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O recente discurso do Secretário de Estado, Marco Rubio, durante a Conferência de Segurança de Munique (14 fevereiro), provocou surpresa em muitos e está tendo justa repercussão em todo o Ocidente.

Com efeito, Marco Rubio levantou questões fundamentais para a aliança ocidental, rememorou nossas raízes essencialmente cristãs, apontou falhas gravíssimas no modo como as Nações ocidentais têm se portado face ao perigo russo e chinês.

Claro, ele não teve essa linguagem direta de enfrentamento ao comunismo chinês nem às pretensões ditatoriais de Putin. Mas, ele denuncia o entreguismo do Ocidente, as capitulações, o financiamento e construção do moloch chinês, a dependência do gás russo … tudo isso é muito útil para nossas reflexões de católicos, livres, anticomunistas. Aqui está uma atualização do embate entre Revolução e Contrarrevolução, século XXI.

O discurso do Secretário de Estado levantou questões de grande envergadura para o Ocidente. Como foi possível acumularmos tantas falhas? Nada menos de 6 décadas foram analisadas. Houve alguém, algum movimento que ao longo dessas décadas fez advertências, acendeu o alarme, apontou o perigo que Marco Rubio constata e descreve com bastante lucidez e clareza?

É do que passaremos a tratar.

Fazendo justiça, recordando a História

O que a mídia alinhada à Revolução jamais fará (a propósito do discurso de Marco Rubio) é refrescar a memória de nós ocidentais (americanos, europeus) para análises políticas, alertas, denúncias verdadeiramente proféticas que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira nos legou através do Legionário, do mensário Catolicismo, da coluna Tendências e Debates (Folha de São Paulo) e jornais do Exterior.

Um exemplo catastrófico: Roosevelt face à Stalin

O discurso do Secretário de Estado foi objetivo. Compreende-se que ele não quisesse entrar na culpa (em especial) dos EUA, desde as concessões de Roosevelt a Stalin, passando pela Détente de Nixon (e Kissinger) com a Rússia soviética, e, por fim, abrindo a industrialização, os capitais, a tecnologia de ponta ao comunismo chinês. Que era a China antes da abertura iniciada por Nixon em 1971?

Em janeiro de 1951 (1), o Prof. Plinio publicou no mensário Catolicismo, o artigo “Erros de Roosevelt na 2ª. Guerra Mundial”. Erros fatais, concessões absurdas a Stalin. E, com a adesão voluntária ou forçada, de Churchill.

Essas análises, é claro, são contemporâneas dos fatos; elas se deram em cima dos fatos. E elas foram confirmadas pela História, através dos fatos. E o discurso contundente do Secretário de Estado sacode inércias, abre os olhos e confirma tantas e tantas análises políticas feitas pelo Dr. Plinio através da imprensa.

Nosso artigo não é um comentário a respeito de todos os pontos do discurso; nem é uma peça de louvor a todas as perspectivas abertas pelo Secretário de Estado. Por exemplo, a era de liberdade aberta pela Revolução Francesa, que foi amplamente absorvida pelos construtores dos EUA e de tantas Nações do Ocidente, sempre foi apresentada pelo Dr. Plinio como sendo o triunfo da 2a Revolução. (2)

Derrotado o nazismo, derrotemos também o comunismo

Dr. Plinio sempre sustentou, nas páginas do semanário Legionário, do qual era Diretor, a urgente necessidade de esmagar o comunismo:

"Derrotado o nazismo, a alternativa se rompeu. O mundo deve voltar-se ativamente contra o comunismo, e, assim, destruir o outro inimigo capital que lhe resta, o "inimigo nº 2". [o nazismo era nº1)

“É uma verdadeira felicidade que a destruição do nazismo permita a todas as forças católicas do mundo a realização de um “putsch” espiritual contra os sectários de Marx.

Escrevia no Legionário a 13 de maio de 1945:

"Nossa Senhora, que 'esmagou todas as heresias no mundo inteiro', quis que no mês de Maria se quebrasse uma das pontas: morreu o nazismo. Devemos agora pedir-Lhe que quebre a outra ponta, e esmague o comunismo".(13-05-1945 in Legionário, Regina Pacis)

Enquanto as tropas soviéticas avançavam em direção a Berlim (1945), escrevia o Prof. Corrêa de Oliveira:

“Derrubado o odioso flagelo nazi, o objetivo consiste em extinguir o comunismo, e a esse objetivo deve-se sacrificar tudo, mas absolutamente tudo o que lógica e licitamente se possa sacrificar”.(Legionário 4 de fevereiro de 1945).

Marco Rúbio discursou: “Na época daquela 1ª reunião [1963], o comunismo soviético estava em marcha. Milhares de anos de civilização ocidental estavam em jogo. Naquele momento, a vitória estava longe de ser certa. Mas fomos movidos por um propósito comum. Estávamos unidos não apenas por aquilo contra o que lutávamos; estávamos unidos por aquilo pelo que lutávamos.”

Tem razão o Secretário de Estado: "o comunismo soviético estava em marcha"; mas, a grande realidade foi bem mais trágica: a cumplicidade das potências livres, sobretudo dos EUA sob o comando de Roosevelt, no Tratado de Yalta, fazendo enormes concessões ao comunista Stalin.

A Conferência de Yalta: um desastre que foi previsto

Vejamos o contraste entre o otimismo de Roosevelt — e até de Churchill — face a Stalin e, de outro lado, as graves advertências do Dr. Plinio.

