma a precaver-se contra o pecado, e a purificação do coração, que a eleva às alturas e a purifica do apego às coisas terrenas”.3

Além disso, tanto objetiva quanto subjetivamente, a fé pode crescer e desenvolver-se nas almas até atingir uma elevação extraordinária. Esse crescimento pode ser alcançado por meio da oração diária, da leitura atenta do Evangelho e da recepção fervorosa dos sacramentos da Eucaristia e da Confissão, pois a fé é alimentada pelo conhecimento de Deus, pela obediência aos Seus mandamentos e, sobretudo, pelo auxílio da graça divina.

A fé e a esperança desaparecerão no Céu, e somente a caridade permanecerá, porque a fé será substituída pela visão beatífica de Deus e a esperança, pela posse daquilo que se desejava na Terra. No entanto, nesta vida, é impossível esperar ou amar sem fé.

Pecados contra a virtude da fé

O Padre Royo Marín, em seu excelente tratado, explica os diversos pecados contra a virtude da fé.

“Segundo São Tomás de Aquino, os pecados contrários à virtude da fé são: a infidelidade ou o paganismo, que, quando voluntários, constituem o maior de todos os pecados, com exceção do ódio direto a Deus; a heresia, que nega alguma doutrina revelada em particular ou dela duvida voluntariamente; a apostasia, que é o abandono completo da fé cristã recebida no Batismo; a blasfêmia, especialmente contra o Espírito Santo; e a cegueira do coração e o embotamento dos sentidos, que se opõem ao dom do entendimento e procedem especialmente dos pecados da carne.”4

O papel dos Concílios Ecumênicos — Niceia

Sempre que se torna necessário discutir, definir e legislar sobre questões de fé, doutrina, moral e sua aplicação prática, a Igreja Católica reúne formalmente bispos e outros líderes eclesiásticos em um concílio, que pode ser local ou regional. Um Concílio Ecumênico, porém, é convocado quando se torna necessário ouvir os pontos de vista de todos os bispos do mundo em comunhão com o Papa. Entre os Concílios Ecumênicos mais conhecidos estão os de Niceia, Trento e Vaticano I.

O Concílio de Niceia, convocado pelo imperador Constantino em 325, foi o primeiro da história da Igreja. Tratou principalmente da natureza divina de Jesus e de Sua relação com Deus Pai, refutando os ensinamentos heréticos de Ário. Essa controvérsia levou à elaboração da primeira parte do Credo Niceno. O Concílio também estabeleceu a data da Páscoa e promulgou vinte novas leis eclesiásticas, conhecidas como “cânones”, que estabeleceram normas de disciplina. Infelizmente, não conseguiu abordar outros assuntos exclusivamente relacionados à fé.

O Concílio de Trento

Outro concílio que marcou de modo notável a vida da Igreja foi o Concílio de Trento.

O Concílio de Trento (1545–1563) foi um Concílio Ecumênico fundamental da Igreja Católica, convocado para responder à Revolução Protestante. Reafirmou os dogmas católicos tradicionais, incluindo os sete sacramentos, a autoridade papal, a salvação por meio das obras e a veneração dos santos. Também promoveu reformas internas, especialmente a criação de seminários e a proibição da venda de indulgências. Todas as suas ações compartilhavam o objetivo de conter o avanço protestante. Foi um marco da Contrarreforma, que reorganizou a Igreja e definiu a doutrina católica para os séculos seguintes.

Os decretos do Concílio foram tão importantes que se tornaram as principais fontes do direito eclesiástico durante os quatro séculos seguintes. Somente foram substituídos com a promulgação do Código de Direito Canônico, em 1917. A Enciclopédia Católica afirma que esse Concílio “emitiu o maior número de decretos dogmáticos e reformadores e produziu os resultados mais benéficos”.

