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Castel Valer nas Dolomitas, Itália.

Os castelos mais famosos e visitados da Europa são os castelos reais. Na sua maioria, hoje pertencem aos respectivos Estados e podem ser visitados parcial ou integramente como museus. Esses, entrementes, não são os mais numerosos. Dezenas de milhares de castelos estão espalhados pelas regiões e países que constituíram a Cristandade europeia.

Em muitos casos estão em ruínas, mas também em muitos outros foram zelosa e meritoriamente conservados pelos seus donos através de muitas gerações.

Com frequência não estão abertos à visitação, pois se trata de casas de família. Ou por vezes, a visitação está restringida a certos períodos do ano ou da semana.

O caso do Castelo Valer (Castel Valer) nos fornece uma oportunidade de conhecer como é um castelo medieval bem conservado pela família dona dele há séculos. Confira: Castel Valer, Wikipedia.

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A capela principal dedicada a São Valério seria a origem do nome do castelo.

Ele se encontra em Tassullo, na região de Trentino, Itália, onde se faz sentir intensamente a influência cultural e histórica da vizinha Áustria.

Ele foi fundado no ano 1211 pelos Condes de Appiano, quando eles eram senhores feudais que como que reinavam no Vale de Cembra.

Outras famílias se sucederam na propriedade até que em 1368 ficou na posse da família Sporo (ou Spaur em alemão) cujos descendentes ainda o habitam.

Hélas! Após quase 650 anos de posse continuada, essa ilustre família ficou na contingência de vendê-lo.

No sul da França quando uma antiga propriedade familiar era vendida, inclusive camponesa, os sinos da igreja local tocavam a finados. O costume não poderia ser mais apropriado.

O castelo se encontra sobre as famosas montanhas Dolomitas. E a família proprietária é a de Spaur, que durante séculos ficou fiel ao Papado nos conflitos entre o império alemão e a Santa Sé.

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Uma família durante quase sete séculos forjou a alma do castelo.

A família, cujo chefe atual é o Conde Ulrich Spaur zu Flavon und Valer, estava rodeada de uma aura como que real, pois estava tradicionalmente ligada com a família dos Habsburgos, imperadores da Áustria.

A fortaleza se articula em volta de uma torre de menagem octogonal de 40 metros, a mais alta da província de Trento. Foi toda construída com pedras de granito do vale.

Aliás como costuma ser com os castelos: eles foram feitos com materiais da região, fator que reforça sua integração na natureza local e o faz como que a coroa do lugar.

O Castelo Valer possui mais de 100 salas ou quartos, alguns deles ricamente decorados como é o caso da ‘Sala degli Stemmi’ ou as “Salas Madruzziane”.

A parte inferior, chamada de Castelo de Baixo constitui o núcleo mais antigo. O Castelo de Cima está formados por construções do século XV.

“A casa conheceu um bom número de histórias, para a minha família e para meu país. Eu gosto particularmente do ornato da capela, e do salão Ulrich, que leva esse nome por um dos meus antepassados”, disse o conde ao “Le Figaro”.

Aliás, é o nome do atual conde porque é costume ancestral de inúmeras famílias nobres batizarem os filhos com os nomes de antepassados que ilustraram a linhagem com seus feitos.

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Os antepassados nos quadros lembram a origem da família e apontam um caminho para ela.

A capela principal está consagrada a São Valério, e de ali viria o nome do castelo, Valério = Valer.

Os afrescos dos séculos XV e XVI em estilo medieval cobrem as paredes e fazem do local um dos pontos mais suntuosos do castelo.

Trata-se de verdadeiras obras de arte realizadas pelo célebre artista italiano Marcello Fogolino e dos pintores bergamascos Giovanni e Battista Baschenis.

O castelo também possui no meio de suas largas instalações, um claustro que remonta aos tempos do glorioso Concílio de Trento.

Essa imensa reunião dos bispos católicos do mundo fulminou os erros de Lutero e deu origem à grande Reforma católica do século XVI, também conhecida como Contra-Reforma.

Nela se destacaram santos do porte de Santo Inácio de Loiola, Santa Teresa de Jesus e São Pio Vão, para mencionar apenas alguns.

Mas Castel Valer não conheceu apenas dias fastos.

Atravessou guerras e tempestades da História.

Durante a II Guerra Mundial foi transformado em plataforma de defesa antiaérea usada pelos exércitos italianos e alemães se tornando alvo seguro da aviação aliada.

Ele passou incólume esse momento histórico angustiante. Mas hoje vive outro drama: a família que o modelou – e de alguma maneira foi modelada por ele – vai embora.

É como uma alma que deixa o corpo. A história dos castelos é pródiga em dramas como esse.

Quantas e quantas vezes a uma família se sucedeu a outra e reconduziu o castelo a um novo patamar de beleza e importância!

Aguardamos que esse seja o futuro deste esplêndido relicário de raízes cristãs do mundo católico europeu.

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