Dom Athanasius Schneider exerce admirável apostolado para incrementar o devido respeito ao Santíssimo Sacramento em nossa época neopagã, ao mesmo tempo que denuncia vigorosamente desvios do progressismo católico

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Athanasius-Schneider-1S. Exa. Revma. Dom Athanasius Schneider [foto] é Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria, em Astana, capital do Cazaquistão. Nasceu em 1961 no Quirguistão (Ásia Central), para onde seus pais, que eram alemães, haviam sido deportados e condenados a trabalhos forçados durante os anos 50, período em que aquela nação se encontrava subjugada pela URSS. É membro da Ordem religiosa dos Cônegos Regulares da Santa Cruz, na qual professou em 1982. Foi ordenado sacerdote a 25 de março de 1990. Após permanecer vários anos em Lisboa, exerceu sua atividade pastoral em algumas paróquias do Brasil, tendo sido também diretor espiritual da comunidade de sua Ordem em nosso País. Posteriormente doutorou-se em teologia na área dos estudos patrísticos no Augustinianum de Roma. Foi eleito conselheiro geral da Ordem da Santa Cruz, cargo que ocupou aproximadamente por dez anos. Exerceu ainda o cargo de diretor espiritual e de estudos do seminário do Cazaquistão (o primeiro seminário católico daquele país), de pároco em vários locais da mesma nação, de chanceler da diocese e de diretor de uma revista católica mensal. Recebeu a sagração episcopal em 2 de junho de 2006, sendo nomeado bispo auxiliar da diocese de Karaganda, e transferido em 2011 para auxiliar da capital, Astana. Ademais, tem atuado como conferencista e pregador de retiros em vários países.

Esta entrevista foi concedida originalmente a Sarah Atkinson, jornalista independente e editora da revista Mass of Ages, órgão oficial da Latin Mass Society da Inglaterra e País de Gales. Excertos dela, traduzidos pelo nosso colaborador Hélio Dias Viana, são publicados agora em Catolicismo com a expressa autorização de Dom Athanasius Schneider.

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Catolicimo — Algumas considerações para introduzir o leitor no tema, isto é, o gravíssimo problema da Sagrada Comunhão distribuída na mão e não do modo tradicional, na boca dos fiéis.

Dom Athanasius Schneider — Quanto à minha experiência e ao meu conhecimento, a maior ferida na atual crise da Igreja é a chaga referente à Eucaristia, os abusos do Santíssimo Sacramento. Muitas pessoas recebem a Sagrada Comunhão em estado objetivo de pecado mortal… Isso está se difundindo na Igreja, especialmente no mundo ocidental, onde as pessoas raramente se aproximam da Sagrada Comunhão com uma preparação suficiente. Algumas pessoas que se aproximam da Sagrada Comunhão vivem em situação de moralidade irregular, que não corresponde ao Evangelho. Casais, sem serem casados, aproximam-se da Sagrada Comunhão. Pode dar-se o caso de serem divorciados e viverem em um novo casamento, um casamento civil, e ainda assim se aproximam da Sagrada Comunhão. Eu acho que esta é uma situação muito, muito grave.

Há também a questão da recepção objetivamente desrespeitosa da Sagrada Comunhão. A chamada maneira nova, moderna, de receber diretamente a Comunhão na mão é muito grave, porque expõe a Cristo de ser tratado de um modo muito trivial.

Há o fato doloroso da perda de fragmentos eucarísticos. Ninguém pode negá-lo. E os fragmentos da Hóstia consagrada são esmagados pelos pés. Isso é horrível! Nosso Senhor, em nossas igrejas, é pisoteado! Ninguém pode negá-lo. Isto acontece em grande escala e deve ser considerado, para uma pessoa que tem fé e ama a Deus, um fenômeno muito grave. Não podemos continuar como se Jesus não existisse como Deus, como se existisse só o pão. Esta prática moderna da Comunhão na mão nada tem a ver com a prática da Igreja antiga. A prática moderna de receber a Comunhão na mão contribui gradualmente para a perda da fé católica na presença real e na transubstanciação.

Um padre e um bispo não podem dizer que tal prática está bem. Aqui está em risco o que há de mais sagrado, de mais divino e concreto na Terra.

