Estes quarenta heróis de Jesus Cristo sofreram o martírio no ano 320, sob o imperador Licínio, na Armenia.

Licínio era irmão de Constância, esposa de Constantino, o Imperador que dera a liberdade à Igreja pelo Edito de Milão em 313. Mas tornou-se um dos mais cruéis perseguidores da Igreja. Esse homem de baixa extração, colérico e ignorante, estando à frente de possante exército na Capadócia, província da Armenia, emitiu um edito segundo o qual todos os cristãos deveriam, sob pena de morte, abandonar a fé em Jesus Cristo.

Ora, fazia parte de seu exército quarenta soldados cristãos da XII Legião Fulminata, que várias vezes tinham confessado sua fé. Embora se distinguissem por seu serviço, foram também condenados por não quererem sacrificar aos ídolos.

O primeiro relato que temos desse martírio é dado por São Basílio, Bispo de Cesaréia (370-379), numa homilia no dia da festa desses mártires. Portanto, essa festa era anterior ao episcopado de Basílio, e sua homilia deve ter sido pronunciada somente cinqüenta ou sessenta anos depois desse acontecimento.

De acordo com São Basílio, esses quarenta soldados que tinham professado abertamente sua fé, foram condenados pelo prefeito, a serem expostos até morrerem, nus, num poço congelado cerca de Sebaste, numa frígida noite.

Enquanto esperavam o cumprimento da sentença no calabouço, prevendo seu fim, eles escreveram seu “testamento” coletivo, pela mão de um deles. Este insigne documento, profundamente cristão desses confessores da fé prestes a morrer, exortava aos parentes e amigos a não considerar os bens caducos da terra, mas a preferir os espirituais. O documento traz os nomes dos quarenta, e daí foram copiados para outros documentos.

As horas passavam terrivelmente monótonas. São Basílio diz que esses valentes soldados se animavam mutuamente a permanecer fiéis com esta oração: “Senhor, quarenta entramos na batalha; quarenta coroas vos pedimos”.

Entretanto, um desses quarenta confessores da fé, quando postos no poço, fraquejou; e, deixando seus companheiros, procurou os banhos quentes que lhes eram oferecidos. Foi então que um dos guardas que os vigiava, viu nesse momento um brilho sobrenatural cobrindo os 39 mártires. Tocado pela graça, no mesmo instante também proclamou sua fé cristã, tirou a roupa, e colocou-se entre os trinta e nove soldados de Jesus Cristo no lugar do que desertara. Desse modo o número de quarenta se recompôs.

Na manhã seguinte, os rígidos corpos dos confessores, que ainda mostravam sinais de vida, foram queimados, e as cinzas lançadas num rio. Os cristãos, entretanto, conseguiram pegar parte delas, e essas relíquias foram distribuídas por várias cidades. Desse modo a veneração prestada aos Quarenta Mártires espalhou-se, e numerosas igrejas foram eretas em sua honra.

Uma dessas igrejas foi construída em Cesaréia, na Capadócia, e foi nela que São Basílio fez seu sermão. Também São Gregório de Nyssa tinha muita devoção a esses mártires, e fez na igreja dedicada a eles, dois sermões em sua honra, que ainda existem. Quando seus pais faleceram, sepultou-os junto às relíquias desses confessores.

Santo Efrém, o Sírio, também elogiou esses mártires. Sozomeno, que foi testemunha ocular, deixou um interessante relato do encontro das relíquias em Constantinopla, pelos esforços da Imperatriz Santa Pulquéria.

Enfim, a devoção aos Quarenta Mártires, foi também cedo introduzida no Ocidente. São Gaudêncio, bispo de Brescia, já no começo do século V, recebeu partículas das cinzas dos mártires em sua viagem ao Oriente, e as colocou junto a outras relíquias em sua catedral.

Segundo algumas fontes, os nomes dos mártires eram: Viviano, Militão, Cândido, Leôncio, Cláudio, Nicolau, Lisiníaco, Teófilo, Quirão, Dônulo, Dominicano, Euróico, Sisínio, Heráclio, Alexandre, João, Atanásio, Valente, Heliano, Ecdício, Acácio, Hélio, Teódulo, Cirilo, Flávio, Severiano, Valério, Cudião, Sacerdão, Prisco, Eutíquio, Eutiques, Esmaragdo, Filotimam, Aécio, Xantete, Angias, Hesíquio, Caio e Gorgônio.

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