Dos principais criadores do monaquismo na Palestina deu, com sua regra, um impulso notável a toda a vida religiosa no Oriente. Fundou vários mosteiros, tornando-se célebre o que levava seu nome.

São Sabas nasceu em Metala, na Capadócia (atual Turquia), no ano de 439. Sua infância foi difícil porque, tendo ficado órfão, seus parentes disputavam sua herança. Desgostoso, menino ainda procurou refúgio num mosteiro. Bem recebido, apesar da idade, foi criado no temor e no amor de Deus.

Sabas foi depois discípulo de Santo Eutímio que, durante dez anos, acompanhou seu progresso na vida cenobítica, (em comum, num mosteiro) e depois lhe permitiu que passasse a levar vida de anacoreta (como eremita, no isolamento). O santo passou assim a viver numa gruta, onde se dedicava à oração e ao trabalho. Passava o domingo no mosteiro para assistir aos ofícios divinos, e depois voltava à sua caverna.

O inimigo do gênero humano não podia suportar tanta perfeição. Pelo que o tentava e perseguia freqüentemente, aparecendo-lhe sob a forma de serpentes e de bestas ferozes, para atrapalhar sua oração. Mas São Sabas, com o auxílio de Deus, vencia sempre o inimigo infernal.

Quando morreu Santo Eutímio, vieram numerosos eremitas colocarem-se sob a direção de São Sabas. Chegaram a ser 150, aos quais Deus provia de maneira maravilhosa através de pessoas piedosas, que davam grandes esmolas aos monges. O Santo fundou mais sete mosteiros, tornando-se pai de inumeráveis monges.

Entretanto, como a vida é uma luta, e a cruz é o regalo com que Deus premia seus servidores, alguns dos seus monges começaram a maltratá-lo e a perseguir, de modo que ele se refugiou em outra gruta, voltando assim à sua vida de anacoreta.

Ora, aí lhe sucedeu um fato que é digno dos Fioretti de São Francisco de Assis: quando o santo chegou a esse gruta e estava entregue à oração, apareceu um grande leão, que ali fizera também sua morada. A fera esperou que o Santo terminasse sua oração, e depois entrou na gruta e começou a puxá-lo pela manga do hábito, tentando tirá-lo de sua morada. Sabas então disse ao leão: “Se queres, fiquemos os dois aqui, pois a gruta é suficientemente espaçosa para isso. Se não, vai-te embora, porque também sou criatura de Deus, e ademais, criado à sua imagem e semelhança”. Ouvindo isso, o leão se retirou, deixando a gruta só para o Santo.

Por três vezes São Sabas interveio junto aos imperadores do Oriente a favor do bem público e da liberdade da Igreja. No tempo de Anastácio I, dez mil monges corresponderam ao seu apelo intervindo em favor dos bispos perseguidos da Palestina. Outra vez, já tendo noventa anos, Sabas dirigiu-se a Constantinopla a fim de implorar a clemência de Justiniano em favor de samaritanos revoltados, e foi bem sucedido.

São Sabas faleceu em 532, e seu culto foi, no século seguinte, introduzido em Roma por monges orientais que para ali fugiram quando da perseguição dos árabes.

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