Cognominado o último Padre Grego da Igreja e o primeiro dos escolásticos, combateu heresias, e escreveu obras que lhe mereceram o título de Doutor da Igreja.

São João Mansur, conhecido como Damasceno por ter nascido em Damasco no último quartel do século VII, era cristão de origem árabe. Sérgio Mansur, seu pai, homem de boa fortuna, por sua probidade tinha um posto elevado no Califato, como encarregado de receber os impostos dos cristãos. À morte de seu pai, João Mansur sucedeu-o no mesmo cargo, que desempenhava com igual competência, até que se iniciou em Constantinopla a querela sobre as imagens.

O Imperador do Oriente, Leão III, chamado o Isaurico, era ótimo militar, mas péssimo administrador. Ora, ele quis legislar também sobre religião, apesar de ser muito ignorante na matéria. Chegou à conclusão de que, no culto católico, as imagens eram um obstáculo para a conversão dos judeus e muçulmanos à fé, além de ser um “culto supersticioso”. Como muitos outros heresiarcas, quis então “purificar a Igreja” de suas “superstições”, e centralizá-la tanto quanto possível sob o Patriarca de Constantinopla, para desse modo fortalecer e centralizar o Estado e o Império.

Assim, em 726 Leão o Isáurico publicou seu primeiro edito contra a veneração das imagens, apesar dos protestos de São Germano, Patriarca da cidade imperial, e de outros teólogos.

São João Damasceno, que podia falar da Síria sem entraves por não estar sujeito ao Imperador, imediatamente entrou em liça escrevendo três cartas contra o iconoclasta e seu edito. Dizia ele que a Igreja não adora senão a Deus, e que venera os Santos: “Quanto às imagens, elas servem para nos instruir, para despertar nossa devoção, porque nossa natureza sendo dupla, sensível e intelectual, é-nos necessário as coisas visíveis para nos lembrar as invisíveis. Deus tornou-se ele próprio visível encarnando-se”.

O Imperador, querendo castigar o Santo, mandou forjar uma carta sua, na qual, dirigindo-se a ele, Imperador, oferecia-se para entregar-lhe Damasco por traição. E mandou a carta para o califa de Damasco. Este, reconhecendo a escrita do Damasceno, mandou cortar-lhe a mão que a escrevera. Entretanto, de acordo com o primeiro biógrafo do santo, a mão lhe foi miraculosamente restaurada ao braço pela intervenção de Nossa Senhora. O califa, reconhecendo pelo milagre a inocência do Santo, o restaurou no cargo. Mas, a essa altura, o Damasceno já se havia desiludido do mundo, retirando-se para o mosteiro de São Sabas, na Palestina.

São João não saía do mosteiro senão para pregar em Jerusalém, e suas homilias, copiadas, passavam de mão em mão como rico tesouro, espalhando-se depois pelo Oriente. São João Damasceno foi ao mesmo tempo filósofo, teólogo, orador ascético, historiador, exegeta e até poeta e músico.

O Santo faleceu por volta do ano 749, quase centenário. Foi declarado Doutor da Igreja pelo papa Leão XIII em 1890.

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