Na Igreja Católica — tal como era nos bons tempos anteriores ao modernismo —, quando um bispo entrava em agonia, a primeira preocupação da Igreja era enviar imediatamente um sacerdote para que o ouvisse em confissão e o absolvesse de seus pecados. Se ele viesse a morrer, começava-se a rezar por sua alma, a fim de libertá-lo do Purgatório.
Se fosse um bispo santo, os fiéis procuravam obter alguma relíquia sua e rezavam por ele.
Esse é o equilíbrio da Igreja Católica, inspirada pelo Espírito Santo. Há um espírito de verdade nesse admirável equilíbrio, pelo qual ela exalta as virtudes de seus membros com admiração, seriedade e imensa confiança, mas conservando, ao mesmo tempo, a noção de que os homens podem ser pecadores e miseráveis. Por isso, é preciso rezar por eles.
Mandavam-se celebrar missas nas igrejas, e o povo era convocado a rezar pela alma do bispo. Tudo era feito com equilíbrio, como se alguém dissesse: «Rezemos por esse miserável que foi tão admirável, pois é possível que esse bom bispo esteja expiando no Purgatório as faltas que cometeu.»
Tais eram os costumes da Igreja, que punham em evidência, ao mesmo tempo, os aspectos admiráveis e os lados miseráveis da natureza humana. Esse equilíbrio nos proporciona uma extraordinária paz de alma e faz bem até para os nossos nervos. Em paz, a Igreja age sem ocultar coisa alguma.
Nessa maneira de agir estão presentes a sabedoria da Igreja e a virtude da justiça impregnada de bondade. É uma síntese das virtudes. Tudo, na Igreja, é razoável; não se trata apenas de uma atitude emocional, mas, em todas as coisas, existe uma sólida razão de ser.
Fonte: TFP France — https://tfp-france.org/dans-les-coutumes-de-leglise-les-reflets-de-sa-saintete




