Conclamando…

Cruzada Pela Família

A praça jaz em seu letargo quotidiano. Rotina. Por vezes, certo vazio. Os carros passam indolentes, movimentando a cena. Comerciantes a agitam, à sua maneira. Qual praça? Qualquer uma, deste País grande como um continente. São simpáticas, parecidas, mas inteiramente diferentes.

Grandes vitrinas falam do mundo moderno e de negócios. Pode haver guardas mantendo a segurança. Uma senhora leva um carrinho com um bebê. As pessoas passam, apressadas, indiferentes ou absortas com seus problemas pessoais. Ramerrão.

De repente, algo rasga a rotina. É como se um gongo tocasse. Ouve-se retumbante som, e um grupo de jovens cheios de cores irrompe no ambiente, ao sopro de gaitas de fole e trompetes, e cheios de vitalidade. Uma bandeira nacional e os grandes estandartes do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira são imediata e agilmente hasteados. Ouvem-se orações e o hino nacional. As atenções se voltam para essa movimentação, cheia de vida.

A presença alegre dos rapazes tem algo de contagiante. Uns, vão abordando o público com amabilidade; outros, bradam slogans, com seus megafones característicos.

Os bandeiras oscilam nobremente, tocadas pelo vento, e o letargo quotidiano que dominava a praça está quebrado, dando lugar a uma intensa movimentação, dos corpos e das mentes. Estabelece-se uma divisão entre os passantes: uns pró, outros contra, outros num estado de “indiferença militante” (que contradição!).

Era o contrário das caóticas e violentas manifestações que se têm realizado seguidamente no País. A pessoa dos caravanistas, tão diferentes, combinavam perfeitamente entre si e com os estandartes e as músicas.

Toda essa harmonia ia de par com grande firmeza. Eles combatiam energicamente contra o aborto e o casamento homossexual. Difundiam o best-seller de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, intitulado  Psicose Ambientalista. E duas obras do Padre David Francesquini, Catecismo Contra o Aborto; e Homem e Mulher Deus os Criou. Ao mesmo tempo, distribuíam um folheto muito atraente, intitulado: Conclamação à Juventude : defender publicamente os Dez Mandamentos da Lei de Deus.

Por vezes, grupos de agitadores cristianófobos[1], punham-se a gritar slogans contra o que chamam de “homofobia”, a favor do aborto ou contra o

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. A resposta vinha pronta e altaneira: Quem provoca, reconhece que não tem argumentos, o homossexualismo vai contra os Mandamentos!

Percebia-se que os jovens lutavam com entusiasmo, por puro idealismo, em plenas férias escolares, sob a chuva e sol, dormindo no chão em colégios e ginásios.

Assim se passam várias horas, ao cabo das quais se ouvem as orações finais. Os rapazes se encaminham para seus veículos, com seus símbolos e demais objetos. Eles partem. Alguns dizem entre dentes: ainda bem! Mas muitos pensam: obrigado pelos esclarecimentos, e voltem logo!

A simpática praça volta a jazer em seu letargo quotidiano, e retorna à rotina. Nota-se certo vazio, e ao mesmo tempo certo eco da caravana vai-se apagando lentamente. Mas, se uma praça pode ter História, aquele foi para esta um dia histórico.

Como dizia Plinio Corrêa de Oliveira: a audácia é um sinal precursor da vitória. E fazer isto no nosso século é audácia pura!

 


[1] Cristianófobos: que odeiam o Cristianismo, como por exemplo  os  abortistas, comunistas, anarquistas, defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.