Novelas – O bobo é cavalo do demônio

TVExistem três modos de fazer aceitar um princípio revolucionário imoral. Simplifico para ser breve.

Um é através da lei. Trata-se de uma imposição legal que obriga a fazer o que é contrário à consciência e aos Mandamentos da Lei de Deus.

Outro é por meio da propaganda. É o marketing, quando usado para propagar o vício.

O terceiro modo é a ação subliminar exercida através do teatro, da novela etc.

Como os dois primeiros são muito conhecidos, passo a falar do terceiro, mais especificamente das novelas de televisão.

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Sob aparência de divertir, descansar do quotidiano, as novelas têm atuado como importante veículo de perversão social. Através delas, a moral católica vem sendo vilipendiada abertamente, mas como quem não quer, utilizando o recurso da ficção e não o da polêmica ou da argumentação racional.

É sem conta o papel das novelas no sentido de influenciar a introdução nos costumes do nudismo, das vestes imorais, do aborto, do “casamento” homossexual, de divórcios, da falta de respeito e de compostura no trato, da luta de classes, do igualitarismo mais abjeto.

Em entrevista ao blog da jornalista Maíra Kubík Mano, da revista “Carta Capital” (21-7-13), um autor de novelas da rede Globo, Ricardo Linhares, explica que os autores [de novelas] que são progressistas podem abordar movimentos e transformações que já estão embrionários na sociedade e ampliá-los, com a discussão na ficção”. Em outras palavras, as novelas ajudam a impulsionar “movimentos e transformações” que são do agrado dos “progressistas”. Por que não dos conservadores? Por que essa tendência (a)moral ou (i)moral única?

Um exemplo dado pelo mesmo entrevistado mostra bem do que se trata. Linhares conta que a personagem de uma de suas novelas defende claramente o aborto dizendo: “Eu acho um absurdo o aborto não poder ser feito às claras, em clínicas boas. A mulher é dona do próprio corpo, é a gente que decide se quer ter o filho ou não.”

Tal afirmação, porém, corresponde àquilo que o autor entende por “progressismo”, tanto mais que, perguntado pela entrevistadora a respeito de sua posição sobre o aborto, Linhares afirma taxativamente: Sou a favor do direito de escolha da mulher.” Ou seja, ele colocou na boca de sua personagem aquilo que ele mesmo defende… Como se vê, as novelas estão longe de ser ingênuas ou um mero divertimento!

E o público, como fica? Para ele, “hoje em dia, o público está acostumado a ver a realidade na TV”. A generalização pode parecer excessiva, mas é inegável que grande número de telespectadores se deixa irrefletidamente seduzir pelo que aparece na telinha. A consequência é que a pessoa adapta sua vida não aos princípios da moral e da boa ordem das coisas, mas sim ao que um autor de novelas quis que ele seguisse. É a tirania da novela.

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O jornalista Maurício Stycer publica na “Folha de S. Paulo” (28-7-13) um interessante artigo intitulado É só uma novela?”, no qual realça o fato de que as novelas influenciam a fundo os que as seguem.

“Acho curioso — diz Stycer — ver gente ignorar o lugar que a novela ocupa na vida do brasileiro. Para além da diversão (ou não) que oferecem, novelas influenciam, fazem pensar, confundem”.

Após dar vários exemplos da ação psicológica exercida pelas novelas, ele mostra como essa influência é consciente e desejada pelos autores: “Nenhum autor de novela ignora o poder que tem em mãos.” Daí a pergunta contida no título de seu artigo: “É só uma novela?”.

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Cuidado, pois, leitor, as novelas frequentemente têm sido veículo de transformações sociais degradantes, demolidoras da moral e dos bons costumes. Não podemos fazer como tantos ingênuos, que querem apenas se divertir e acabam sendo levados pela onda da corrupção moral. Lembremo-nos do sábio dito popular: “O bobo é cavalo do demônio”.