Receber diretamente a Comunhão na mão é muito grave, porque expõe a Cristo de ser tratado de um modo muito trivial. Há o fato doloroso da perda de fragmentos eucarísticos. (…) E os fragmentos da Hóstia consagrada são esmagados pelos pés. Isso é horrível! Nosso Senhor, em nossas igrejas, é pisoteado! (…) A prática moderna de receber a Comunhão na mão contribui gradualmente para a perda da fé católica na presença real e na transubstanciação.
Dom Athanasius Schneider

Catolicimo — V. Exa. está levando adiante esta posição sozinho?

Dom Athanasius Schneider — Estou muito triste por sentir-me como alguém que clama no deserto. A crise eucarística, devida ao uso moderno da Comunhão na mão, é muito evidente. Não é um exagero. É o momento de os bispos fazerem ouvir suas vozes em defesa de Jesus na Eucaristia, que não tem voz para se defender. Isto é um ataque contra o que há de mais santo, um ataque à fé eucarística.

Certamente há pessoas que recebem a Sagrada Comunhão na mão com muita devoção e fé, mas elas são uma minoria. A massa das pessoas está perdendo a fé por causa dessa maneira trivial de receber a Sagrada Comunhão como um alimento comum, como uma batata ou um pedaço de bolo. Tal maneira de receber o que há de mais santo que existe na Terra não é sagrada e, com o tempo, destrói a consciência profunda e a fé católica na presença real e na transubstanciação.

Catolicimo — A Igreja está indo na direção oposta à posição de V. Exa.?

Dom Athanasius Schneider — Parece que a maioria do clero e dos bispos está satisfeita com este uso moderno da Comunhão na mão e não percebe os verdadeiros perigos conexos a tal prática. Para mim, é incrível. Como é isso possível, quando Jesus está presente nos pequenos fragmentos da Sagrada Hóstia? Um padre e um bispo deveriam dizer: “Devo fazer alguma coisa, pelo menos para reduzir gradualmente tudo isto. Devo fazer tudo o que posso”. Infelizmente, há membros do clero que fazem propaganda do uso moderno da Comunhão na mão, e por vezes proíbem recebê-la na boca e de joelhos. Há até padres que discriminam aqueles que se ajoelham para receber a Sagrada Comunhão. Isto é muito, muito triste.

Há também um incremento de roubo de Hóstias, devido à distribuição direta da Comunhão na mão. Há uma rede, um comércio de roubo das Sagradas Hóstias, e isso é facilitado pela Comunhão na mão.

Por que deverei eu, como sacerdote e bispo, expor Nosso Senhor a tal perigo, a tal risco? Se esses bispos ou padres [que aprovam a Comunhão na mão] têm algo de valor, nunca O exporão ao perigo de ser perdido ou roubado. Protegem as suas casas, mas não protegem Jesus, e permitem que Ele seja roubado tão facilmente.

Sínodo extraordinário sobre a família (2014) “Aqueles membros do clero que querem admitir os divorciados e os recasados na Santa Comunhão agem segundo um falso conceito de misericórdia”
Sínodo extraordinário sobre a família (2014)
“Aqueles membros do clero que querem admitir os divorciados e os recasados na Santa Comunhão agem segundo um falso conceito de misericórdia”

Catolicimo — De acordo com o questionário sobre o tema da família, as pessoas esperam grandes mudanças…

Dom Athanasius Schneider — Sobre esse tema há muita propaganda, levada a cabo pelos meios de comunicação de massa. Devemos estar muito atentos. Existem os meios de comunicação oficialmente anticristãos em todo o mundo. Em quase todos os países eles transmitem o mesmo conteúdo de notícias, talvez com exceção dos países da África, da Ásia ou da Europa do Leste. Só na Internet se podem difundir livremente as próprias ideias.

A ideia de que se farão alterações no casamento e na lei moral no próximo Sínodo dos Bispos em Roma é principalmente da mídia anticristã. E alguns membros do clero e católicos cooperam com ela para difundir as expectativas do mundo anticristão no sentido de uma mudança na Lei de Deus relativa ao casamento e à sexualidade.

É um ataque do mundo anticristão, e é muito trágico e triste que alguns membros do clero colaborem com ele. Para apoiar uma mudança na Lei de Deus, eles usam o conceito de misericórdia sofisticamente. Mas na realidade isso não é misericórdia, é crueldade.

