No momento, você está visualizando 25/09 – Beato Hermano Contractus, São Bernardo e a Salve Rainha

Aos seis anos, Hermano foi atingido por uma grave enfermidade que comprometeu seu crescimento e contraiu seus membros. Passou a caminhar com o auxílio de muletas e suportou dores intensas durante quase toda a vida. Dessa condição veio o nome pelo qual se tornou conhecido: Hermano Contractus.

Filho do conde Wolfrad II de Veringen e de Hiltrude, recebeu da mãe uma formação marcada pela piedade. Enquanto seu corpo deixava de se desenvolver normalmente, suas faculdades intelectuais amadureciam. Cresciam também sua união com Deus e sua confiança em Nossa Senhora, a quem recorria como Mãe dos aflitos.

A escolha da sabedoria

Uma piedosa tradição relata que Hermano pediu durante meses a recuperação da saúde, se essa fosse a vontade de Deus. Nossa Senhora teria então aparecido a ele e lhe oferecido a escolha entre dois dons: a saúde ou a sabedoria. Hermano escolheu a sabedoria.

O relato exprime um traço de sua vida. A enfermidade continuou dolorosa, mas não o impediu de estudar, adquirir vastos conhecimentos e colocar seus talentos a serviço dos outros. Sob uma aparência corporal frágil encontravam-se um espírito laborioso e um coração humilde e caridoso.

Desejando dedicar-se ao serviço de Deus, Hermano ingressou na Ordem de São Bento. Viveu durante algum tempo no mosteiro de São Galo e, posteriormente, estabeleceu-se na Abadia de Reichenau, então reconhecida como centro de piedade e saber. Apesar das limitações físicas, perseverou no estudo, na oração e na composição religiosa.

Uma oração nascida da confiança

Ao Beato Hermano é tradicionalmente atribuída a composição da Salve, Regina, conhecida em português como Salve Rainha. Nela, os filhos de Eva, que gemem neste vale de lágrimas, pedem à Mãe de misericórdia que volte para eles seu olhar e, ao fim do exílio terreno, lhes mostre Jesus.

Essas palavras ganham especial força quando lidas à luz da vida de Hermano. Ele conhecia a dor e os limites impostos pela enfermidade. Sua confiança em Nossa Senhora, porém, ia além da busca de alívio: dirigia-se, por meio dela, a Nosso Senhor Jesus Cristo e à esperança da pátria eterna.

Hermano faleceu em 24 de setembro de 1054, no quadragésimo quinto ano de vida. A oração à qual seu nome ficou ligado continuou a ser cantada depois de sua morte. Outra tradição associa a forma de sua conclusão a São Bernardo de Claraval, quase um século mais tarde.

São Bernardo na catedral de Spira

Na véspera do Natal de 1146, durante uma viagem pela Alemanha, São Bernardo teria chegado à cidade de Spira. Sua pregação procurava suscitar apoio para uma nova cruzada destinada à recuperação dos lugares da Palestina santificados pela vida e pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Segundo o relato tradicional, a cidade o recebeu em procissão. Representantes das corporações levavam estandartes e velas acesas; o clero e o bispo o conduziam à catedral, onde o aguardavam o imperador Conrado, os príncipes da corte e uma multidão de fiéis. Enquanto a procissão avançava pela nave, um grande coro entoava a Salve Rainha.

Ao chegar diante do altar, o canto terminou com o pedido para que Nossa Senhora mostrasse aos fiéis, depois deste exílio, o bendito fruto de seu ventre, Jesus. Seguiu-se um silêncio. São Bernardo teria então exclamado:

O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria! 
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!

A tradição atribui a essas palavras a conclusão que passou a acompanhar a antífona. As três invocações retomam a confiança expressa ao longo da oração: Maria é chamada clemente, piedosa e doce por aqueles que lhe pedem auxílio para chegar a Jesus Cristo.

Assim, a memória de Hermano e a de São Bernardo se encontram na Salve Rainha. A tradição vê no primeiro o monge que deu voz à súplica dos que sofrem; no segundo, o devoto de Nossa Senhora que lhe acrescentou uma breve aclamação. Em ambos os relatos, a confiança filial em Maria culmina no mesmo pedido: que ela mostre aos fiéis seu Filho.

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