O inimigo violento e astuto se encontra em todo lugar e no meio de todos

Hoje em dia não é só a Cidade Eterna e a Itália que estão ameaçadas, mas todo o mundo.

Oh! Não Nos pergunteis quem é “o inimigo”, nem sob que aspecto se apresenta.

Ele se encontra em todo o lugar e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade.

É um “inimigo” que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e até Deus jamais existiu.

E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar como principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um Direito sem Deus, uma política sem Deus.

O “inimigo” se esforçou e se esforça por que Cristo se torne um estranho nas universidades, na escola, na família, na administração da justiça, na atividade legislativa, nas assembleias das nações, onde quer que se decida a paz ou a guerra.

Presentemente ele corrompe o mundo com uma imprensa e com espetáculos que matam o pudor nos jovens e nas moças e destroem o amor entre os esposos; ele inculca um nacionalismo que conduz à guerra.

Vós vedes, caros filhos, que não é Átila que está às portas de Roma; vós compreendeis que seria vão, hoje em dia, esperar do Papa que intervenha e caminhe a seu encontro para detê-lo e impedir que ele semeie a ruína e a morte.

O Papa deve, de seu lugar, velar e rezar incessantemente e se prodigalizar a fim de que o lobo não acabe penetrando no redil, roubando e dispersando o rebanho ( cfr. Jo. 10, 12 ); os que, com o Papa, partilham a responsabilidade do governo da Igreja, fazem igualmente todo o possível para corresponder à expectativa de milhões de homens que, como expusemos em fevereiro último, solicitam uma mudança de rota e olham a Igreja como o único piloto capaz.

Mas, hoje em dia, isto não basta; todos os fiéis de boa vontade devem sacudir o torpor e tomar consciência de sua parte de responsabilidade para o sucesso desta empresa de salvação…
PIO XII

Pio XII
Pio XII

Falando à União dos Homens da Ação Católica Italiana, na manifestação grandiosa realizada na Praça de São Pedro em 12 de outubro de 1952, o Santo Padre Pio XII se referiu em termos candentes às lutas da Igreja naqueles dias.

Essas palavras admiráveis bem se podem aplicar como um fecho ao ano de 2014 e como um programa de fogo para o ano de 2015.

*   *   *

O ano de 2014 transcorreu tão cheio e simultaneamente tão vazio. Nele tanta agitação houve e tudo ficou de tal maneira na mesma, que do tumulto dos fatos a um tempo graves e inócuos que o encheram, apenas uma impressão nos ficará ao passar do dia 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro: “então, o ano já acabou?”

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Desde as perplexitantes atitudes e afirmações daquele que ocupa o trono de São Pedro, os observadores vêm esperando, em cada fim de ano, que o próximo seja “decisivo”.

Bem entendido, cada qual espera a “decisão” num sentido conforme a seu temperamento.

Os otimistas contam com uma súbita explosão de bom senso e de cordialidade de lado a lado, que resolva calma e rapidamente, em torno de uma mesa de conversações diplomáticas, todos os problemas pendentes entre os divergentes.

Os pessimistas também contam com uma explosão, mas de natureza bem diversa, que opere de um momento para outro, por um bombardeio, uma transformação radical no mapa político.

Ora, as coisas mais inesperadas têm sucedido, mas precisamente o que não tem vindo é a “decisão”. Os anos se vão escoando um após outro, os problemas se vão agravando, Obama prosternando-se diante do insignificante Raúl Castro; a ameaça do anódino Putin, bem como o islã vão consumindo cada vez mais as energias morais da humanidade.

O Brasil, como os países ibero-americanos, seguindo a retórica bolivariana, vão submergindo no caos.

A perpétua proximidade deste desfecho que nunca chega vai empurrando cada vez mais o mundo na direção do socialismo, da desorganização e da pobreza.

A precariedade crônica de todas as instituições, leis e sistemas vai desmoralizando cada vez mais os costumes privados.