Não é misericórdia, por exemplo, se alguém está doente e você o deixa em tão penosa condição. Isso é crueldade. Eu não daria, por exemplo, açúcar a um diabético, para mim seria cruel. Tentaria demovê-lo dessa situação e dar-lhe um outro alimento. Talvez ele não goste no início, mas vai ser a melhor coisa para ele.

Aqueles do clero que querem admitir os divorciados e os recasados na Santa Comunhão agem segundo um falso conceito de misericórdia. É como um médico que dá ao paciente o açúcar, embora saiba que isso vai matá-lo. Mas a alma é mais importante do que o corpo.

Se os bispos ​​admitirem os divorciados e os recasados à Sagrada Comunhão, depois os confirmarão em seus erros diante dos olhos de Deus. Silenciarão até mesmo a voz de suas consciências. Empurrá-los-ão mais profundamente na sua situação irregular só pelo bem desta vida temporal, esquecendo-se de que depois desta vida há o julgamento de Deus.

Esta questão será discutida no Sínodo. Ela está na agenda. Mas espero que a maioria dos bispos ainda tenha suficiente espírito e fé católica para rejeitar a proposta mencionada e não aceitá-la.

Catolicimo — Qual é a crise de que V. Exa. fala?

Dom Athanasius Schneider — Esta é uma crise de âmbito mais vasto do que a recepção do Santíssimo Sacramento em si. Julgo que esse problema de os recasados receberem a Sagrada Comunhão fará explodir e revelar a verdadeira crise na Igreja. A crise real da Igreja é o antropocentrismo, esquecendo-se o Cristocentrismo. Na verdade, este é o maior mal, quando o homem ou o clero se coloca no centro ao celebrar a liturgia e quando muda a verdade revelada por Deus, por exemplo no que respeita ao sexto mandamento e à sexualidade humana.

A crise se revela também no modo como o Senhor eucarístico é tratado. A Eucaristia é o coração da Igreja. Quando o coração é fraco, todo o corpo é fraco. Portanto, quando a prática relativa à Eucaristia é fraca, então o coração e a vida da Igreja são fracos. E quando as pessoas não têm mais uma visão sobrenatural de Deus na Eucaristia, elas começarão a adorar o homem, e depois também a doutrina mudará ao sabor do homem.

Esta crise é quando nós nos colocamos, inclusive os sacerdotes, no centro, e quando Deus é posto num canto; e isso acontece também fisicamente. Às vezes, o Santíssimo Sacramento é colocado em um local distante do centro, e a cadeira do sacerdote está no centro. Já estamos nessa situação há 40 ou 50 anos, existindo um real perigo de que Deus, os mandamentos e estatutos divinos sejam postos de lado, e o desejo humano natural no centro. Há uma conexão causal entre a crise eucarística e a doutrinária.

Nosso primeiro dever como seres humanos é adorar a Deus; não a nós, mas a Ele. Infelizmente, a prática litúrgica dos últimos 40 anos tem sido muito antropocêntrica.

Participar da liturgia é, em primeiro lugar, não seguir os atos, mas rezar e adorar, amar a Deus com toda a sua alma. Esta é a verdadeira participação, estar unido a Deus com a própria alma. A participação exterior não é essencial.

A crise é verdadeiramente esta: nós não colocamos Deus ou Cristo no centro. E Cristo é o Deus encarnado. Nosso problema hoje é que pomos de lado a encarnação. Nós a eclipsamos. Se Deus está em minha mente apenas como uma ideia, isto é gnose. Segundo outras religiões, como para os judeus, os muçulmanos, Deus não se encarnou. Para eles, Deus está no livro, mas Ele não é real. Apenas no cristianismo, e especialmente na Igreja Católica, a encarnação é plenamente realizada, e isso deve, portanto, ser enfatizado em todos os pontos da liturgia. Deus está aqui e verdadeiramente presente. Por isso, cada detalhe tem importância.

Vivemos em uma sociedade não cristã, em um novo paganismo. Hoje, a tentação para o clero é de adaptar-se ao novo mundo, ao novo paganismo, ser colaboracionista. Estamos em uma situação semelhante à dos primeiros séculos, quando a maioria da sociedade era pagã e o cristianismo era discriminado.

“Se os bispos admitirem os divorciados e os recasados na Sagrada Comunhão, depois os confirmarão em seus erros diante dos olhos de Deus”
“Se os bispos admitirem os divorciados e os recasados na Sagrada Comunhão, depois os confirmarão em seus erros diante dos olhos de Deus”

Catolicimo — V. Exa. julga que vê tudo isso devido à sua experiência na União Soviética?

