O acordo entre a China e o Brasil para um empréstimo à Petrobras foi firmado pelo presidente Lula na sua visita à China em maio de 2009.

Atilio Faoro

Depois da África, a China está desembarcando na América Latina, para novas conquistas. Sua estratégia está construída em avançar inicialmente por três vias: comércio, investimento e empréstimos a juros baixos. Em troca, recebe petróleo, commodities  e concessões para explorar reservas estratégicas, que são necessárias para  o gigante comunista asiático.

Agora, chegou a vez da América Latina. A China despejou mais de US$ 50 bilhões na região em empréstimos nos últimos 18 meses, aponta levantamento do JP Morgan. A Venezuela, de Hugo Chávez, lidera com US$ 28 bilhões em créditos chineses. Depois estão Brasil e Argentina, com US$ 10 bilhões cada. O Equador recebeu US$ 2,7 bilhões. “A magnitude desses acordos é surpreendente”, disse Julio Callegari, economista do JP Morgan.

No caso brasileiro, é uma linha de crédito para a Petrobras, que já utilizou US$ 7 bilhões. Em maio de 2009, o presidente Lula assinou na China um contrato de fornecimento garantido de petróleo ao gigante chines através da estatal petroleira, durante 10 anos.

Os economistas definem o comércio com a China como “neocolonialismo” e temem que prejudique as contas externas da região. “É uma relação do século XIX”, disse o economista do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Maurício Mesquita Moreira, que avança: “É um braço da política externa chinesa”.

As commodities respondem por 48% das exportações latino-americanas. E os chineses dominam esse mercado. “A China determina o preço das commodities. Isso significa que metade da exportação da América Latina é influenciada diretamente pelo que ocorre por lá”, diz o economista do JP Morgan, Júlio Callegari.