A pretexto de nos proteger, o Estado vai se imiscuindo cada vez mais em nossas vidas, para nos dizer o que podemos fazer e o que não podemos. É um socialismo totalitário que vai entrando de mansinho, sem precisar para isso de revoluções sangrentas como a de 1917 na Rússia, nem de ditaduras férreas como a de Hitler.

Somos tratados como menores de idade. Vemo-nos obrigados a educar nossos filhos do modo como o Estado manda. Querem nos proibir de criticar os homossexuais, negam nosso direito de católicos de execrar qualquer participação no aborto, na contracepção ou no divórcio.

A pretexto de que não se pode discriminar, perseguem-nos – até judicialmente – se despedirmos um empregado ineficiente ou ampararmos a moral de nossas filhas.
A propósito dessa “proteção” indesejada e cada vez mais abrangente, o escritor João Ubaldo Ribeiro, da Academia Brasileira de Letras — de quem entretanto discordamos em muitos pontos — publicou um interessante artigo intitulado “O totalitarismo científico”, do qual reproduzimos alguns trechos.

“Cada vez mais se tenta regular a conduta do cidadão, mesmo em áreas imemorialmente reservadas a arbítrio e atos da sua exclusiva alçada. Subitamente, há um afã por proteger-nos de nós mesmos e, muito pior, impor-nos ‘verdades’ científicas. Isso se deu, por exemplo, com a lei da palmada, que, aliás, parece que não colou, considerada descabida por muitos pais.

“Que é isso? Aonde chegamos?

“Vive-se em cidades poluídas como Rio e São Paulo, mas o cigarro do vizinho, trancado em seu escritório, é o que prejudica o condomínio?

“Deverão em breve manifestar-se os que se sentem incomodados com cheiro de carne assada — e assim poderão ser banidos os churrascos na cobertura. Talvez várias plantas também venham a ser proscritas, pois há muitos alérgicos a pólen que padecem com flores. Caprichando, dá para proibir tudo.

“No futuro, para proteger nossa saúde, seremos obrigados a seguir restrições alimentares baixadas pelo Ministério da Saúde e, em certos casos, o supermercado só nos poderá vender alimentos de uma lista carimbada por uma nutricionista oficial. Como essas coisas mudam a cada instante, todo mês sairia uma lista revista do que é cientificamente aconselhável comer e, portanto, devia ser obrigatório.

“Não sobra muita razão para não se instalarem câmeras de tevê, a fim de monitorar pelo menos certos casos, como na área da educação. Os pais estabeleceriam os horários em que ajudariam os filhos com os deveres de casa e aí um funcionário do Ministério da Educação acompanharia os acontecimentos em tempo real, para ver se o pai segue a metodologia traçada pelo Ministério e se não faz observações politicamente incorretas. E, na hora em que os pais dessem um livro para os filhos lerem, a leitura só poderia ser realizada depois que os pais ouvissem do governo a contextualização do livro e como ele deverá ser corretamente entendido e explicado”. (“O Estado de S. Paulo”, 2-10-2011)

* * *

Não se trata, é claro, de advogar o anarquismo. O Estado tem, evidentemente, um papel importante na sociedade humana, mas subsidiário. Cabe-lhe fazer aquilo que os indivíduos, as famílias ou outras sociedades intermediárias não têm meios de realizar. É o caso de estradas, da proteção contra calamidades públicas e outras do gênero. Quanto ao mais, ele tem a obrigação de coibir o mal e, na medida do possível, incentivar o bem que os grupos inferiores levam a cabo. Sobretudo o Estado deve simbolizar a união das populações que se encontram sob sua égide.

O inconcebível é o Estado intrometer-se em todos os detalhes da vida do cidadão para aí impor normas de conduta, criando indivíduos-robôs que não se movem mais por si mesmos, mas apenas pelo impulso que lhes vem de fora. Isso é antinatural e anticatólico.

 

5 COMENTÁRIOS

  1. É de destacar o trecho: [O Estado] “tem a obrigação de coibir o mal e, na medida do possível, incentivar o bem que os grupos inferiores levam a cabo.”
    Ora, se ele, Estado, incentiva o homossexualismo, a pretensa educação sexual (que sabemos ser um desastre já há décadas), se ele fomenta grupos como o MST, que vivem assintosamente fora da Lei e contra o Estado de Direito, esse Estado está promovendo o mal e não o bem!

    E o trecho logo em seguida: “Sobretudo o Estado deve simbolizar a união das populações que se encontram sob sua égide.” É o que esse governo (e o anterior, do sr. Lula da Silva) não faz, pois promove a luta racial sobretudo contra o branco, que parece ser atualmente o bode expiatório.

    Rezemos e lutemos para esclarecer e abrir a vista das pessoas a tudo isso.

     
  2. Depois de um leve puxão de orelha a comunidade Católica no Orkut se manifestou a favor, inclusive um dos membros divulgou em seu Facebook! Salve Maria, Salve Nosso Senhor Jesus Cristo, Salve a Igreja, amém!

    Manaus, AM.

     
  3. Os bispos e padres da Igreja sabem como o comunismo age, está deixando a coisa avançar porque querem passar pelo que já passaram, devem ter gostado muito e estão com saudade do chicote do comunismo no lombo.

     
  4. Já há mecanismos que nos vigiam o que pensamos. Na internet nem tudo é livre. O que acabo de escrever não uma opinião posta somente neste site. Isto vai circular pelo mundo e vai parar na mesa do funcionário do Estado que vigia. É claro que ofensas contra Deus, Nossa Senhora, aos santos passam desapercebidas, mas se qualquer um fizer um única referência considerada “homofóbica”, eu não preciso concluir, quem sabe já não estão batendo agora na porta da minha casa para pedir satisfação, com a polícia é claro.

     
  5. Infelizmente, vejo pouco empenho dos católicos, ontem seguindo o conselho do prof. José Antônio Ureta da entrevista “Ditadura da Tolerância”, postei um tópico no Orkut, denunciando o que o governo do Amazonas está planejando na Educação no ensino infantil junto com a LGBT usando a famigerada “diversidade sexual” na comunidade chamada Católicos com 459.780 membros, passado 24 horas, nenhum deles respondeu.

    Se continuar assim, acabaremos como os judeus na era de Hitler, que quando perceberam o perigo, já era tarde demais, estavam nos trens a caminho dos campos de concentração.

    Manaus, AM.

     

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