Socialismo tropical

    Nilo Fujimoto

    Relendo o noticiário de algumas semanas atrás, selecionei duas notícias cujo conteúdo ajudará o leitor a refletir sobre os rumos dos acontecimentos no Brasil cada vez mais socialista.

    Embora resumidas, elas conservam o essencial do texto original. E, para melhor aproveitamento do tempo do leitor,  entremeei-as com comentários.

    O Estado de S. Paulo, sábado, 18 de setembro de 2010

    Em Cuba, Amorim espera reabertura e novos negócios

    Lula espera fazer do Brasil um parceiro preferencial de Cuba após as reformas que o regime planeja fazer nos próximos anos em seu sistema produtivo. A mensagem está em uma carta a ser entregue hoje pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao presidente cubano, Raúl Castro.

    Amorim aproveitou para ir a Cuba como escala de sua viagem a Nova York, onde representará Lula na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Há anos, o governo brasileiro aguardava o momento do anúncio da abertura do mercado cubano para estimular — e financiar — o investimento de empresas brasileiras na ilha. O Brasil injetou em Cuba US$ 1 bilhão em projetos como a reconstrução do Porto de Mariel. O temor de Brasília está na possibilidade de a preferência ser deslocada para os EUA, caso haja uma real distensão nas relações entre Havana e Washington.

    A escalada da tributação no Brasil terá por finalidade financiar algo incerto? Aonde foi parar o nosso dinheiro? E a transparência, o que ganhamos com isso? Quais são as garantias de retorno? O que há por detrás dessa ideologia que pretere os seus nacionais em favor da sustentação de um regime comunista?

    Acaso no Brasil não há portos necessitando reformas de 1 bilhão de dólares? Não necessitamos hospitais, moradias, saneamento básico, escolas? Não é colonialismo capitalista entrar com tanto dinheiro numa nação tão pequena e, pior, arruinada por um regime opressor que não dá sinais de querer cessar? Socialismo é isso: Tirar dos ricos e dar aos pobres?

    O recado vem bem a calhar a Cuba, que vive uma de suas piores crises econômicas. Segundo Arturo López-Levy, professor da Universidade de Denver, Colorado, Raúl busca desesperadamente novos sócios econômicos para Cuba na América Latina, desde que não seja a Venezuela. O Brasil, além do reforço à mudança de regime econômico, é visto em Havana como um país-chave para a reinserção de Cuba no espaço interamericano e também na economia global. Em seu favor, o governo Lula tem seu estilo mais persuasivo de lidar com Cuba, em temas gerais, e menos enfático nas questões de direitos humanos.

    Se bom é ser menos enfático na cobrança em questões de direitos humanos, por que aqui no Brasil é–se tão enfático? Será que querem não dizer que o conceito de direitos humanos que eles entendem é o conceito aplicado em Cuba? É indisfarçável a simpatia.

    A notícia abaixo responde a uma dúvida sobre se vale a pena investir em Cuba:

    Folha de S. Paulo, domingo, 19 de setembro de 2010

    Raúl Castro deixa claro que não quer seguir

    os passos da ex-União Soviética

    Newton Carlos

    Até onde irão as mudanças em Cuba? Raúl Castro, com Fidel na retaguarda, procura deixar bem claro que não haverá um Gorbatchov em Cuba e nem se fará uma glasnost (a política de abertura dos anos 80 que foi o início do fim da União Soviética).

    Pensou-se que ele entregaria o cargo estratégico de primeiro vice-presidente ao economista Carlos Lage, 57, expoente de uma “geração intermediária”, como o fora Gorbatchov na então União Soviética. Raúl optou por ter como braço direito José Ramón Machado Ventura, 75, da velha guarda comunista e companheiro combatente da Serra Maestra, onde a guerrilha ganhou força.

    Conseguirá sustentar-se abertura na economia com fechamento político, de inspiração chinesa? Os próprios comunistas da China começam a duvidar que seu “modelo” possa ter vida eterna.

    Em uma declaração recente, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, falou da necessidade de “reformas políticas” e criticou o “controle excessivo” por parte do Partido Comunista, que governa o país em regime ditatorial. “Não havendo garantias de reformas do sistema político, podem perder-se os ganhos com as reformas econômicas”, foi a advertência de Jiabao.

    Não é uma aventura, é um desiderato. O socialismo tropical aponta para aumentar o controle estatal e privado; tanto na economia como na vida política e particular. Por exemplo, o discurso de Lula em Joinville (SC) defendendo a extirpação do DEM*  ou ao proibir as palmadas.  Você é colaborador ou opositor?

    Reagir não só é possível ; é verdadeira imposição.  Em seu Auto-retrato filosófico, Plinio Corrêa de Oliveira afirmou: “Não pretendo ser apenas um defensor do passado, mas um colaborador – com outras forças vivas – para influir no presente e preparar o futuro. Estou certo de que os princípios a que consagrei minha vida são hoje mais atuais do que nunca e apontam o caminho que o mundo seguirá nos próximos séculos. Os céticos poderão sorrir. Mas o sorriso dos céticos jamais conseguiu deter a marcha vitoriosa dos que têm Fé”.

    Nota:

    * ‘Precisamos extirpar o DEM da política brasileira’, afirma Lula, G1 13/09/2010, http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/09/precisamos-extirpar-o-dem-da-politica-brasileira-afirma-lula.html