Prudência ou subserviência ao poder civil? Arcebispo restringe Batismo, Comunhão, Confirmação

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A Santa Igreja, que fundou os hospitais e mantém durante dois milênios a assistência material aos pobres e desvalidos, que inspirou Congregações Religiosas especialmente voltadas a aliviar as dores do próximo vê-se, nessa Pandemia, posta de lado pelos laicistas, esquerdistas, e até cerceada de exercer plenamente o seu Ministério. E as censuras não vêm somente do Poder Civil. Tantas autoridades eclesiásticas julgaram dever curvar a cabeça ante a injunção dos modernos tiranos.

“DUBLIN, Irlanda, 8 de março de 2021 (LifeSiteNews) – O novo arcebispo de Dublin, Dermot Farrell, reforçou a atual proibição do governo de atos de culto, até proibindo padres em sua diocese de distribuir privadamente a Sagrada Comunhão aos paroquianos, a menos que como parte de um funeral ou casamento.”

Restringir a distribuição da Comunhão

Em um comunicado divulgado na quinta-feira, 4 de março, o arcebispo Farrell acrescentou o peso de uma nova proibição eclesiástica endossando medidas do governo. “No interesse da saúde e segurança, os padres e paróquias não devem sucumbir aos pedidos de distribuição da Sagrada Comunhão antes ou depois da Missa, dentro ou fora das igrejas”, declarou ele.

Missas ao ar livre não são permitidas

Missas ao ar livre não são permitidas, pois não são permitidas reuniões de pessoas ao ar livre ou em ambientes fechados. A Sagrada Comunhão só pode ser distribuída na igreja para os enlutados que assistem a uma missa fúnebre, para aqueles que celebram o Sacramento do Matrimônio e para os ministros essenciais que tornam possível a celebração da missa online, (por exemplo, Ministro da Palavra, Sacristão), ” acrescenta a declaração.

Restrição ao Batismo, Primeira Comunhão e Confirmação

Qualquer providência para a recepção da Primeira Comunhão ou Confirmação teria que esperar até que o governo irlandês decretasse à diocese que era “seguro” realizar tais eventos.

O arcebispo Farrell também ordenou a seus padres que realizassem o sacramento do Batismo, “apenas em circunstâncias excepcionais, que correm o risco de morte”.

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Pode a Igreja estar sujeita ao Estado? O Estado é um Poder que dita ordens à Igreja? Vejamos alguns pontos ministrado em conferência pelo Prof. Plinio.

“O fundamento da vida do Estado é o ensinamento da doutrina da Igreja. O Estado respira, tem como sangue o conjunto de doutrinas da Igreja sobre a ordem natural. De maneira que o Estado, em vez de estar separado da Igreja, não só está unido à Igreja, mas é seu discípulo. A Igreja lhe ensina as leis naturais, em conformidade com as quais têm que estar todas as suas leis.

As leis do Estado aplicam a Lei Natural

“Temos aqui definido o 1º ponto das relações entre o Estado e a Igreja. O Estado é o organismo que faz as leis positivas que aplicam a lei natural definida pela Igreja. E o poder da Igreja é portanto um poder muito mais eminente do que o poder do Estado. Estes conceitos explicam uma série de documentos pontifícios importantes, muito significativos da Idade Média.

Inocêncio III com São Tomás de Aquino e São Boaventura — Rafaello – Disputation of the Holy Sacrament (La Disputa) – 1510-11 – Stanza della Segnatura, Palazzi Pontifici, Vatican

“Assim, nós temos a carta Solitas Benignitatis, do Papa Inocêncio III a Aleixo, Imperador do Oriente no ano de 1201, em que ele dizia que a esfera espiritual, que é a esfera da Igreja, é superior ao Estado, assim como a alma é superior ao corpo. De outro lado, acrescentava ele, a esfera espiritual é como o dia iluminado pelo sol, que é a Igreja; e a esfera temporal é como a noite iluminada pela lua, que é o Estado.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_SD_1954_Idade_Media_07.htm

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O laicismo de Estado, o laicismo nas almas, na sociedade tornam quase incompreensível a doutrina católica sobre o Poder de Pedro — as Duas Chaves. Entretanto, César nunca é tão grande como quando se porta como filho de Deus.

Continua o Prof. Plinio: “Não queremos dizer com isto que à Igreja toque o governo temporal do mundo. Cristo ensinou e a Igreja conserva com desvelo a doutrina da distinção entre Poder Espiritual e Poder Temporal. Pairando acima da terra, o Céu nem devora, nem esmaga, nem oprime a terra; pelo contrário, céu e terra continuam perfeitamente distintos na ordem universal da criação. 

“Mas é o céu que ilumina a terra, vem do céu as condições que tornam a terra aprazível e habitável. A luz do céu ilumina majestosa e placidamente a ordem terrena, em lugar de a perturbar ou subverter. Assim também a Igreja, pairando sobre todos os poderes temporais, não os destrói, não os absorve, não os diminui, mas pelo contrário ilumina de tal maneira a própria vida temporal, estimula de modo tão ativo e fecundo todas as circunstâncias favoráveis a ordem terrena, amplifica, eleva, consolida e nobilita de tal maneira o Poder Temporal sempre conservado rigorosa e plenamente soberano na esfera própria, que os revolucionários de todos os matizes sempre sentiram que não havia o meio mais seguro para abalar o poder Temporal do que atacar o Poder Espiritual. 

“Devemos “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Das muitas coisas que a César devemos dar, nenhuma é mais gloriosa, mais útil, mais honrosa que o diadema real de filho de Deus. César só é plenamente soberano, inteiramente estável na sua soberania, quando filho de Deus.” https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG_440220_A_questao_romana.htm

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