O paraíso do Facebook…

O Facebook é um típico produto de nossa economia pós-moderna. Trata-se de uma daquelas empresas “de diversão”, que quebra todas as regras, rompe hierarquias tradicionais e deixa seus empregados exercitarem sua criatividade sem as restrições normalmente impostas. E isto parece funcionar fabulosamente.

Com a média de rendimentos salariais entre $74.000 dólares por ano, o Facebook pode escolher os melhores graduados nas universidades da nação. Os empregados desfrutam de muitos privilégios e prestígios. Todos literalmente fazem um lanche livre em cafeterias gourmet da empresa e não é de se admirar que o Facebook se encontra entre os melhores lugares do mundo para trabalhar.

Poderia parecer que o sucesso do Facebook invalida a alegação daqueles que criticam a empresa como um exemplo daquilo que eu chamo de “frenética intemperança” da economia moderna. O celebrado estilo livre do Facebook e o enorme rendimento da empresa dizem que a “intemperança frenética” paga bem as contas.

… e suas consequências

Mas, assim como as páginas pessoais que o Facebook hospeda, as aparências enganam.

Por detrás das imagens otimistas, há uma realidade problemática que muitas vezes não é vista: nem todos estão felizes em trabalhar no clima supostamente idílico da empresa.

No site de perguntas e respostas Quora, ex-empregados expressaram descontentamento com o Facebook. A discussão franca está especialmente focada no frenético andamento do trabalho e nas consequências psicológicas de trabalhar sob pressão. Um artigo no Daily Telegraph sobre esse assunto atraiu centenas de comentários ecoando uma surpreendente desilusão com o Facebook.

Empregadores podem ser submetidos de 12 a 14 horas de trabalho por dia sob condições de estresse.
Empregadores podem ser submetidos de 12 a 14 horas de trabalho por dia sob condições estressantes.

A diversão no ambiente de trabalho parece não ser tão divertida

Mas do que esses ex-empregados reclamam? Curiosamente, daquelas coisas “divertidas” que são anunciadas como o supra-sumo da moda no que se refere ao ambiente de trabalho pós-moderno: a falta de organização, foco e regulamentos.

Trabalhar para o Facebook pode ser cansativo uma vez que não há uma rotina de trabalho normal, como das 9 às 17 horas. Empregados podem ser submetidos de 12 a 14 horas de trabalho por dia sob condições estressantes.

Engenheiros reclamaram do assim chamado “24/7” [estar disponível 24 horas na semana] para manter o serviço e a administração. Os empregados são completamente absorvidos pelo rápido e intensivo ritmo de trabalho.

A falta de barreiras e a atmosfera em que tudo é livre supõe fomentar a criatividade, mas também são altamente estressantes para os trabalhadores que se queixam de uma enorme falta de privacidade na gigante da mídia social.

“Na maioria das empresas, você constrói um muro entre sua vida profissional e privada”, escreveu um ex-empregado. “Este muro não existe no Facebook, o que pode criar situações desconfortáveis para alguns.”

Ainda outra reclamação popular foi que tudo é indefinido e sem foco. Funcionários sentiram a falta de infraestrutura para fornecer orientação ou apoio. Há jogos de adivinhação constantes nos quais trabalhadores esperavam intuir o que está acontecendo em seus departamentos e o que se espera deles. O resultado é a “falta de profissionalismo” e “estabilidade” no qual as instruções não são claras e falta organização.

Estas e outras reclamações sublinham a importância dos relacionamentos humanos e a liderança no ambiente de trabalho. Não é de se admirar que, apesar de altos salários, privilégios e o prestígio de serem parte de uma empresa de grande porte, há aqueles que optam por não trabalhar em uma panela de pressão.

As pessoas não foram feitas para viver em uma atmosfera na qual o descuido, a ausência de restrição e a imediata gratificação dominam. Eles precisam de orientação, infraestrutura e liderança para os apoiar.

Resultado, a intemperança frenética tem seu imposto e este recai sobre a psique, causando exaustão e desilusão.

O Facebook precisa encarar o fato de que a vida não é uma página de Facebook constituído por posts superficiais, diversões e jogos. Até mesmo a gigante da mídia social deve aprender essa lição importante ou ela pode esperar para ver a si mesma cada vez mais “descurtida” e “sem amigos” por seus empregados desiludidos.

