“O verdadeiro pensador deve ser também um observador da realidade palpável de todos os dias”

Comenta o Prof. Plinio:

“Foi também em “Catolicismo”  que criei e mantive, durante vários anos, a seção Ambientes, Costumes, Civilizações, por muitos apontada como a expressão rica e original de uma escola de produção intelectual. Essa seção constava da análise comparativa de aspectos do presente e do passado, tendo por objeto monumentos históricos, fisionomias características, obras de arte ou de artesanato, apresentados ao leitor através de fotos.

“Tal análise, feita à luz dos princípios que explicitei em Revolução e Contra-Revolução , tinha por meta mostrar que a vida de todos os dias, em seus aspectos-ápice ou triviais, é suscetível de ser penetrada pelos mais altos princípios da Filosofia e da Religião. E não só penetrada, mas também utilizada como meio adequado para afirmar ou então negar — de modo implícito, é verdade, mas insinuante e atuante — tais princípios.

“De tal forma que, freqüentemente, as almas são modeladas muito mais pelos princípios vivos  que pervadem e embebem os ambientes, os costumes e as civilizações, do que pelas teorias por vezes estereotipadas e até mumificadas, produzidas à revelia da realidade, em algum isolado gabinete de trabalho ou postas em letargo em alguma biblioteca empoeirada.

“De onde a tese de Ambientes, Costumes, Civilizações  consistir em que o verdadeiro pensador também deve ser normalmente um observador analista da realidade concreta e palpável de todos os dias. Se católico, esse pensador tem ademais o dever de procurar modificar essa mesma realidade, nos pontos em que ela contradiga a doutrina católica.”

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Vamos à análise dos quadros:

“”Virgem” de Jacques Lipchitz. O autor a descreve com estas palavras: “Do bico da pomba pendem três fragmentos do Céu estrelado que se juntam, formando um coração voltado com a ponta para o alto, do qual emerge a Virgem com os braços abertos para o mundo. O conjunto é levado por Anjos em pleno voo”.

“A extravagância da ideia geral e dos pormenores é chocante. O vulto da imagem, seu gesto, nada deixa transparecer a pureza e a inigualável dignidade da Mãe de Deus. A imagem não instrui, não forma, não atrai. A nota espiritual cristã é tão alheia a ela que, se o escultor a quisesse vender como se fosse um ídolo não teria a necessidade de fazer qualquer retoque: bastaria trocar o nome dado por ele à estatua.

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“Quem poderia dizer o mesmo do outro quadro, que representa Nossa Senhora das Dores, de autoria de Simon Marmion, pintor do século XV?

“Sem pretender fazer um comentário artístico, analisamos o contraste entre as mentalidades expressas em uma e outra imagem, a fim de fazer sentir aos leitores quanto as aspirações de que nasce e os rumos para que caminha a arte moderna desviam e deformam a verdadeira piedade cristã.”

https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ACC_1951_008_%C3%8Ddolo_ou_imagem.htm

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