“Instituições altamente aristocráticas”…

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O autor desta secção, se para isto dispusesse de tempo, teria prazer especial em estudar o conceito de “democracia” nos documentos de Pio XII. O vocábulo, freqüentemente infestado por todos os demônios da Revolução, toma nos documentos do Pontífice um sentido novo, original, e por assim dizer exorcizado, que merece ser aprofundado. Quem se consagrasse a tal estudo veria até que ponto diverge essa democracia do que se entende por tal em muitos de nossos círculos políticos.

Assim, terá causado muita surpresa a mais de uma pessoa a afirmação do augusto Pontífice, em alocução à nobreza Romana ( “Catolicismo”, nº 64, de abril de 1956 ), de que todos os povos, sem excetuar os democráticos, devem ter instituições eminentemente aristocráticas: “Daí a existência em todos os povos civilizados e o influxo de instituições eminentemente aristocráticas, no sentido mais alto da palavra, como são algumas academias de larga e bem merecida fama. Pertence a este número também a nobreza: sem pretender qualquer privilégio ou monopólio, ela é ou deveria ser uma daquelas instituições; instituição tradicional, fundada na continuidade de uma antiga educação”. Grande verdade que certas nações, embora tidas por paradigmas do democratismo, consciente ou subconscientemente reconhecem.

Nitidamente aristocráticos, o uniforme, o porte, a marcha destes cadetes. Seriedade, sobranceria, tradição, senso de autoridade, espírito guerreiro: elementos intrínsecos à noção de nobreza, que neles se espelha com agradável nitidez. O instantâneo feliz apanhou um momento em que o próprio vento parecia colaborar para a nota nobre do conjunto, movendo em imponentes ondulações as bandeiras que os cadetes levam com tanto brio.

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A sede desta escola militar exprime o mesmo espírito. As linhas harmoniosas da fachada têm o encanto e a distinção dos velhos edifícios ingleses. A pedra de que é ela formada, é material severo e forte. O corpo central, flanqueado por duas grandes torres com ameias, tem aspecto de fortaleza. A imensa janela do meio dá-lhe, entretanto, um indefinível “que” de igreja, isto é, uma doçura calma e acolhedora, a qual paira como uma grande promessa sobre a porta de entrada pequena e graciosa. À esquerda, outro edifício, também de pedra, em que um torreão reforça a nota militar do quadro. À direita, um prédio do mesmo estilo parece convidar para o estudo em ambiente recolhido e confortável. Um arvoredo antigo faz lembrar o dos castelos europeus. Uma certa nota vaga e discreta, de melancolia suave, repousante e luminosa – tão própria aos ambientes tradicionais – parece disseminada pelo ar. Um grande gramado situa o conjunto em respeitável isolamento. Quem deseja transpor estes umbrais deve andar longamente sem ter diante de si outra coisa senão este “décor”, como que lhe exigindo a atenção e as homenagens devidas…

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Onde esta escola, estes cadetes, este ambiente? Na monárquica e tradicional Inglaterra? Muitos de nossos leitores já terão respondido que não, reconhecendo os uniformes e o prédio da Academia de West Point, nos Estados Unidos.

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Há manifestações de que o amor à tradição, à distinção e à linha se acentua sempre mais em nossas forças armadas. Exemplo disso é nossa magnífica Academia das Agulhas Negras.

Parece-nos que os civis bem poderiam imitar neste ponto o esforço dos militares, fazendo regredir a onda de vulgaridade demagógica, de chulice eleitoreira que invadiu de modo especial nossos ambientes políticos, onde muitos elementos, para se mostrarem democráticos, julgam dever ostentar com ufania sua falta de maneiras, de compostura e de instrução.

 

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