Marcello Pera

O PNDH-3 se insere num contexto de Perseguição Religiosa Mundial!

Eis o que um importante político italiano – aliás, ateu – e escreveu há poucos dias, numa colaboração ao mais influente jornal italiano, o Corriere della Sera, como reação aos ataques que pretendem envolver ao Papa Bento XVI no suposto encobrimento de escândalos de pedofilia cometidos por sacerdotes:

“Uma guerra está em curso. Não propriamente contra a pessoa do Papa, porque nesse terreno ela é impossível (…) Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. (…)

“Esta guerra entre o laicismo e o cristianismo é uma guerra campal. É preciso trazer à memória o Nazismo e o Comunismo para encontrar algo de semelhante. Mudam-se os meios, mas a finalidade é a mesma: hoje como ontem, o que se pretende é a destruição da religião.

Naquele tempo, a Europa pagou a essa fúria destruidora o preço da própria liberdade. (…) A destruição da religião comportou naquele tempo a destruição da razão. Hoje, ela não acarretará o triumfo da razão atéia, mas uma outra barbárie.

“No plano ético, é a barbárie de quem assassina um feto porque sua vida prejudicaria a “saúde psíquica” da mãe. De quem diz que um embrião é “um punhado de células” bom para experimentação. De quem liquida um velho porque não tem uma família que cuide dela. De quem apressa a morte de um filho porque ele não está mais consciente e é incurável. De quem pensa que “genitor A” e “genitor B”, de mesmo sexo, é o mesmo que “pai” e “mae”.

De quem pensa que a fé é como a última vértebra da coluna, o cóccix, um órgão que não tem mais nenhum papel na evolução, porque o homem não precisa mais de uma cauda e consegue sozinho andar ereto. Etcétera.

“Ou então, para considerar o lado político da guerra dos laicistas ao cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, abatido o cristianismo, ficará o multiculturalismo, que sustenta que cada grupo tem um direito à própria cultura. O relativismo, que pensa que toda cultura é tão boa quanto outra. O pacifismo que nega que o mal exista.

“Essa guerra ao cristianismo não seria tão perigosa se os cristãos a compreendessem. Pelo contrário, muitos deles contribuem para a incompreensão. São aqueles teólogos frustrados da supremazia inteletual de Bento XVI. Aqueles bispos inseguros que pensam que chegar a um compromisso com a modernidade seja o melhor modo para atualizar a mensagem cristã. Aqueles cardeais em crise de fé que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma e que, portanto, seria melhor repensá-lo. (…)

“A guerra dos laicistas continuará, ainda que seja porque a alimenta um Papa como Bento XVI, que sorri, mas não recua nem um milímetro. Quem se limita apenas a solidarizar-se com ele ou é alguém que entrou escondido e de noite no Horto das Oliveiras, ou então é alguém que não compreendeu porque está ali.”

Marcello Pera, “Un’agressione al Papa e alla democrazia”, Corriere della Sera, 17-03-2010.