Levado sob prisão a Antioquia, Santo Artêmio foi torturado e morto no ano de 363. Seu martírio encerrou uma trajetória marcada pelo serviço militar, pelo exercício de elevada autoridade no Império Romano e, sobretudo, por uma conversão que o levou a defender a fé que antes havia perseguido.
Soldado e autoridade imperial
Artêmio destacou-se como soldado e comandante militar durante o governo de Constantino, o Grande. Mais tarde, o imperador Constâncio confiou-lhe importantes responsabilidades: foi prefeito imperial do Egito e duque de Alexandria.
Nessa posição, empregou sua autoridade em assuntos religiosos. Sua vida, contudo, não seguiu desde o início um caminho sem desvios. Artêmio aderiu com veemência ao arianismo e participou da perseguição a monges, religiosas e bispos que professavam a fé verdadeira. Entre os atingidos por sua atuação esteve Santo Atanásio, um dos mais firmes defensores da doutrina católica naquele período de graves controvérsias.
Do erro à defesa da fé
A oração e o horror provocado pelas perseguições contribuíram para uma profunda mudança em Artêmio. Ele abandonou o arianismo, abraçou a fé verdadeira e passou a sustentar publicamente aquilo que antes havia combatido.
Essa conversão não permaneceu restrita à sua consciência. Quando Juliano, chamado o Apóstata, favoreceu a restauração do paganismo e promoveu nova perseguição contra a Igreja, Artêmio opôs-se a essa política e tomou a defesa dos cristãos. O antigo perseguidor passou, assim, a enfrentar as consequências de sua fidelidade à Igreja.
Seu passado não é ocultado pela narrativa de sua vida. Ao contrário, torna mais manifesta a transformação operada pela graça: o homem que havia usado sua posição contra membros da Igreja empregou depois sua influência e sua coragem em defesa da verdadeira fé.
Prisão e martírio em Antioquia
Pagãos acusaram Artêmio de destruir ídolos. Ele foi preso e conduzido a Antioquia, onde sofreu torturas antes de ser morto. Sua morte ocorreu durante o governo de Juliano, em 363.
A vida de Santo Artêmio mostra que uma conversão autêntica exige mais do que reconhecer interiormente um erro. Para ele, significou romper com uma posição anteriormente sustentada, defender aqueles que haviam sido perseguidos e aceitar o sofrimento em vez de renegar a fé reencontrada.
A Igreja o venera como mártir. Em sua memória permanecem unidos o arrependimento pelo erro, a coragem da reparação e a perseverança até a morte.
