Absurda homenagem ao frade apóstata que cindiu o Ocidente

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    Há pouco, deu-se início em alguns lugares às comemorações dos 500 anos da pseudo “Reforma Protestante”, que ocorrerá no 31 de outubro do próximo ano.

    No próprio Vaticano, no dia 13 de outubro (data da última aparição de Nossa Senhora de Fátima em 1917), aproximadamente 1000 luteranos foram recebidos na Sala Paulo VI. Na ocasião, foi colocada na referida sala uma imagem vermelha de Lutero [na foto acima, à esquerda].

    Como se sabe, no dia 31 de outubro de 1517, o monge apóstata Martinho Lutero oficialmente lançou seu brado de rebelião contra Roma, causando graves malefícios à civilização cristã com a difusão de seus erros e heresias. Por exemplo, ao apostrofar que “todos os homicídios, mortes, roubos e adultérios, são menos prejudiciais do que a abominação da Missa papista”.

    No Brasil, há 33 anos, já se havia prestado uma esdrúxula homenagem ao heresiarca Lutero: no ano de 1983, por ocasião do V centenário do nascimento de Lutero (1483 – 1546), este foi homenageado pela Empresa de Correios e Telégrafos do Brasil com o lançamento de um selo comemorativo… [foto abaixo]

    Assim sendo, naquele mesmo ano, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, enquanto presidente da TFP brasileira, enviou uma carta ao então presidente da ECT do Brasil deplorando tal homenagem absurda. Segue a transcrição desse oportuno, belo e memorável documento.

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    São Paulo, 25 de agosto de 1983

    Ilmo. Sr.

    Coronel Adwaldo Cardoso Botto de Barros

    DD. Presidente da Empresa de Correios e Telégrafos

    SBN – Brasília

    70040 – DF

    Senhor Coronel

    Com meus cumprimentos atenciosos e cordiais, sinto-me no dever de manifestar a V. Sa. o inteiro desacordo da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP – quanto à emissão de selo comemorativo do falecimento de Martinho Lutero.

    Com efeito, a grande maioria dos brasileiros está persuadida, a justo título, de que a ação histórica do frade apóstata cindiu o Ocidente no terreno religioso, abrindo caminho para toda uma sequela de acontecimentos catastróficos, quer na ordem espiritual, quer na ordem temporal.

    Entre estes últimos devem ser mencionados as duras investidas protestantes contra o Brasil colônia, durante as quais, com notáveis mostras de heroísmo, ao longo de lances trágicos e com larga efusão de sangue, os lusos-brasileiros tiveram de defender, à mão armada, a unidade espiritual e política do grande e querido país que vinha nascendo.

    Assim sendo, a emissão de um selo comemorativo — com iniludível caráter de homenagem — não pode deixar de suscitar a discrepância de todo católico coerente.

    É bem de ver que emissão não teve o caráter de solidariedade com o conteúdo da pregação religiosa luterana. E tão só de homenagem à saliência da ação histórica de Lutero. Ela importa, pois, em uma posição de neutralidade. É precisamente essa homenagem dentro da neutralidade, que nos parece mais incompreensível. Assim como incompreensível nos pareceria que, diante de algum inimigo capital de nossa pátria ou de nossa família, tomássemos uma atitude de reverente reconhecimento de seus eventuais predicados, sem acrescentarmos, no mesmo ato, a renovada afirmação de toda a nossa discrepância em relação ao mal por ele feito aos que queremos.

    Receba V. Sa. essa apreciação, formulada com todo o respeito e cordialidade que a sucinta exposição da matéria comporta, como contribuição positiva, e como expressão leal do pensamento unânime dos sócios e cooperadores da TFP, espalhados pelas vastidões de nosso território.

    Reiterando meus cumprimentos, subscrevo-me cordial e atenciosamente,

    Plinio Corrêa de Oliveira

    Presidente do Conselho Nacional