Depois de ter ontem se alegrado com seus filhos que entraram na glória do Céu, a Igreja pede hoje por todos aqueles que, nos sofrimentos purificadores do Purgatório, esperam o dia em que poderão associar-se à assembleia dos Santos. Nunca, em toda sua liturgia, se afirma de modo mais vivo a misteriosa unidade que existe entre a Igreja triunfante, a Igreja militante, e a Igreja padecente. Jamais se cumpre de modo mais palpável o duplo dever de caridade e de justiça que é para os cristãos da Igreja Militante, como consequência da sua incorporação no Corpo Místico de Cristo, rezar pelos da Igreja padecente. Pois, em virtude do dogma tão consolador da Comunhão dos Santos, os méritos e sufrágios de uns são aplicados a outros, a pedido da Igreja que, pela Santa Missa, indulgências, esmolas e sacrifícios de seus filhos, oferece a Deus os méritos superabundantes de Cristo e dos seus membros.

A oração pelos mortos esteve em uso entre os cristãos desde as origens. A crença no Purgatório e na eficácia da oração a fim de apressar a purificação das almas dos defuntos que nele estão, bastam para a explicar. É inútil tentar aproximá-la, tal como a temos, com o que ocorre em outras religiões, muitas delas pagãs, que também cultuam os mortos. Tais esforços nada provariam, a não ser  mostrar que o respeito pelos mortos é um sentimento ligado à lei natural com que todo homem nasce, e que, na diversidade dos tempos e lugares, apresenta analogias.

A Missa pela alma dos que “morreram marcados com o sinal da Fé”, é, pois, muito antiga. Mas, no Ocidente, uma comemoração de Todos os Fiéis defuntos existia em Sevilha, na Espanha, no século VII, e em Fulda, na Alemanha, no século IX. Foi entretanto Santo Odilon, abade de Cluny, que a introduziu em todos os mosteiro sob sua jurisdição em 998, e a fixou no dia seguinte à festa de Todos os Santos. Essa devoção se propagou rapidamente em toda a França e nos países nórdicos. Na Itália se encontra no fim do século XII, e em Roma no início do ano 1300, estendendo-se depois por toda a Cristandade.

O Ofício dos Defuntos, que a princípio não existia, foi introduzido por São Pio X. A celebração de três Missas nesse dia remonta ao ano de 1915 quando, durante a Primeira Guerra Mundial, Bento XV julgou oportuno estender a toda a Igreja este privilégio de que já gozavam a Espanha, Portugal e a América Latina desde o século XVIII, que lhes fora concedido pelo papa Bento XIV.

É preciso dizer que, todos os dias, no Cânon da Missa, num memento especial, o sacerdote suplica por todos aqueles quantos dormem o sono eterno, que Deus lhes conceda o “lugar do refrigério, da luz e da paz”. Não há, pois, missa alguma em que a Igreja não reze pelos defuntos. Mas hoje o seu pensamento vai para eles de modo muito particular, com a maternal preocupação de não deixar nenhuma alma do Purgatório sem os socorros espirituais, e de as juntar numa só oração.

Uma coisa muito salutar é que hoje se pode lucrar uma Indulgência Plenária em todas as igrejas, oratórios públicos ou semi-públicos, somente aplicável às almas do Purgatório, tendo o fiel se confessado, comungado, e rezado qualquer oração inspirada pela piedade cristã, na intenção do Papa. Pode-se ganhar essa indulgência diariamente dos dias 1 a 8 deste mês, nas mesmas condições.

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