Dom Athanasius Schneider — Sim, [sei o que significa] ser perseguido, para testemunhar que você é cristão. Somos uma minoria. Estamos cercados por um mundo pagão muito cruel. A tentação e o desafio de hoje podem ser comparados aos dos primeiros séculos. Os cristãos eram solicitados a aceitar o mundo pagão e a se mostrarem colocando um grão de incenso no fogo diante da estátua do imperador ou de um ídolo pagão. Mas isso era idolatria e nenhum bom cristão jogou qualquer grão de incenso. Preferiam dar suas próprias vidas, até mesmo as crianças, os leigos, que eram perseguidos ofereceram suas vidas. Infelizmente, nos primeiros séculos, houve membros do clero e até mesmo bispos que jogaram grãos de incenso em frente à estátua do imperador ou de um ídolo pagão, ou que entregaram os livros da Sagrada Escritura para serem queimados. Tais cristãos e clérigos colaboracionistas foram chamados naqueles dias de “thurificati” ou “traidores”.

Em nossos dias a perseguição é mais sofisticada. Aos católicos ou ao clero não se lhes pede para colocar incenso diante de um ídolo. Seria um gesto apenas físico/material. Agora, o mundo neopagão quer que substituamos as nossas ideias pelas ideias dele, como a dissolução do Sexto Mandamento de Deus, sob o pretexto de misericórdia. Se alguns membros do clero e os bispos começarem a colaborar hoje com o mundo neopagão pela dissolução do Sexto Mandamento e a revisão do modo como Deus criou o homem e a mulher, então eles são traidores da fé, estão participando definitivamente de um sacrifício pagão.

Catolicimo — É possível uma divisão futura na Igreja?

Dom Athanasius Schneider — Infelizmente, algumas décadas atrás, alguns membros do clero aceitaram essas ideias do mundo. E agora, porém, eles as estão seguindo publicamente. Se tais coisas continuarem, penso, haverá uma divisão interna na Igreja por parte daqueles que são fiéis à fé de seu batismo e à integridade da fé católica. Haverá uma divisão com aqueles que estão assumindo o espírito deste mundo, e resultará numa clara divisão, acho. Pode-se imaginar que os católicos que se mantêm fiéis à verdade imutável católica possam ser perseguidos ou discriminados durante certo tempo em nome de quem tem o poder nas estruturas externas da Igreja? Contudo, as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja e o Supremo Magistério certamente promulgará uma inequívoca sentença doutrinária que rejeite qualquer tipo de cooperação com as ideias neopagãs de mudança, por exemplo, do Sexto Mandamento de Deus, do significado da sexualidade e da família. Assim, alguns liberais e muitos colaboradores do espírito deste mundo, muitos “thurificati” e “traidores” modernos deixarão a Igreja. Porquanto a verdade divina trará sem dúvida esclarecimentos, livrando e separando no meio da Igreja os filhos da luz e os filhos da pseudo-luz desse mundo neopagão e anticristão. Posso supor que tal separação afetará todos os níveis dos católicos: os leigos, e até mesmo sem excluir o alto clero. Os membros do clero que aceitam hoje o espírito do mundo atual em matéria de moralidade e família se dizem católicos e fiéis ao Papa. Chamam até mesmo de extremistas aqueles que são fiéis à fé católica ou aos que promovem a glória de Cristo na liturgia.

Catolicimo — Tal situação piorará antes de melhorar?

Dom Athanasius Schneider — Eu tenho a impressão de que ficará pior. Às vezes é necessário que as coisas piorem e depois se verá o colapso deste sistema clerical antropocêntrico que está abusando do poder administrativo da Igreja, abusando da liturgia, abusando dos conceitos de Deus, abusando da fé e da devoção dos pequenos na Igreja.

Veremos então o surgimento de uma Igreja renovada. Isso já está se preparando. Em seguida, este edifício clerical liberal entrará em colapso, porque não tem raízes nem produz frutos.

Catolicimo — Algumas pessoas dizem que V. Exa. se preocupa com coisas sem importância. E em relação aos pobres?

