Xi Jinping ‘o próximo imperador(The Economist, outubro 2017). Entre as nomenklaturas comunistas e o alto capitalismo há curiosas consonâncias

Encerrou-se em Pequim a teatralização quinquenal máxima do XIX Congresso do Partido Comunista Chinês. O telão do teatro já baixou.

Como de praxe, as políticas que regerão a China nos próximos anos e as verdadeiras decisões já haviam sido tomadas antes.

A peça, encenada por 2.300 figurantes ou “representantes do povo”, foi executada ao pé da letra. Um só erro poderia acarretar a execução do infeliz discordante do coro.

A mídia oficial e estrangeira encheu o Ocidente com especulações animadas por indiscrições e subtis vazamentos, habilmente passados pelo Partido Comunista.

E o mundo pode julgar-se informado do que aconteceu no cenário.

Mas não ficará por certo sabendo das elucubrações enigmáticas dos manipuladores dos figurinos que nele se movem.

Em qualquer caso, a peça foi encenada para passar palavras de ordem sobre o futuro andamento da China.

No XIX Congresso do PC chinês, Xi Jinping ingressou no Olimpo marxista dos semideuses.

Nos outdoors, estações de trem e paradas de ônibus, seu enigmático sorriso diz: “Agora Big Brother sou eu”. 

Nas lojas de souvenirs, pratos decorativos com sua imagem tornaram-se coqueluche. O turista deverá achar que o ditador é muito amado pelo povo.

A cúpula do regime foi atualizada de acordo com o organograma aprovado. E o culto à personalidade de Xi ficou no patamar do de Mao Tsé-Tung, o “pai fundador da pátria” que implantou o comunismo e esmagou o país com punho de ferro durante 27 anos.

Discutem-se quantas dezenas de milhões – ou centenas de milhões – ele matou em aras da utopia igualitária. Mas hoje Xi é tão divino quanto ele.

Quanto durará essa divinização? Depende de seu próximo sucessor, que é bom não fazer-se conhecer, caso queira ter vida longa.

Agora o ‘Big Brother’ segue se chamando Xi Jin ping. A foice e o martelo seguem sendo os mesmos!!!

Xi continuará sendo o ditador mas com poderes reforçados, como observou Francetv.info. 

Nas dez salas do Centro de Exposições de Pequim – prédio de estilo soviético coroado por una estrela vermelha e profusamente decorado com a foice e o martelo – ficou claro que a própria essência do comunismo continuará intocável sob o poder semidivino de Xi.

Tudo foi atribuído a ele: os trens contrafacionados de alta velocidade; o porta-aviões Liaoning, recuperado do ferro velho; o progresso econômico visando à hegemonia marxista chinesa universal; a erradicação da pobreza.

Consagrou-se a seu culto uma exposição com dezenas de fotos e vídeos para provar que ele é bem o rebotalho mais reles e igualitário do proletariado. E por isso é “divino”.

A amostra inclui fotos dele jovem sendo “reeducado” em Shaanxi durante a “Revolução Cultural” (1966-76); abraçando anciãos e crianças no estilo de Stalin, e, por que não, de Adolf Hitler. O figurino do ditador está completo.

As longas filas no ingresso garantem que a assistência à mostra servirá de argumento para galgar posições no partido e na burocracia estatal.

Uma jovem guia do jornalista do “ABC” de Madri nem soube dizer o que Xi diz ou pensa, e escusou-se dizendo que não tinha ouvido seu discurso na abertura do Congresso do Partido Comunista.

Mas reconheceu que terá de pelo menos decorar algumas frases para não ficar suspeita diante de seus colegas.

 

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