No momento, você está visualizando Ceuta expôs a maior fragilidade da Europa. Quem realmente cruza suas fronteiras?

Rafał Topolski  

A crise migratória em Ceuta revelou um problema muito mais grave do que centros superlotados ou acampamentos improvisados. Em dois dias, cerca de 72 mil pessoas cruzaram a fronteira. Quando o Estado perde o controle sobre um fluxo tão maciço, deixa de ser capaz de determinar com eficácia quem realmente se encontra em seu território e se, entre os que chegam, há pessoas que representam uma ameaça.

Os serviços de inteligência haviam alertado para a crise

Em 9 de setembro, a Reuters (agência de notícias britânica) revelou informações provenientes de documentos desclassificados dos serviços de inteligência espanhóis. Já em 29 de julho, o Centro Nacional de Inteligência (CNI) havia alertado as autoridades de Madri e o lado marroquino sobre os planos de uma travessia em massa da fronteira de Ceuta.

A mobilização também ocorria nas redes sociais, onde os grupos ligados aos preparativos somavam cerca de 180 mil seguidores. No dia seguinte, teve início o fluxo em massa. O governo espanhol afirma que não tinha condições de prever sua verdadeira dimensão, mas os documentos revelados demonstram que a ameaça em si já era conhecida.

Isso levanta uma questão sobre a eficácia do Estado. O problema, afinal, não é apenas quantas pessoas conseguiram entrar em Ceuta, mas também o fato de que milhares delas chegaram ao território espanhol antes que fosse possível identificá-las plenamente.

Primeiro, a fronteira foi rompida; depois, começou a identificação

No fim de agosto, o Ministério do Interior espanhol informou que havia ampliado os procedimentos de identificação dos migrantes que permaneciam em Ceuta. Foram tiradas fotografias e coletadas impressões digitais, e documentos e bancos de dados policiais foram verificados. A Espanha também solicitou apoio, entre outros, à Frontex (Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira) e à Europol.

Os procedimentos em si são necessários. O problema é que eles só foram implementados em grande escala depois da travessia em massa da fronteira. Se dezenas de milhares de pessoas entram em um país em pouco tempo, o Estado perde a capacidade de distinguir eficazmente um refugiado de um migrante econômico, uma pessoa honesta de um criminoso ou alguém inofensivo de quem possa representar uma ameaça à segurança.

Isso não significa que todo migrante em situação irregular seja um terrorista em potencial. Tal afirmação seria falsa. As próprias instituições europeias, contudo, reconhecem que as rotas migratórias podem ser utilizadas por indivíduos de alto risco. Por isso, o sistema de fronteiras prevê controles biométricos e consultas aos bancos de dados do SIS, da Europol, do Eurodac e da Interpol.

É justamente por isso que a migração irregular em massa também constitui um problema de segurança.

A ameaça jihadista continua sendo real

O relatório mais recente da Europol sobre o terrorismo na União Europeia mostra que a ameaça jihadista não desapareceu. Dos 45 atentados terroristas registrados na UE em 2025, 24 foram de natureza jihadista; das 486 prisões relacionadas ao terrorismo, nada menos que 347 estiveram ligadas justamente a essa vertente.

A Europol também chama a atenção para as mudanças na natureza da radicalização. Com frequência cada vez maior, não se trata de estruturas grandes e bem organizadas, mas de indivíduos ou pequenos grupos que se radicalizam pela internet.

Não há provas de que houvesse terroristas entre os migrantes que conseguiram entrar em Ceuta. Um Estado responsável, contudo, não pode basear sua segurança na suposição de que, em uma multidão descontrolada de muitos milhares de pessoas, certamente não haverá ninguém ligado ao extremismo. A função dos serviços competentes é ter condições de verificar cada recém-chegado antes de permitir que circule livremente.

A integração também é um problema

O debate migratório não deve se restringir ao controle das fronteiras. A Europa também enfrenta o problema da integração de pessoas oriundas de sociedades com normas culturais e religiosas diferentes. O islã político, a radicalização jihadista e os setores que procuram colocar suas próprias normas religiosas ou de costumes acima das leis e dos princípios vigentes nos países europeus continuam sendo desafios particularmente importantes. Por isso, a política migratória deve levar em conta não apenas o número de pessoas acolhidas, mas também a capacidade real do Estado de integrá-las.

A integração não pode significar apenas encontrar emprego e moradia. Significa também respeitar as leis, os costumes, as instituições e o patrimônio cultural do país de acolhimento. Caso contrário, aumenta o risco de surgirem sociedades paralelas, que funcionem ao lado da sociedade majoritária, em vez de dentro de uma ordem jurídica e cívica comum.

Do ponto de vista católico, não há contradição entre ajudar os necessitados e o direito do Estado de proteger suas próprias fronteiras. O Catecismo da Igreja Católica recorda que os Estados devem, na medida de suas possibilidades, acolher os estrangeiros que buscam segurança, mas que, ao mesmo tempo, as autoridades podem regulamentar a imigração em razão do bem comum (CIC 2241). O mesmo ponto indica que o imigrante tem o dever de respeitar o patrimônio material e espiritual do país que o acolhe, obedecer às suas leis e cumprir seus deveres cívicos.

Ceuta é um alerta para a Europa

Ceuta não prova que todo migrante seja criminoso, nem que houvesse terroristas entre as pessoas que cruzaram a fronteira. Mostra, contudo, com que rapidez um Estado pode perder a capacidade de controlar eficazmente seu próprio território quando a migração em massa supera a capacidade dos serviços de fronteira e da administração.

A Europa pode conceder asilo a pessoas realmente perseguidas e ajudar aqueles que necessitam. Não deve, porém, fazê-lo à custa da segurança de seus próprios cidadãos, do controle eficaz das fronteiras e do direito das sociedades de preservar sua identidade.

A migração em massa e descontrolada não gera apenas um problema econômico e humanitário. Também aumenta o risco de radicalização, dificulta a identificação de pessoas perigosas e agrava problemas de integração que já são visíveis em muitos países europeus.

Ceuta, portanto, não deve ser tratada como uma crise distante no extremo sul da Espanha, mas como um alerta para toda a Europa: sem o controle das fronteiras, não há política migratória eficaz, integração responsável nem segurança.


Fonte: Polska Katolicka — https://polskakatolicka.org/pl/artykuly/ceuta-pokazala-najwieksza-slabosc-europy-kto-naprawde-przekracza-jej-granice

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