“Quando se deu início à conferência de Yalta (1945), a derrocada alemã se fazia sentir em todas as frentes. Os russos ocupavam a România, a Bulgária e a Hungria e os seus exércitos estavam na fronteira austríaca. Era lógico, pois, que os debates versassem sobre a «partilha do mundo»”.

"O primeiro caso estudado foi o da Polônia. Churchill acabara por aceitar a sugestão de Roosevelt de que as fronteiras orientais desse país fossem fixadas pela linha Curzon —o que representava a anexação à Rússia Soviética de toda a Polônia Oriental [mapa ao lado] — ficando por regular possíveis retificações parciais. Mas quando Stalin pediu o avanço da Polônia para o Oeste, até o Oder e o Neisse, Churchill levantou o seu protesto, dizendo que seria loucura «fartar o novo Estado com tanta comida alemã: ele estouraria de indigestão!» (https://www.pliniocorreadeoliveira.info/erros-de-roosevelt-na-segunda-guerra-mundial)

O OTIMISMO APÓS QUEDA DO MURO DE BERLIM

Marco Rubio descreve com rara lucidez o otimismo ocidental após a Queda do Muro de Berlim:

"Mas a euforia deste triunfo (1989) levou-nos a uma ilusão perigosa: a de que havíamos entrado, entre aspas, no “fim da história”; que cada nação seria agora uma democracia liberal; que os laços formados apenas pelo comércio e pelos negócios substituiriam agora a nacionalidade; que a ordem global baseada em regras –um termo excessivamente usado– substituiria agora o interesse nacional; e que viveríamos agora em um mundo sem fronteiras, onde todos se tornariam cidadãos do mundo."

Dr. Plinio mostrava que a fase de “sorriso” do comunismo soviético nasceu bem antes de 1989. Nixon iniciou a política externa de “deténte”, degelo com o comunismo.

E, paralelamente havia a détente Vaticano-comunismo, conduzida por Mons. Casaroli, no pontificado de Paulo VI e festejada pela mídia de esquerda: a Ostpolitik do Vaticano com os governos comunistas.

* * *

Em fevereiro de 1990, diante da espetacular derrubada do muro de Berlim e da cortina de ferro, e dos abalos políticos que se sucediam nos diversos países do bloco comunista, redigi o manifesto intitulado Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio , em que analiso o Descontentamento (assim grafado com inicial maiúscula) que lavrava naquelas nações e que logo depois teria como resultado o esfacelamento do império soviético. O manifesto foi publicado pelas diversas TFPs”  [Publicado na “Folha de S. Paulo” (14-2-1990), “Wall Street Journal” (27-2-1990), “Corriere della Sera” (7-3-1990), num total de 50 jornais e/ou revistas do Ocidente.].

Foi exatamente o que se passou, no Ocidente, festejado por toda midia alinhada à Revolução: um spray de otimismo varreu a Terra. Apontando esse erro, publica Dr. Plinio: "Morto o comunismo? E o anticomunismo também?" (Catolicismo outubro de 1989).Interface gráfica do usuário, Aplicativo

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O discurso do Secretário de Estado, Marco Rubio, levantou tantos pontos que pareciam até então encobertos pela midia oficial: otimismo incurável do Ocidente face ao comunismo; dependência europeia do gás russo; enriquecimento da China comunista com investimentos massivos e tecnologia de ponta -- e presentemente uma dependência suicida em relação às manufaturas chinesas.

Não é nosso propósito — já o dissemos no início do artigo — analisar, recomendar ou sugerir pontos específicos da política norte-americana face à Europa levantados pelo Secretário de Estado. Não somos estrategistas, não somos políticos, não somos diplomatas. Menos nos cabe julgar intenções.

É evidente que um fortalecimento entre o Novo e o Velho Mundo, sobretudo se alicerçado nas raízes cristãs de nossos antepassados, só pode ser louvado. Ele é bem o contrário da política isolacionista que poderia ser uma tentação fortíssima para os EUA.

Conclusão

Ao terminar esse artigo, vemos com quanta razão, o título de O Cruzado do Século XX, se aplica ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (3).

O discurso do Secretario de Estado, além de soar como convite a uma união de princípios morais e civilizacionais entre no Novo e o Velho Mundo nos permitiu mostrar que o pensamento e a obra do fundador da TFP permanecem como faróis nessa cruzada do século XXI.

Os erros das nações europeias em nada podem ser usados como pretexto para uma aproximação do Ocidente com a Federação Russa de Putin. Jamais, acentuamos, para uma aproximação com a ditadura de Xi Jinping. Nossa cruzada em comum é bem outra. Nem Agenda 2030, nem Putin, nem Xi Jinping. 

Nossa Senhora de Guadalupe una as Américas em torno dos princípios imortais da Santa Igreja, da Lei Natural e fortaleça nossos laços com a Europa — que tanto e tanto precisa se penitenciar por ter adotado a Agenda 2030; que seja um convite ao Filho Pródigo para voltar à Casa Paterna.

Aliás, nesse contexto histórico, quem ousaria afirmar que não precisa se penitenciar e voltar à Casa Paterna? Disse-o com toda ênfase Nossa Senhora de Fátima, 1917; pediu penitência, conversão, apontando que a Rússia seria o flagelo do mundo.

E, acrescentou: Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará!

(1) https://www.pliniocorreadeoliveira.info/erros-de-roosevelt-na-segunda-guerra-mundial/#gsc.tab=0

(2) Free download (https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR_0103_05abcd.htm).

(3) (1) https://www.pliniocorreadeoliveira.info/o-cruzado-do-seculo-xx-plinio-correa-de-oliveira-roberto-de-mattei-editora-civilizacao-porto-1997