Dos principais criadores do monaquismo nos séculos V e VI na Palestina, Sabas deu com sua regra um impulso notável à vida religiosa no Oriente. Fundou muitos mosteiros, tornando-se célebre o que levava seu nome.

         São Sabas nasceu em Metala, na Capadócia (atual Turquia), no ano de 439. Sua infância foi difícil porque, tendo ficado órfão, seus parentes começaram a brigar para disputar sua herança. Desgostoso, apesar de ainda menino, procurou refúgio num mosteiro, o que não era raro naqueles tempos. Pelo que foi bem recebido, e criado no temor e no amor de Deus.

Sabas foi depois discípulo de Santo Eutímio, que durante dez anos acompanhou seu progresso na vida cenobítica (em comum, num mosteiro) e depois lhe permitiu que passasse a levar vida de anacoreta (como eremita, no isolamento). De Santo Eutímio, diz o Martirológio Romano no dia 20 de janeiro: “Na Palestina, o natalício de Santo Eutímio, abade que, sob o imperador Marciano brilhou na Igreja pelo zelo da disciplina católica e eficácia de seus milagres”.

O santo passou assim a viver numa gruta na qual se dedicava à oração e ao trabalho. Aos domingos ia ao mosteiro assistir os ofícios divinos, e depois voltava à sua caverna.

O inimigo do gênero humano não podia suportar sua virtude. Pelo que o tentava e perseguia freqüentemente, aparecendo-lhe sob a forma de serpentes e de bestas ferozes para atrapalhar sua oração. Mas São Sabas, com o auxílio de Deus, vencia sempre o inimigo infernal.

         Quando morreu Santo Eutímio, vieram numerosos eremitas colocarem-se sob a direção de Sabas, levando-o a fundar um mosteiro para congregá-los. Aos poucos os monges chegaram a ser 150 e, apesar de tantos, Deus provia de maneira maravilhosa sua subsistência por meio das abundantes esmolas de pessoas piedosas. Como o número deles crescesse ainda mais, foi possível a São Sabas fundar mais sete mosteiros, tornando-se assim pai de incontáveis monges.

Tudo assim ia bem. Entretanto, como a vida é uma luta e a cruz o regalo com que Deus premia seus servidores, alguns dos seus monges que não podiam suportar sua virtude, começaram a maltratá-lo e a persegui-lo, de modo que ele teve que abandonar o mosteiro e voltar à sua gruta e à vida de anacoreta.

         Ora, ocorreu então um fato digno dos Fioretti de São Francisco de Assis: quando o santo chegou à gruta e se entregou à oração, apareceu um grande leão que durante sua ausência nela também fizera sua morada. A fera esperou do lado de fora que o Santo terminasse a oração; depois entrou na gruta, e começou a puxá-lo pela manga do hábito para tirá-lo de sua morada. O religioso então disse ao leão: “Se queres, fiquemos os dois aqui, pois a gruta é suficientemente espaçosa para isso. Se não, vai-te embora, porque também sou criatura de Deus, e ademais, criado à sua imagem e semelhança”. Ouvindo isso, o leão se retirou, deixando a gruta só para o Santo.

         Por três vezes São Sabas interveio junto aos imperadores do Oriente em favor do bem público e da liberdade da Igreja.

No tempo do papa Anastácio II, dez mil monges corresponderam ao apelo de Sabas pedindo ao Pontífice que interviesse em favor dos bispos perseguidos da Palestina. Outra vez, já tendo noventa anos, o santo se dirigiu a Constantinopla a fim de implorar a clemência de Justiniano em favor de samaritanos que tinham se revoltado e que se arrependeram, sendo bem sucedido.

         São Sabas faleceu em 532, e seu culto foi no século seguinte introduzido em Roma por monges orientais, que para ali tinham fugido quando da perseguição dos persas e árabes no século VII.

         Dele diz o Martirológio Romano neste dia: “Refulgiu com admirável exemplo de santidade, e lutou ardorosamente contra os impugnadores do  Concílio de Calcedônia. Afinal, descansou placidamente numa laura [convento] da diocese de Jerusalém, que depois ficou com o seu nome”.

         Esse Concílio de Calcedônia citado fora convocado pelo Imperador Marciano no fim do ano de 451. Seu objetivo principal foi o de reafirmar a doutrina católica ortodoxa sobre a dupla natureza, humana e divina, de Cristo, como segunda Pessoa da Santíssima Trindade, contra a heresia monofisista ensinada por Eutiques. Também tratou de questões de disciplina e da jurisdição eclesiástica.

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