Em nossos infelizes dias, tão trabalhados pela corrupção dos costumes e pela decadência moral, e sobretudo conturbado pela luta de classes, muitos empregados pensam, mais do que esmerar-se em seu trabalho, nos seus direitos devidos ou indevidos, e em fazer ações trabalhistas contra os patrões por qualquer motivo, para conseguirem um dinheiro extra. Por isso, o exemplo dessa empregada doméstica dedicada inteiramente aos seus afazeres e aos patrões, que muito a estimavam, representa uma lufada de ar fresco que nos conforta a alma.

Por isso, quando esta humilde doméstica expirou no nobre palácio dos Fatinelli era tão querida, que toda a aristocrática família juntou-se junto ao seu leito, e depois toda a cidade de Lucca acorreu em torno de seu caixão.

Foi numa humilde família de camponeses que Zita nasceu no ano de 1218, em Lucca, na Itália. Destituída de qualquer especial instrução, desde criança tinha escolhido para si uma regra de comportamento religioso, perguntando-se: “Isto agrada ao Senhor? Isto desagrada a Jesus?”. Essa foi sempre sua norma de conduta diante de todos os sucessos que lhe aconteciam.

Quando era adolescente, os pais lhe entregavam um cesto de verduras ou frutas para vender nas ruas da cidade. O seu aspecto recolhido, ar modesto e de pureza, enfim, toda sua pessoa, chamaram a atenção de um dos mais ricos e nobres cidadãos de Lucca, o senhor de Fatinelli, que a pediu a seus pais para ser uma de suas empregadas domésticas.

Zita tinha então 18 anos, e era a primeira vez que deixava seu humilde lar, ainda mais para viver num palácio entre a imensa criadagem da casa. Isso poderia ter certa sedução, mas também apresentava alguns perigos, principalmente no convívio com os outros empregados menos virtuosos que ela.

Entretanto, a casa dos Fatinelli, como não era raro na época, era governada com princípios de severa moralidade. E os criados sabiam manter essa linha. Por isso Zita continuou, no aristocrático palácio, a mesma linha de proceder, interrogando-se “Isto agrada ao Senhor?”.

Ela obteve licença da patroa para assistir diariamente à Missa numa igreja vizinha, enquanto o resto da criadagem dormia. E, de regresso à casa, agradava ao Senhor que ela se entregasse com toda dedicação e seriedade às suas incumbências diárias.

Um dia Zita demorou-se mais em oração na igreja. Quando se deu conta de si, o sol já tinha aparecido. Temerosa porque passara o tempo de fazer o pão diário, correu para o palácio. Mas encontrou o pão que deveria ter preparado, dourado e bem cheiroso, em cima da toalha da mesa da cozinha. “Alguém”, que não era nenhuma de suas companheiras, era o responsável por aquele milagre.

Todas as sextas-feiras da semana os pobres da cidade se atropelavam à porta do palácio. Como Zita era a criada de mais confiança, tinha a missão de distribuir a eles as esmolas reservadas pelos patrões. Mas desejava sempre acrescentar algo de seu. Assim jejuava ou limitava-se no comer para conseguir pôr de parte mais comida para os pobres. A eles dava também alguma roupa sua. Pelo que depressa chegou aos ouvidos do senhor de Fatinelli que Zita dava aos pobres mais do que ele tinha estipulado.

Assim, um dia em que ele encontrou Zita trazendo no avental o supérfluo que havia economizado, perguntou-lhe severamente o que levava. “Flores e folhas”, respondeu a empregada. E abrindo o avental ocorreu o que já ocorrera com outras santas: flores e folhas caíram ao solo, testemunhando ao patrão a virtude da serva.

Desse modo Zita tornou-se, na casa dos Fatinelli, a empregada santa, a quem os patrões queriam como se fosse membro da família. Disso ela não se prevalecia, conservando-se humilde e sempre pontual e obediente, como se servisse ao próprio Nosso Senhor.

Zita assim nunca foi incômoda aos patrões, nem mesmo na última doença, que durou apenas cinco dias, quando expirou no seu pobre quarto aos 60 anos, no ano de 1278. Como foi dito, toda a família Fatinelli estava ajoelhada em redor de seu leito; e logo, por causa da fama de santidade da humilde doméstica, os habitantes de Lucca se ajoelharam em torno de seu caixão.

Seu corpo incorrupto repousa na basílica de São Frediano, em Lucca. Ela é a padroeira das empregadas domésticas.

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