Chegamos, por fim, à festa de Nossa Senhora Aparecida. Vejo, com pesar, que a Basílica não terá a programação tradicional com a participação física de peregrinos.

Diz a nota publicada no site da CNBB: “As diversas celebrações, que irão acontecer de forma restrita, contarão com pessoas que atuam em instituições diretamente ligadas à Arquidiocese de Aparecida e às obras sociais e de evangelização do Santuário Nacional, representando todos os devotos. Dessa forma, não será possível o livre acesso do público às basílicas durante as cerimônias.”

Ao mesmo tempo: “Posto Médico, Tenda dos Peregrinos, Lojas Oficiais, Casa do Pão, Estacionamento, Imprensa, Segurança Patrimonial, Centro de Apoio ao Romeiro, Morro do Cruzeiro, Caminho do Rosário, Porto Itaguaçu e demais áreas de acolhimento ao devoto funcionarão normalmente.”

Não entro aqui no mérito da medida de prevenção. Constato na notícia: não há uma só palavra no site da CNBB lamentando o fato dos peregrinos serem privados de uma presença física, massiva, devota, de um contato com a atmosfera abençoada da Padroeira do Brasil. Nem se lamenta a falta que fará, o brilho e ato de Fé de centenas de milhares que habitualmente lá vão rezar no dia 12.

A Devoção à Nossa Senhora na vida da Igreja

Comentava o Prof. Plinio, 1939, ano em que se lançava a ideia da nova Basílica: “É um fato ao mesmo tempo curioso e edificante na vida da Igreja que, sendo esta depositária das verdades teológicas as mais altas e complexas, a massa dos fiéis, servida, entretanto, por uma especial acuidade de visão, penetra e vive estas verdades ainda mesmo quando seu nível cultural pareceria vedar-lhe o acesso a qualquer atividade intelectual de ordem superior.”

“Em tudo que se relaciona com a devoção a Nossa Senhora, esta observação se comprova com toda a clareza. Em dois artigos anteriores (De Grignion de Monfort e Grignion de Monfort (II)), expus sucintamente a doutrina espiritual do Bem-aventurado Grignion de Montfort (canonizado por Pio XII) a respeito da verdadeira devoção a Nossa Senhora, e procurei mostrar aos leitores todo o vigor e toda a profundeza dos argumentos em que a Santa Igreja alicerça sua doutrina marial.” […]

Aparecida do Norte tem o dom de abrir os corações

“Fazendo estas reflexões, lembro-me invencivelmente de Aparecida do Norte, e das impressões profundas que tenho colhido sempre que ali vou rezar aos pés de Nossa Senhora.

“Onde, no Brasil inteiro, um lugar para o qual, com tanta e tão invencível constância, se voltam os olhos de todos os brasileiros? Qual a palavra que tem entre nós o dom de abrir mais facilmente os corações? Qual a evocação que mais ardentemente do que a Aparecida nos fala de toda a sensibilidade brasileira retificada em seu curso e nobilitada em seus fins sobrenaturais?

“Quem, ao ouvir falar em Nossa Senhora Aparecida, pode não se lembrar das súplicas abrasadoras de mães que rezam por seus filhos, doentes, de famílias que choram no desamparo e na miséria o bem-estar perdido e se voltam para o Trono da Rainha da clemência, de lares trincados pela infidelidade, de corações ulcerados pelo abandono e pela incompreensão de almas que vagueiam pelo reino do erro à procura do esplendor meridiano da Verdade, de espíritos transviados pelas veredas do vício, que procuram entre prantos o Caminho, de almas mortas para a vida da graça, e que querem encontrar nas trevas de seu desamparo as fontes de uma nova Vida?

“Onde se pode sentir de modo mais vivo o calor ardente das súplicas lancinantes, e a alegria magnífica das ações de graças triunfais? Onde, com mais precisão, se pode auscultar o coração brasileiro que chora, que sofre, que implora, que vence pela prece, que se rejubila e que agradece, do que na Aparecida? E sobretudo, onde é mais visível a ação de Deus na constante distribuição das graças, do que na vila feliz, que a Providência constituiu feudo da Rainha do Céu?”

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Novo Normal?

Se a pandemia nos privou desse contato com as bênçãos de Aparecida por que não lamentar o fato? E por que não usar das celebrações para implorar à Mãe de Deus o fim dessa pandemia?

Leitor, veja as intenções das celebrações durante a novena: em nenhuma delas aparece uma prece para que Nossa Senhora ponha fim à essa pandemia. Em nenhuma delas uma prece pelos que sofrem com a pandemia, ou pelos que morreram vítimas do vírus chinês.

A pandemia nos roubou tudo e nem sequer pedimos à Providência Divina o seu fim? Será que isso faz parte do Novo Normal? Conviver com a pandemia, usar máscara, distanciar-se do próximo vendo nesse uma possível fonte de contágio?

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O Brasil é Terra de Santa Cruz. Nossa missão histórica é ser fiel às nossas raízes católicas — nascemos sob o Signo do Cruzeiro do Sul e com a celebração da Santa Missa — difundir pelo mundo ibero americano os Valores Morais e ser exemplo para o Mundo inteiro.

Derrotamos as esquerdas nas Ruas e nas Urnas. Confiança na Providência Divina: com as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida “este ainda será um grande País!”

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