A cidade de Pisa, na Toscânia italiana, é famosa por sua Torre Inclinada e por suas belas procissões. Na Idade Média era uma das cidades mais florescentes da Itália.

Foi lá que nasceu no século XII um santo singular, Rainério, filho de Gandulfo Scacceri, próspero comerciante e dono de navio, e de Mingarda Buzzaccherini.

A sua educação foi confiada ao bispo de Kinzica. Porém Rainério, entrando na adolescência, levado por uma inclinação artística notável, preferiu estudar lira e canto. Assim entregou-se a uma vida frívola tornando-se um menestrel renomado, que ia de castelo em castelo cantando suas canções, acompanhado de sua viola. Evidentemente, nessa vida assim dissipada, havia não faltavam muitas ocasiões de pecado, ele sucumbiu a várias delas.

Mas um dia, em suas andanças, ele encontrou um santo monge, Alberto, nobre da Córsega, que vestia uma túnica de pele de animal, e tinha entrado no mosteiro de São Vito, em Pisa, adquirindo fama por seu trabalho com os pobres. Havia visitado os Lugares Santos como peregrino, e iria morrer perto de Paris, no reinado de Luís VII.

O contacto com esse homem de Deus, levou Rainério a considerar sua própria vida, tão falta de objetivo sério. Pediu-lhe então que rezasse por si, e fez uma confissão geral de toda sua vida, chorando-os amargamente.

Naquela bendita época, os homens eram radicais nos seus propósitos. Por isso a conversão de Rainério, foi profunda e sincera, levando-o a procurar levar uma vida de solitário a partir de então.

Atingido pela cegueira, sabendo disso, os pais, consternados, vieram ter com o filho a quem faltava a luz dos olhos. Foi tal a dor que demonstraram ante essa tragédia, que o amor filial levou Rainério a pedir a Deus sua própria cura. E a obteve.

O santo desejou então ir à Terra Santa para rezar nos próprios lugares santificados pelo Salvador do mundo. Como não tinha dinheiro suficiente para a viagem, engajou-se como remador em uma galera, comendo com os galerianos, rezando com eles, e divertindo-os com seu bom humor, de modo a tornar-lhes a longa travessia muito curta. Tornou-se depois mercador, e seus negócios prosperaram, levando-o a muitos portos.

Visitando enfim a Terra Santa, Rainério esteve em todos os lugares santos da Palestina, com um espírito tão sobrenatural, que o conduzia no caminho da santidade. Entretanto, uma coisa lhe faltava: foi aí que ele teve uma visão pela qual entendeu que sua riqueza o impedia de dar-se inteiramente a Deus. Resolveu então distribuir pelos pobres seus bens e, vestindo roupas miseráveis, passou a viver só de esmolas.

O santo lia os segredos nos corações, expulsava demônios, realizava curas e conversões. Sua austeridade era tão excessiva como diz um de seus biógrafos, que o próprio Deus teve que lhe dizer que comesse.

Por inspiração divina, Rainério voltou então para sua cidade natal. Esteve primeiro com os cônegos regulares, e depois no convento de São Vito, mas sempre como Irmão leigo. Lá ele adquiriu fama como pregador, sendo visto como santo já em vida, fazendo muitos milagres. Segundo os registros da Igreja, os seus prodígios ocorriam por meio do pão e da água benzidos, os quais distribuía a todos que o solicitavam. Isso lhe valeu o apelido de “Rainério Água”.

O santo faleceu no dia 17 de junho de 1161, sete anos depois do seu regresso da Terra Santa. Seu corpo foi carregado em triunfo através da cidade até o lugar de seu descanso, na Catedral de Pisa.

Rainério foi canonizado pelo papa Alexandre III, e proclamado patrono da cidade de Pisa e dos viajantes. A catedral dessa cidade conserva suas relíquias.

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