O Concílio Vaticano I

Por sua vez, o Primeiro Concílio do Vaticano (1869–1870) foi um Concílio Ecumênico convocado pelo Papa Pio IX para reafirmar a doutrina católica contra os erros do modernismo, do racionalismo, do liberalismo e do socialismo. Também definiu dogmas fundamentais, entre eles o da infalibilidade papal, segundo o qual o Papa é infalível quando fala ex cathedra em matéria de fé e moral. Desse modo, fortaleceu a autoridade papal e a unidade da Igreja durante um período de significativa transformação política e cultural na Europa.

O Concílio de Trento afirmou que a fé é o princípio, o fundamento e a raiz da justificação, e que é impossível agradar a Deus ou estar entre Seus filhos sem fé.

O Primeiro Concílio do Vaticano ampliou essa definição, acrescentando que, como o homem depende de Deus, deve submeter inteiramente sua razão ao Todo-Poderoso, à Verdade incriada. Portanto, por meio da fé, deve prestar plena obediência de sua inteligência e vontade às verdades que Deus revelou à Sua Igreja. Esse assentimento não se fundamenta apenas na luz natural da razão, mas na autoridade daquele que revela e que não pode enganar-se nem enganar a humanidade. Pois a fé, segundo o Apóstolo (Hb 11:1), é “a substância das coisas esperadas e a prova das coisas que não se veem”.

O papel dos milagres e das profecias

No entanto, para que a adesão à fé estivesse de acordo com a razão, Deus quis que os sinais externos de Sua revelação se unissem à assistência interior do Espírito Santo, por meio de intervenções divinas como milagres e profecias. Estes demonstram claramente a onipotência e o conhecimento infinito de Deus e constituem sinais da revelação divina adequados à compreensão de todos. Por essa razão, Cristo Nosso Senhor, assim como Moisés e os profetas, realizou muitos milagres e proferiu profecias manifestas. As Escrituras explicam o papel dos Apóstolos: “Eles, porém, partiram e pregaram por toda parte, enquanto o Senhor cooperava com eles e confirmava a palavra pelos sinais que a acompanhavam” (Mc 16:20).

O Concílio determinou: “Além disso, devem ser cridas com fé divina e católica todas as coisas contidas na Palavra de Deus escrita ou transmitida, bem como aquelas que a Igreja propõe como divinamente reveladas, quer por um pronunciamento solene, quer por seu Magistério ordinário e universal.”6

Tudo isso se aplica aos católicos, que receberam o inestimável dom da fé. E quanto aos não católicos?

A esse respeito, o Concílio afirma que a Santa Igreja, como “um estandarte levantado entre as nações” (Is 11:12), convida continuamente aqueles que não creem a se aproximarem dela… pois o Senhor misericordioso desperta os que erram e os auxilia com Sua graça, para que possam chegar ao conhecimento da verdade; e confirma com a mesma graça aqueles que retirou das trevas e conduziu à Sua luz admirável, para que perseverem nessa luz. Ele jamais abandona alguém, a menos que seja primeiro abandonado.

Portanto, como estabelece o Concílio, “não é igual a condição daqueles que, por meio do dom celestial da fé, aderiram à verdade católica e daqueles que, conduzidos por opiniões humanas, seguem uma religião falsa”.

Notas de rodapé:

1 Antonio Royo Marín, O.P., e Jordan Aumann, O.P., Teologia da perfeição cristã (Nova York: Fundação para uma Civilização Cristã, 1987), p. 309.

2 Ibid.

3 Ibid., p. 310.

4 Ibid., p. 311, ênfase no original.

5 “Concílio de Trento”, A Enciclopédia Católica, “Concílio de Trento — Volume da Enciclopédia — Enciclopédia Católica — Catholic Online”, acessado em 6 de janeiro de 2026.

6 Todas as citações do Primeiro Concílio do Vaticano são da constituição dogmática Dei Filius | inters.org.


Fonte: America Needs Fatima — https://americaneedsfatima.org/articles/what-is-faith

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