Transcrição do artigo distribuído pela Agência Boa Imprensa em outubro de 1992.

Aproximando-se a celebração do Descobrimento da América, aprendemos a considerar a obra de Portugal e Espanha como uma grande glória da América Latina e um triunfo da civilização cristã.

E ela realmente o é: a entrega à Igreja e à Cristandade de um mundo novo. Obra de evangelização e civilização, em que se irmanaram missionários e colonizadores. Obra celebrada pelos Romanos Pontífices, como Pio XII, que destacou “o fato colossal de que, um século após o Descobrimento, a América era virtualmente católica” (Radiomensagem de 12-10-1949).

Virgem dos Navegantes, obra de Alejo Fernández (1531-1536). Primeira pintura sobre a descoberta da America. Alcázar de Sevilha (Espanha) [Foto PRC]
Virgem dos Navegantes, obra de Alejo Fernández (1531-1536). Primeira pintura sobre a descoberta da America. Alcázar de Sevilha (Espanha) [Foto PRC]
Entretanto, deparamo-nos agora com uma propaganda concertada nas três Américas e no mundo. Ela exagera alguns excessos e injustiças ocorridos na execução de tal obra, os quais podem acontecer em toda ação humana, tentando apresentar essa magna empresa como um genocídio e mera atividade de imperialismo econômico, na qual os governos colonizadores teriam contado com a cumplicidade da Igreja.

A instauração da civilização cristã no Mundo Novo é agora qualificada pura e simplesmente como uma destruição de “culturas superiores” dos indígenas. Pior do que isso: certos “teólogos da libertação” chegam a sustentar não só que foi um mal substituir as religiões indígenas pela católica, mas que os missionários deveriam ter-se deixado “catequizar” pelo paganismo ameríndio, o qual teria uma visão mais autêntica de certos aspectos da divindade e das relações do homem com o cosmos… Vão nesse sentido, as declarações do antigo frade franciscano Leonardo Boff, feitas para quem quiser ler (“Jornal do Brasil”, Caderno “Idéias e Ensaios”, 6-10-91).

Com Cristovão Colombo chegou à América a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo
Com Cristovão Colombo chegou à América a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo

O movimento baseado em alegações de tal gênero, as quais até há pouco teriam parecido um delírio, vai tomando tal vulto na Europa, que, na cidade de Puerto Real — o porto dos Reis Católicos, perto de Cádiz (Espanha) —, a prefeitura decidiu construir um monumento (esculpido pelo amigo de Fidel Castro, o artista equatoriano Guayasamin) de desagravo às “vítimas” do Descobrimento, e de desdouro a Isabel a Católica, a grande rainha que apoiou a expedição de Colombo. Monumento este que não foi executado, devido a uma sadia reação da opinião pública espanhola, decorrente, em larga medida, da vigorosa campanha de repúdio promovida por “TFP-Covadonga”, entidade coirmã da TFP brasileira.

Na Alemanha, o Conselho Missionário Católico, com o aplauso de diversas revistas religiosas, pediu que o dia 12 de outubro de 1992 seja considerado não um dia de alegria, mas de tristeza.

Universidades europeias têm realizado fóruns, durante os quais é denegrida a colonização e a evangelização da América. Chegam a fechar os olhos para a realidade de os povos latino-americanos serem a esperança da Igreja e da civilização cristã para o século XXI. Defendem a adoção da chamada civilização indígena como modelo de vida coletivista e de suposta harmonia ecológica igualitária do homem com a natureza.

Tribalismo-IndigenaEm nossa pátria, tais ideologias vêm se manifestando há alguns anos. São conhecidas, por exemplo, as poesias e escritos de D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia, nos quais ele renega a obra evangelizadora de santos e missionários. Não lhe escapa nem o Bem-aventurado José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil. Já em 1977, quando tal movimento estava no início, denunciei as mencionadas ideologias no livro “Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI”. Nessa obra, solidamente documentada, há uma previsão do que, precisamente, está acontecendo hoje.

Tendo as coisas chegado a esse ponto, compreende-se facilmente quanto é oportuno empreender alguma ação que salvaguarde, em tal matéria, a honra da Igreja e da nação brasileira. E que também faça justiça à ação previdente e benemérita do Infante D. Henrique, o Navegador, e de D. João II, Rei de Portugal, a quem como católicos e como brasileiros natos ou de adoção, tanto devemos.

