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Em Portland, no Oregon, a decisão de uma paróquia periferica de reformar o interior de sua igreja levou a comunidade arquitetônica local a lamentar a perda de uma “obra-prima da arquitetura”. Pela cobertura do caso, seria possível pensar que o edifício pertence aos arquitetos, e não à paróquia.

Uma típica paróquia de periferia

O subúrbio de Milwaukie começou como um pequeno povoado surgido em torno de uma serraria antes da Guerra Civil. Após a Segunda Guerra Mundial, o rápido crescimento populacional e novas vias expressas ligaram-no a Portland, a cerca de 48 quilômetros de distância. Em 1958, sua superlotada paróquia católica, São João Batista, fundou uma igreja missionária, Cristo Rei. Oitenta e três famílias participaram da primeira Santa Missa da paróquia em uma escola da região. Em 1960, um edifício de tijolos bastante simples e em forma de caixa foi inaugurado como a nova igreja.

Em 1979, os paroquianos de Cristo Rei estavam prontos para algo um pouco mais distinto e muito maior. Contrataram Pietro Belluschi, arquiteto local nascido na Itália, cujo portfólio incluía uma longa lista de igrejas modernas, entre elas a radical Catedral de Santa Maria da Assunção, em São Francisco. Ele projetou uma espécie de pirâmide de oito lados, revestida com vastas extensões de madeira local e encimada por uma claraboia e uma torre que lembra bastante uma antena de rádio de bom tamanho. O “espaço de culto” — no jargão da época — acomoda 650 pessoas. Foi dedicado em 15 de abril de 1980.

Assim, os fiéis da Paróquia Cristo Rei receberam um edifício espaçoso e alinhado às diretrizes pós-Vaticano II emanadas de Roma.

Ideias “modernas” desgastadas

Como a maioria das igrejas construídas naquela época, a nova estrutura enfatizava as relações horizontais entre os paroquianos, em vez da majestade de Deus, como faziam as igrejas românicas e góticas de períodos anteriores. O altar era uma mesa de mármore bastante inexpressiva. O sacrário é uma caixa de latão situada à esquerda da congregação quando os fiéis estão voltados para o altar.

Como em muitos de seus outros projetos, Belluschi enfatizou a luz e os materiais naturais para criar um efeito denominado “vazio sagrado”. Um escritor luterano radical de meados do século, Paul Tillich, cunhou essa expressão. Essas ideias também eram populares entre influentes liturgistas católicos da época.

Esses edifícios promoviam uma ênfase equivocada no ecumenismo, uma vez que muitos deles eram praticamente desprovidos de imagens católicas. De modo geral, as novas instalações da Paróquia Cristo Rei eram simples, confortáveis e intercambiáveis com edifícios protestantes semelhantes espalhados pelos Estados Unidos.

Contudo, projetos como o de Cristo Rei envelheceram muito mal com o passar das décadas. São tão emblemáticos de uma época específica que parecem banais para aqueles que apreciam tanto os estilos arquitetônicos modernos quanto os tradicionais. Sua aparência tampouco resiste bem em lugares úmidos como Portland. Acabamentos de madeira natural que antes pareciam vibrantes escurecem e ficam opacos com o tempo. O custo de lixar e restaurar as vastas superfícies de madeira da Paróquia Cristo Rei seria enorme e serviria apenas para preservar um projeto medíocre desde o início, apesar da fama do arquiteto.

Em busca da tradição

Assim, a paróquia decidiu seguir uma direção arquitetônica completamente diferente, que enfatizasse a herança católica da qual o projeto anterior procurava escapar. O site da paróquia descreveu seus objetivos em palavras que devem alegrar os devotos das formas católicas tradicionais.

“A igreja será renovada de maneira a se inspirar mais profundamente na riqueza da tradição arquitetônica da Igreja, criando um espaço que pareça ao mesmo tempo atemporal e adequado à nossa paróquia. Essa renovação pretende ampliar a beleza, a reverência e a funcionalidade, ajudando a igreja a cumprir mais plenamente sua finalidade suprema: o culto divino. Por meio de um projeto criterioso, da arte sacra e de melhorias práticas, o interior refletirá melhor a dignidade da liturgia e favorecerá um encontro mais profundo com Cristo.”

Os únicos elementos do projeto antigo que continuarão visíveis serão as vigas de madeira e os bancos. Entre as vigas, os painéis do teto serão pintados de azul médio, com um padrão de estrelas douradas. Trata-se de um elemento comum em muitas paróquias tradicionais, concebido para elevar os olhos aos céus e levar a mente a contemplar o Deus que habita em esplendor para além do firmamento. O altar ganhará maior destaque, com um sacrário central encimado por um grande crucifixo. As paredes laterais apresentarão uma série de arcos e colunas adornados com imagens religiosas tradicionais. Estátuas ocuparão novos nichos ao redor da área dos bancos. Haverá uma balaustrada de comunhão.

O lamento dos sofisticados

Naturalmente, esse fortalecimento da identidade arquitetônica católica é recebido com grande desdém pelos estetas para os quais os edifícios devem refletir a glória de seus arquitetos.

O The Architect’s Newspaper considera que o processo pouco difere de um ato de vandalismo. Sua coluna cita Anthony Belluschi, filho do arquiteto original.

“Os atuais planos de ‘embelezamento’ propostos ignoram a importância do legado, da história e da herança de CTK. Os planos ignoram o talento, a competência e a visão do arquiteto Pietro Belluschi… Os planos ignoram o valor do estilo arquitetônico do Noroeste do Pacífico e do uso de materiais locais, que fazem parte da história tanto da Arquidiocese de Portland quanto do estado do Oregon.”

Outra coluna, desta vez do Oregon Artswatch, classifica a controvérsia como “um cisma arquitetônico”, sem perceber a ironia de uma expressão que eleva a arquitetura à condição de uma espécie de religião em si mesma. Seus autores condenam a tentativa dessa igreja de enfatizar o simbolismo religioso católico como “um golpe contra nosso espírito coletivo de pertencimento ao lugar”. Para eles, Pietro Belluschi foi “um mestre moderno” que exerceu sua “compreensão intuitiva dos fatores que compõem um espaço espiritual”.

A verdadeira finalidade de uma igreja

Naturalmente, o que os opositores jamais admitem é que a finalidade primordial de uma igreja católica consiste em servir como ligação entre Deus e Seu povo. Cada centímetro da estrutura deve irradiar o poder e a majestade do Senhor dos Céus, ao mesmo tempo que convida os fiéis a se unirem a Ele ali. Esse convite começa por direcionar a mente sempre para o alto durante esta vida, como uma antecipação da glória da vida futura.

Infelizmente, esse espírito se perdeu na era pós-Vaticano II e foi substituído pelo desejo de fazer da vida da congregação o foco da arquitetura eclesiástica. Sem dúvida, Belluschi permaneceu calado quando magníficas igrejas, construídas a um custo elevado graças aos sacrifícios de congregações que enfrentavam dificuldades, foram submetidas a “reformas destrutivas” — chamadas em inglês de wreckovations, trocadilho entre “reforma” e “demolição” — nas décadas de 1970 e 1980.

Felizmente, a Paróquia Cristo Rei não está sozinha em seus esforços para recuperar uma herança arquitetônica católica que jamais deveria ter sido retirada de seus fiéis.


Fonte: Return to Order — https://www.returntoorder.org/2026/10/parish-faces-opposition-as-it-reclaims-its-catholic-architectural-heritage

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