A última imperatriz da Áustria

Zita Otto - foto

Em seus tempos de glória, a Áustria produziu grandes coisas para a civilização cristã. Entre elas, uma seqüência de imperatrizes e arquiduquesas admiráveis que, cada uma a seu modo, marcaram a fundo a história da Europa.

A grande Maria Tereza (1717-1780) encarnou como ninguém a elevação de vistas da dinastia dos Habsburgos e a grandeza da Áustria católica. Sua filha Maria Antonieta (1755-1793), transplantada para a França, foi uma rainha de sonho até o momento de se tornar rainha-mártir. A tal ponto que a simples menção de seu nome, ainda hoje, incomoda a fundo os revolucionários do mundo todo, que só falam dela para caluniá-la ou para apontar-lhe defeitos. A imperatriz Elizabeth, a famosa Sissi (1837-1898), esposa do imperador Francisco José, foi modelo inigualável de elegância e distinção aristocráticas.

O império austríaco foi retalhado após a Primeira Grande Guerra, e retirou-se da História. Poderíamos dizer que morreu, porém o fez de acordo com a expressão francesa mourir en beauté, pois aquilo que é muito elevado, ao morrer, habitualmente o faz de modo belo.

Nessa morte en beauté, o império austríaco produziu ainda uma grande imperatriz: Zita de Bourbon Parma (1892-1989), esposa do último imperador Carlos de Habsburgo, com o qual se casara em 1911 quando este era ainda apenas arquiduque. As bodas esplendorosas ocorreram no castelo de Schwarzau, perto de Viena, presididas por um legado do Papa.

Originária do ducado de Parma, descendente das famílias reais de Portugal, Espanha e França, Zita assimilou inteiramente sua condição de imperatriz da Áustria, que teve de assumir após a morte do longevo imperador Francisco José em 1916. Foi coroada também rainha da Hungria e da Boêmia. Na ilustração, a vemos numa esplêndida carruagem na capital da Hungria, cingindo a coroa imperial. Nos degraus, seu filho primogênito, arquiduque Otto (falecido no dia 4 de julho último, aos 98 anos).

Zita OttoO reinado de Zita foi curto. A 12 de novembro de 1918, como conseqüência da guerra, a república foi proclamada na Áustria, e em março de 1919 a família imperial teve seus bens confiscados. Foi forçada ao exílio na Suíça e em seguida na ilha da Madeira, pois os novos donos do poder temiam o prestígio dos monarcas junto ao povo.

Nesse local de exílio, Carlos de Habsburgo morreu em 1922, deixando a imperatriz viúva com oito filhos. Demonstrando uma dignidade extraordinária, ela passou a vestir-se de negro, e assim permaneceu nos 67 anos que sobreviveu ao marido, sempre cuidando da educação dos filhos.

Só em 1982 o governo republicano permitiu que ela voltasse à Áustria. Então, após assistir à Missa na Catedral de Santo Estêvão, uma multidão incalculável aglomerou-se para aclamá-la.

Quando de sua morte, teve um funeral de verdadeira imperatriz, recebendo em Viena o consagrador tributo de um povo que soube avaliar sua dignidade no infortúnio.

Seis cavalos negros puxavam o precioso coche encimado com a águia imperial e a coroa, que em presença de descendentes de todas as monarquias européias, além de Marrocos, Jordânia e Egito, conduziu seus restos mortais ao Panteão dos Habsburgos.