 

5 COMENTÁRIOS

  1. Uma das causas do problema do Facebook mencionado neste artigo é originado não propriamente dos seus parâmetros internos ou mesmo do seu projeto de finalidade do serviço. Mas do uso que se faz do mesmo por parte dos milhões de titulares dos perfis sociais ali criados.

    Por exemplo, no meu caso, criei o perfil com objetivo de divulgação das minhas iniciativas e meus empreendimentos culturais e profissionais. A saber, minhas atividades e potenciais de profissional de Administração, Consultoria e Publicações. No que, além do perfil social essencial a todos os interessados em participar daquela rede, tenho perfis públicos de Autor e Consultor, Editora, de minhas iniciativas no todo e do meu livro sobre a Bíblia. Do que meu perfil público de Autor e Consultor tem também uma versão internacional.

    Apresento claramente meus propósitos na descrição do meu social temos bem definido o que explica senão justifica minha presença naquela rede. O perfil do meu livro sobre a Bíblia tem registros de mais de 2.200 curtidas, incluídos os agora não mais publicados pelo site devido a sua política de somente manter aqueles de titulares de perfis ativos. E compartilho no site, devido às facilidades tecnológicas acessíveis a todos os usuários da Internet, informações e referências noticiosas relacionadas a alguns dos assuntos que culturalmente mais são associados ao meu perfil e às amizades ali virtualmente confirmadas: cristianismo, cultura, ecologia, meio ambiente e política, preponderantemente, segundo lembro agora.

    Disto tudo, retorno em resultados comerciais ou sociais concretos, inteligentemente proveitoso tanto a mim quanto aos usuários da rede e mesmo amigos virtuais muitos dos quais são dados em virtude do apreço projetado pelo conteúdo do meu perfil, praticamente nenhum tem sido dado. Dos curtidores do meu livro sobre a Bíblia, ao qual tenho associado um programa humanitário cobrindo auxílio doença e auxílio moradia, bolsas de estudo de ensino técnico e universitário, apoio institucional a estabelecimentos de ensino e hospitais, e ainda Missões de Evangelização em todas as suas necessidades consideradas, somente uma pessoa, dentre as que não conheceram meu livro presencialmente, expressou interesse em aquisição. Dos compartilhamentos de assuntos acima mencionados, o máximo que tenho colhido são curtidas e alguns comentários. E nada mais.

    O que temos no Facebook em comportamento dos usuários é determinante à definição de esforços e políticas de gestão do negócio aos seus gestores. Que, da mesma forma como eu, dependem da atitude do “mercado”, dos clientes do serviço, dos amigos virtuais. A grande maioria dos clientes do Facebook, em especial no Brasil, usa o serviço mais como desabafo ou como alternativa ilusória de projeção social numa telinha que não é a da TV. Gratuita e livre. Sem critérios inteligentes de utilização do tempo de forma a colherem resultados efetivamente promissores. É assim um grande meio de “lobby” pessoal.

    Com isso tudo, não há como termos os gestores do serviço não sujeitos ao estresse derivado. Em que vivenciam recebimento, e necessidades funcionais de respostas, de reclamações as mais diversas, milhões. Num contexto em que também cometem falhas administrativas que desgastam a reputação do serviço. Num processo vicioso interdependente para ofertante e demanda.

    Atualmente a única justificativa que tenho para ainda manter meus perfis ativos é o fato de que com ele posso compartilhar facil e gratuitamente conteúdo do qual tenho conhecimento valioso em espiritualidade ou religião, meio ambiente, política e demais assuntos que considero oportuno portanto divulgar. Inclusive os artigos publicados em blogs de minha autoria. A Imprensa brasileira não prestigia tudo o de bom que se faz. Ou o necessário aos interesses morais e cívicos, de forma isenta, não tendenciosa, não especulativa ou sensacionalista. O que reforça sobremaneira presenças como a minha em redes sociais.

     
  2. O artigo trata de uma chaga que atinge a sociedade moderna e chama a atenção para a solução do problema. Pena que muita gente não percebe o problema. E esta atitude é outro dos problemas gerados pela intemperança frenética, falta de foco no principal.

     
  3. Afinal o que esses empregados querem? Tem tudo, bom ambiente de trabalho, aliás como a própria reportagem reconhece: “um dos melhores lugares do mundo para se trabalhar”! Bons salários, e ainda não estão satisfeitos? Querem o que? Talvez só fiquem felizes com um emprego de “funcionário fantasma” do Senado Federal brasileiro!

     

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