Dom Athanasius Schneider — Isso é falso. O primeiro mandamento que Cristo nos deu foi de adorar somente a Deus. A liturgia não é uma reunião de amigos. Nosso primeiro dever é adorar e glorificar a Deus na liturgia e em nosso modo de viver. A partir de uma verdadeira adoração e amor de Deus se desenvolve o amor aos pobres e ao próximo. É uma consequência. Em dois mil anos de Igreja, os santos, todos os santos, portanto devotos e piedosos, eram extremamente misericordiosos para com os pobres dos quais cuidavam.

Nesses dois mandamentos estão contidos todos os demais. Mas o primeiro mandamento é amar e adorar a Deus, o que é realizado de modo supremo na sagrada liturgia. Quando se negligencia o primeiro mandamento, então não se está fazendo a vontade de Deus, mas a própria. A felicidade consiste em realizar a vontade de Deus, não a nossa.

Catolicimo — O nosso tempo é visto como o mais liberal da Igreja…

Dom Athanasius Schneider — Devemos rezar a Deus a fim de que guie Sua Igreja para sair dessa crise, e que dê à Sua Igreja apóstolos que sejam corajosos e santos. Precisamos de defensores da verdade e defensores de Jesus na Eucaristia. Quando um bispo defende o rebanho e defende Jesus na Eucaristia, então esse bispo está defendendo os pequenos na Igreja, não os poderosos.

“Se os bispos admitirem os divorciados e os recasados na Sagrada Comunhão, depois os confirmarão em seus erros diante dos olhos de Deus”
Dom Athanasius Schneider

Catolicimo — Então não importa a V. Exa. ser impopular?

Dom Athanasius Schneider — É muito insignificante ser popular ou impopular. Para todos os homens da Igreja, o primeiro interesse é ser popular aos olhos de Deus, e não aos olhos do mundo de hoje ou dos poderosos. Jesus fez uma advertência: Ai de vós quando todos os homens falarem bem de vós.

A popularidade é falsa. Jesus e os Apóstolos recusaram-na. Os grandes santos da Igreja, como São Tomás Moro e São João Fisher, recusaram a popularidade e são grandes heróis. E aqueles que hoje estão preocupados com a popularidade através dos meios de comunicação e da opinião pública, não serão lembrados na História. Serão lembrados como covardes, e não como heróis da fé.

Catolicimo — E sobre a Communicatio in Sacris com os anglicanos e os outros?

Dom Athanasius Schneider — Isso não é possível, são fés diferentes. A Sagrada Comunhão não é um meio para alcançar a unidade: é o último passo, e não o primeiro.

Isto seria uma profanação do que há de mais sagrado. Naturalmente devíamos ser um; mas temos ainda no credo algumas diferenças substanciais.

A Eucaristia é um sinal de profundíssima unidade. A Communicatio in Sacris com não-católicos seria uma mentira, seria contrário à lógica.

O ecumenismo é necessário para manter boas relações com os irmãos separados, para amá-los. Em meio ao desafio do novo paganismo, podemos e devemos colaborar com não-católicos sérios, para defender a verdade de Deus revelada e a Lei natural criada por Deus

Seria melhor não ter uma relação estruturada Estado-Igreja, quando o Estado controla a vida da Igreja, como por exemplo, na nomeação do clero ou dos bispos. Tal prática de uma Igreja de Estado prejudicaria a própria Igreja. Na Inglaterra, por exemplo, o Estado governa a Igreja da Inglaterra.

Esta influência do Estado pode corromper espiritual e teologicamente a Igreja: é melhor ser livre de uma Igreja de Estado assim estruturada.

Catolicimo — E sobre as mulheres na Igreja?

Dom Athanasius Schneider — As mulheres são chamadas de sexo frágil por serem fisicamente mais débeis; porém, elas são espiritualmente mais fortes e mais corajosas do que muitos homens. É preciso coragem para dar à luz a uma criança. É por isso que Deus deu à mulher uma coragem que o homem não tem.

É claro que houve muitos homens corajosos em tempos de perseguição. Ainda hoje Deus escolhe os fracos para confundir os fortes; por exemplo, as mulheres eucarísticas sobre as quais tratei em meu livro. É o Senhor trabalhando em suas famílias e querendo ajudar os sacerdotes perseguidos de um modo verdadeiramente excepcional.

