Corrupção generalizada, instrumento da opressão maoista

    O miliardário Liu Han associado aos círculos do poder foi a vítima escolhida para distrair as atenções.
    O miliardário Liu Han associado aos círculos do poder
    foi a vítima escolhida para distrair as atenções.

    No mês de fevereiro de 2015 o governo socialista de Pequim ordenou a execução de cinco empresários que haviam formado grandes fortunas, informou o site FranceTVinfo.

    Entre eles, o miliardário da indústria mineira Liu Han, seu irmão e três sócios.

    É impossível formar uma grande fortuna sob um regime socialista nivelador sem ter importantes cumplicidades com o seu sistema hegemônico.

    As desigualdades econômicas são incompatíveis com o socialismo e essa foi a causa invocada pelos ideólogos marxistas para produzir a maior chacina da História.

    Porém, necessidades concretas impostas pelo progresso mundial do comunismo exigem por vezes uma tolerância do regime para com capitais privados.

    Liu Han e seus cúmplices ouvem a sentença
    Liu Han e seus cúmplices ouvem a sentença.

    No presente momento, a China precisa deles para alcançar sua almejada hegemonia na economia mundial, que progride a olhos vistos.

    Mas o regime também tem necessidade de deixar claro que, se tolera essas desigualdades, é de modo transitório, pois a metafísica igualitária comunista continua sendo o objetivo final do sistema.

    Por isso ele precisa fazer execuções de caráter didático, como as desses novos ricos, escolhidos de acordo com critérios mais ou menos arbitrários e mais ou menos de cumplicidade.

    Os cinco condenados foram acusados de integrar uma gangue mafiosa e de ordenar diversos assassinatos. Nisto eles em nada se diferenciavam da maior e mais assassina gangue mafiosa existente no país: o Partido Comunista Chinês.

    Mas a lição igualitária precisava ser dada para toda a China.

    Nos últimos meses também foram presos 68 altos dirigentes do Partido Comunista, entre os quais o prefeito de Nanquim, 15 generais e 72.000 funcionários de baixo escalão.

    Essas prisões talvez estejam ligadas às lutas partidárias internas que precederam a ascensão do novo dono comunista da China, o presidente Xi Jinping, que passou a expurgar o PC de seus concorrentes ao cargo supremo.

    Cena de arquivo de uma execução pública na China comunista.
    Cena de arquivo de uma execução pública na China comunista.

    Xi disse que expurgaria “tigres” e “moscas”, entendendo por “tigres” altos funcionários acusados demagogicamente por ele de terem se enriquecido à custa do povo.

    As “moscas” seriam os pequenos chefes locais que extorquem propinas do povo por qualquer serviço: um emprego, uma cama no hospital ou escola para o filho.

    Essas “moscas” vão sendo substituídas por pessoas de confiança do novo ditador máximo e tudo continua como dantes no quartel de Mao Tsé-Tung.

    O presidente anuncia que o povo está fazendo sua revanche e que a campanha anticorrupção vai melhor do que nunca. Ai de quem achar o contrário!

    Como em todo governo socialista, a corrupção na China é generalizada e instrumento poderoso para manter sob controle todos os funcionários que sujam suas mãos, querendo ou não.

    Considerando-se as dimensões do país, a estrutura da corrupção montada pelo regime envolve “volumes de dinheiro cada vez mais colossais e métodos cada mais crapulosos”, segundo Zu Daizheng, ex-ministro e membro do Partido Comunista desde 1937.

    Zu já viu muitos outros expurgos e a manutenção do mesmo sistema corrupto para sujeitar o país aos ditadores de turno de Pequim.