Assim, a TFP resolveu fazer um apelo a seus sócios, cooperadores e correspondentes, existentes em mais de 200 cidades do Brasil, pedindo-lhes que comecem a realizar, nos meios onde atuam, um trabalho de esclarecimento sobre temas tão importantes.

Fala-se tanto, e com toda razão, do mal que a propaganda das seitas protestantes vem ocasionando à Igreja Católica, na América Latina em nossos dias; mas, a nosso ver, a campanha que estamos denunciando causa-lhe dano muito maior. É a própria missão outorgada pelo Divino Mestre à Igreja —“ide, pois, e ensinai a todos os povos …. ensinando-os a observar tudo o que vos tenho mandado” (Mt. 28, 18-19) — que está sendo, dessa forma, acusada e vilipendiada.

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Plinio Corrêa de Oliveira
Homem de fé, de pensamento, de luta e de ação, Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) foi o fundador da TFP brasileira. Nele se inspiraram diversas organizações em dezenas de países, nos cinco continentes, principalmente as Associações em Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), que formam hoje a mais vasta rede de associações de inspiração católica dedicadas a combater o processo revolucionário que investe contra a Civilização Cristã. Ao longo de quase todo o século XX, Plinio Corrêa de Oliveira defendeu o Papado, a Igreja e o Ocidente Cristão contra os totalitarismos nazista e comunista, contra a influência deletéria do "american way of life", contra o processo de "autodemolição" da Igreja e tantas outras tentativas de destruição da Civilização Cristã. Considerado um dos maiores pensadores católicos da atualidade, foi descrito pelo renomado professor italiano Roberto de Mattei como o "Cruzado do Século XX".

3 COMENTÁRIOS

  1. Para Leonardo Boff o povo brasileiro deveria ainda andar de tanga, sofrendo com o frio nos invernos, contagiando-se de pneumonia para tratamento com as crenças de suas divindades, ignorando os tratamentos científicos. É re voltante ver que temos pessoas que adquiriram culturas e pensam como indígenas sem culturas.
    Parabéns Paulo de Tarso Kloeckner, realmente devemos a Igreja católica a evolução do mundo.

  2. Enquanto isso na Pastoral da Terra aqui no Brasil:

    Começaram o movimento pró-marxista, “Não podemos ficar esperando do estado o reconhecimento de nossos direitos ou se contentar somente com políticas afirmativas. Resistíamos para não morrer. Mas (hoje temos que enfrentar. Unir e lutar ou morrer) “. Assim convocou a Plenária Maria de Fátima, liderança quilombola do Tocantins.

    “Os povos do campo são exilados em seu próprio país, em seu próprio território. Estão sendo conduzidos para o cativeiro”, ressaltou Plácido Junior, geógrafo e agente da CPT Nordeste II, ao se referir à postura do Estado de submissão a lógica do capital. “É por isso que tantos conflitos ocorrem. De um lado há o projeto de vida se confrontando com o projeto de morte”.

    Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), segue até o dia 17, no Campus da Universidade Federal de Rondônia (Unir) “Cada dia com uma temática: Memória, (Rebeldia) e Esperança”: http://www.cptnacional.org.br/index.php/acoes/congressos/iv-congresso-da-cpt/2701-participantes-do-iv-congresso-da-cpt-debatem-sobre-os-atuais-entraves-e-desafios-para-as-populacoes-do-campo

    Sobre o Congresso: http://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes-2/destaque/2691-iv-congresso-nacional-da-comissao-pastoral-da-terra-cpt

    (Trabalhar que é bom…)

  3. Paulo de Tarso Kloeckner:
    Einstein tem uma definição magistral: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Só não estou bem seguro sobre o universo”. Esses pseudo-sábios da matéria acima esquecem que mil anos antes de civilizar os indígenas americanos, a Igreja Católica civilizou os bárbaros: anglos, germanos, eslavos, etc., hoje conhecidos como ingleses, alemães, franceses, poloneses, húngaros, etc. Se ela não tivesse realizado esse magnífico trabalho, esses críticos não estariam aí para falar do que não conhecem, e sim, ainda grunhindo nas florestas da Europa. Marcha-ré é coisa para automóvel e não para História.

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