A notícia que se segue possui um tom jocoso, mas reflete os tristes rumos para onde caminha o Brasil e o resto do mundo ocidental. “No centro da vida boêmia do bairro [Vila Madalena], o perfil dos moradores do apartamento é de solteiros ou de recém-casados sem filhos, mas com cachorros”, é o que diz o artigo na Folha de São Paulo, dia 27 de março de 2011, com o título: Prédio exclui área de crianças e cria creche para cachorros.

A expressão “vida boêmia” é a primeira coisa que chama a atenção na notícia. Ou seja, a vida de diversões e prazeres desregrados está mais de acordo com a criação de animais do que de crianças.

Se fosse um caso isolado, não haveria motivos para alaridos, porém, com o aumento de moradores que possuem mais cachorros do que filhos, as empresas de construções estão investindo em novos planos: “Dos últimos 20 prédios construídos pela Gafisa em São Paulo, 11 têm cachorródromos”, continua o mesmo artigo.

Em outras palavras, é melhor investir nos cuidados com cães do que em diversões para crianças. E as benesses para os animais não são poucas, conforme a mesma notícia: “As benfeitorias vão de pet shops equipados para banho e tosa a áreas para adestramento com equipamentos para exercícios, como pneus para saltos, obstáculos para corridas e túneis”.

Nosso mundo hedonista faz o seguinte raciocínio destorcido pelo desejo de gozar a vida: cuidar de cachorros e gatos é mais fácil do que criar uma criança. Não é necessário educa-los, ensina-los a ter princípios, religiosidade ou moral e, sobretudo, não é preciso dar-lhes bons exemplos. Aos animais domésticos basta dar ração, abrigo e todas as outras comodidades físicas – se é que tal pode-se aplicar aos tais bichos – e ir para a “vida boêmia” quando apraz aos seus donos.

Além do mais, é mais simples se livrar de um cachorro do que de uma criança. Ao bicho, basta sacrificar. A criança,… abortar enquanto há tempo! Senão a “vida boêmia” fica ameaçada.

Eis o futuro para quem quer a boemia: mais “cachorródromos”, mais abortos e menos crianças.

2 COMENTÁRIOS

  1. O grave realmente é que foi induzida uma MENTALIDADE pela qual já não se espanta mais com a REALIDADE de que há substituição de parque infantil por parque canino. Pensar, no que foi noticiado em sites de notícias aqui do Brasil, de que uma família gastou treze mil Reais para salvar um gato…

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