Sempre que cabível, procuramos ressaltar o ilustre nascimento daqueles Santos que fazem jus a essa condição privilegiada. Assim fazendo, colocamos em prática o princípio de Santo Inácio Loyola do agere contra, ou a saber, sempre que o erro, o feio ou o mal nos impelem agir numa direção, devemos agir na direção contrária. Portanto, numa época tão igualitária e conturbada pela luta de classes como a nossa, compraz-nos ressaltar pessoas de  nome insigne e de fortuna que, tendo sabido utilizar-se de sua posição ou de seus bens com desapego, ou mesmo renunciar a eles por amor de Deus, atingiram a mais alta santidade. É o caso de São Bernardino de Siena.

Iniciador do culto ao Nome de Jesus, grande devoto da Santíssima Virgem, famoso pregador popular, São Bernardino de Siena, cuja festa comemoramos neste dia, alcançou tal santidade em vida, e sua intercessão tantos milagres após a morte, que lhe mereceram a honra dos altares apenas seis anos após seu passamento.

Bernadino era filho de nobre família, das mais ilustres da República de Siena. Órfão de mãe aos três anos e de pai aos seis, foi criado por sua tia materna, Diana, mulher virtuosa que plantou em sua alma as sementes do verdadeiro amor a Deus, à Sua Mãe Santíssima e aos pobres. Aos 11 anos foi enviado a Siena para receber formação condizente com seu ilustre nome junto aos tios paternos. Para isso recebeu educação dos melhores preceptores da cidade.

Sumamente amante da virtude da pureza, Bernardino, habitualmente respeitoso e ameno de trato, incendiava-se de indignação ao ouvir qualquer palavra imoral. A um homem que ousou dizer uma em sua presença, deu-lhe um soberbo soco no queixo, que repercutiu em toda a sala onde se encontravam. O libertino não teve coragem de defender-se contra um frágil adolescente, preferiu a fuga, cheio de confusão. Em outra ocasião, recrutou meninos para expulsar, a pedradas, outro libertino que se jactava de suas obscenidades.

Era sobretudo seu porte modesto, mas firme, que impunha respeito. De maneira que, quando os amigos estavam em conversa imoral e viam que Bernardino se aproximava, mudavam logo o teor de sua conversação.

Após terminar o estudo de Filosofia, aplicou-se ao do Direito civil e canônico, e estudo das Sagradas Escrituras. e sentiu-se inspirado a entrar para os Franciscanos observantes, no convento solitário de Colombière, a algumas milhas de Siena. E assim fez no dia da Natividade de Nossa Senhora, que era também o dia de seu vigésimo segundo aniversário. Professou no ano seguinte, na mesma solenidade, e um ano depois, também nela, celebrava sua primeira Missa.

Foi na escola de Jesus crucificado que ele aprendeu a praticar, em grau heróico, as virtudes cristãs. Para isso, dia e noite prosternava-se diante de um Crucifixo. Uma vez, durante a meditação, Nosso Senhor lhe disse: “Meu filho, tu Me vês pregado à Cruz; se tu Me amas e queres Me imitar, prega-te também à tua cruz e segue-Me; assim estarás seguro de Me encontrar”.

Seus superiores, vendo tanta virtude nessa candeia, quiseram que ela não permanecesse mais oculta, mas que brilhasse à luz do mundo. Por isso designaram-no para a pregação. Bernardino obedeceu. Mas como sua voz era fraca e rouca, não podia atingir o número de fiéis que se reuniam para ouvi-lo. Contudo não desanimou com isso, mas recorreu à Santíssima Virgem, que imediatamente deu robustez e claridade à sua voz, e o adornou com todas as qualidades de um bom pregador. Os frutos de suas pregações eram ainda maiores porque acompanhados de milagres. Restituiu saúde a doentes, curou leprosos. E certa vez que um barqueiro se recusava transportá-lo à outra margem de um largo rio porque não tinha com que pagar, estendeu na água seu manto, sobre o qual ele e o companheiro cruzaram o rio como no mais seguro barco. Chegados à outra margem, o manto não estava sequer molhado!

Pode-se dizer que São Bernardino de Siena foi o iniciador do culto ao dulcíssimo Nome de Jesus. No final de seus sermões mostrava ao povo uma bandeirola na qual havia gravado em letras de ouro o monograma JHS, e convidava a todos os fiéis a prosternarem-se diante dela para venerar o nome do Redentor do mundo

Isso pareceu temerária inovação a alguns espíritos do mundo, e uma campanha de difamação foi organizada contra ele, com tanta eficácia, que o Papa Martinho V proibiu-o de pregar. Diante da atitude totalmente submissa de Bernardino, o Sumo Pontífice informou-se melhor e quis que ele se defendesse. Leu com o maior gosto sua apologia, e satisfeito com suas razões e seu proceder, abraçou-o ternamente, exortando-o a derramar por toda parte o fruto de seu zelo.

O Imperador alemão Sigismundo tinha por ele tanta veneração, que desejou que ele o seguisse a Roma para assistir às cerimônias de sua coroação, em 1433.

Venerado também por seus irmãos de hábito, estes o elegeram, em 1438, Vigário Geral de todos os conventos da observância

No intervalo entre suas atividades apostólicas, ele escrevia. Entre suas obras estão os tratados da Religião Cristã, do Evangelho Eterno, da Vida de Jesus Cristo, do Combate Espiritual, além de Meditações e Sermões.

Enfim, quando, pela idade e saúde alquebrada, sentiu o peso de seu cargo, descarregou-o sobre São João de Capistrano, seu discípulo e sucessor.

Em 1444 dirigia-se ele a Nápoles para pregar umas missões. Chegando a Áquila, sentiu que seus dias estavam contados e que deveria preparar-se para comparecer diante do Tribunal do Supremo Juiz. Para seguir o exemplo de São Francisco, pediu a seus confrades que o colocassem sobre a terra nua para aí expirar, o que sucedeu no dia da Ascensão à hora das Vésperas, quando cantavam no coro a antífona: “Meu Pai, eu fiz conhecer vosso Nome aos homens que vós me destes; agora eu Vos peço por eles, e não pelo mundo, porque eu vou para Vós”. Tinha 64 anos.

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