A irracionalidade flagrante de tudo quanto se passa na vida política vai tornando cada vez mais habituados os homens à ideia abstrusa de que a era da lógica e da inteligência já terminou, de que o normal da existência humana é ser caótica, contraditória, irracional e de que devemos caminhar para uma omniarquia cibernética se ainda quisermos um pouco de ordem – a serpente que no início da História ofereceu aos homens a “ciência do bem e do mal”, agora nos incita a aceitar cacos de uma suposta ordem se fizermos o que ela nos pede.

Em última análise, os anos de aparente paz estão sendo, pelo menos, tão ruinoso para o mundo quanto uma guerra nuclear.

O que será 2015 nesta sucessão de anos de “paz”? Trará uma “decisão”? Ou será mais uma etapa de ruinosa, de mortal indecisão?

Se a política internacional, quanto a desonrada política nacional, ainda fossem governadas pela lógica, se ainda fossem movidas por princípios definidos, e interesses confessáveis, seria útil ponderar diversas hipóteses, para chegar a uma resposta mais ou menos provável.

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Em vez de olhar para o dia de hoje, tentando desvendar com os dados que ele nos apresenta o dia de amanhã, seria mais interessante colocarmo-nos na perspectiva grandiosa que se desvenda nas palavras apocalípticas que o Santo Padre Pio XII dirigiu aos Homens da A. C. italiana.

Remontemos com o Papa até o século XVI. Desse distante ponto de mira veremos melhor o futuro que nos aguarda, talvez não em 2015, mas em data não muito remota, se não tomarmos o caminho de uma verdadeira emenda.

Em outras palavras – e é esta a lição que nos fica bem clara no espírito – a crise continuará a maturar gradualmente, como há séculos já o vem fazendo. Durará mais, ou durará menos a explosão final: será 2015, 2020 ou qualquer outro, o ano em que ela chegará à sua consumação?

Não nos é dado conhecer. Mas dia mais dia menos o desfecho virá terrível, se a humanidade não retroceder em seu caminho de apostasia. Pois tudo no mundo tende a seu fim lógico e natural: e o fim lógico e natural de toda crise, de toda moléstia, é a grande catástrofe orgânica a que damos o nome de morte.

*   *   *

Confiando unicamente na Providência Divina caminhemos com ânimo calmo, vontade resoluta, sobranceria inalterável, nos albores dos primeiros dias de 2015 amparados na intercessão onipotente de Nossa Senhora, continuemos a lutar, certos de que a vitória será nossa.

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Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira é uma associação de direito privado, pessoa jurídica de fins não econômicos, nos termos do novo Código Civil. O IPCO foi fundado em 8 de dezembro de 2006 por um grupo de discípulos do saudoso líder católico brasileiro, por iniciativa do Eng° Adolpho Lindenberg, seu primo-irmão e um de seus primeiros seguidores, o qual assumiu a presidência da entidade.

3 COMENTÁRIOS

  1. humberto Q. Santos,

    Só o fato de ser Intercessora já mostra que Nossa Senhora não é
    Deus. Quanto a Ela ser chamada de Mãe de Deus está na Sagrada Escritura. Portanto, pode haver maior intercessor que a própria Mãe de Jesus…MÃE DE DEUS? Com toda certeza, Jesus não nega a atender pedido algum feito por sua Mãe. Como também é certo que Ela, “CHEIA DE GRAÇA”,jamais pediria o que fosse em desacordo com a Vontade de Deus. Portanto, Ela não é Deus mas é, com certeza, a ONIPOTÊNCIA SUPLICANTE. E isso não carece de estar na Bíblia. Contudo é bem oportuno ler e reler a narrativa do Primeiro Milagre de Jesus.

  2. Francamente, não consigo entender a frase “intercessão onipotente de Nossa Senhora”, pois sempre soube que onipotente só existe Um, que é Deus, o Criador de todas as coisas. Também sei que só existe um Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (I Tim 2.5).

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