Elas nunca teriam coragem de tocar as Hóstias sagradas com seus dedos. E se recusariam até mesmo a proclamar as leituras durante a Missa. Minha mãe, por exemplo, que tem 82 anos e vive na Alemanha, quando chegou pela primeira vez ao Ocidente, ficou chocada e horrorizada ao ver mulheres no presbitério durante a Santa Missa.

O verdadeiro poder da mulher cristã e católica é de ser o coração da família, a igreja doméstica; de ter o privilégio de ser a primeira a nutrir o corpo de seu filho, e também de ser a primeira a alimentar sua alma, ensinando-lhe as primeiras orações e as primeiras verdades da fé católica. A mais prestigiosa das profissões que uma mulher pode desempenhar é a de ser mãe, e especialmente uma mãe católica.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 766 (Outubro/2014)


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3 COMENTÁRIOS

  1. Uma entrevista edificante. Espero ansioso o desfecho dessa crise de fé. Criar filhos em meio a essa confusão doutrinário e litúrgica é angustiante. Mas vejo o Espírito Santo agindo nas crianças; elas intuem o que é certo com o auxílio da Graça Santificante do Batismo. Cumpre aos pais não escandalizá-los, estes pequeninos de Deus.

    No Brasil, especialmente, é preciso bradar que temos prioridade na educação de nossos filhos. O ordenamento jurídico brasileiro nos ajuda nisso; temos que fazer valer a Declaração Universal dos Direitos do Homem (da qual o Brasil é signatário), que assim diz em seu artigo 26, nº 3:

    «Os pais têm o direito prioritário de escolher a educação para os seus filhos».

  2. São palavras claras e inequívocas que o Bispo D Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese católica de Astana (Cazaquistão) denunciou, em entrevista, as posições de alguns prelados em matéria de acesso à comunhão para divorciados, chamados recasados (na verdade, o novo casamento não tem nenhum valor).
    Falando da “Relatio post disceptationem”, Dom Schneider vê “uma tarefa que mancha a honra da Sé Apostólica.” Ele denunciou o julgamento de intenções com relação àqueles que defendem a tradição constante de negar acesso a divorciados novamente casados à Sagrada Comunhão, acusados de serem “rígidos, escrupulosos ou tradicionalistas.” A este respeito, o Bispo Athanasius Schneider, cujo nome já tem um sabor patrístico, citou São Basílio, o Grande, que tinha encontrado durante a crise ariana: “um pecado hoje é severamente punido: a cuidadosa observância tradições de nossos pais; por essa razão, o direito está sendo descartado e posto no canto. (. Ep 243).
    Ainda, o bispo também denunciou as ambiguidades do relatório final: “Embora esta proposta não obteve o voto de dois terços necessária, ainda permanece o fato perturbador e sem precedentes da maioria absoluta dos bispos presentes votaram a favor da distribuição da Sagrada Comunhão para “divorciados novamente casados”; este é um triste reflexo da qualidade espiritual do episcopado católico contemporâneo.
    Ele lamenta que o ponto de admitir uma discussão sobre o acesso à comunhão aos divorciados novamente casados sob certas condições, foi mantido no texto final e o repassar disso às dioceses “certamente crescerá essa confusão doutrinária entre os sacerdotes e fiéis que os Mandamentos de Deus, os ensinamentos de Cristo e os do apóstolo Paulo, estando sujeitos a grupos de pressão arbitrárias.
    “É benéfico que os pastores estão protestando contra a intrusão de lobos. Afinal de contas, é a sua missão.
    Obrigado, Senhor!
    Do “Riposte Catholique”:
    “Ouverture de la communion aux divorcés dits remariés: Mgr Athanase SCHNEIDER monte au créneau”.

  3. Quem viveu as duas fases da história da Igreja, antes e depois do Concilio, como é o meu caso, sabe das diferenças das celebrações. Uma coisa que tenho observado atualmente é a distribuição das partículas pelos ministros da Eucaristia, enquanto o Padre fica sentado junto ao altar, Depois, quem faz a purificação das ambulas são os próprios ministros, O padre só se ergue ao dizer “Oremos”, para finalizar a Missa. Outra coisa é a equipe de musicos liturgicos. Barulho antes da Missa iniciar, atrapalhando a quem se encontra em clima de oração. e cantam qualquer coisa entre os espaços reservados ao silencio, como a Ação de Graças. E não há como, aparentemente, mudar isso. Nas Missas que eu participo, a Homilia é seguida por um fundo musical em som de violão.

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