Obrigando a ONU a recuar

Organismo da ONU sofre salutar contravapor ao querer impor mais uma vez aos países-membros diretrizes flagrantemente imorais e antinaturais

Usman Sarki

A chamada UNFPA (sigla em inglês do Fundo de População das Nações Unidas) estava querendo impor aos países-membros que as crianças e adolescentes tivessem direito a sexo, droga e aborto… para reduzir a população!

Ou seja, aborto disponível de forma gratuita para adolescentes, sem necessidade de consentimento dos pais ou responsáveis; liberdade para uso de drogas e mesmo para a prostituição; e diminuição da participação dos pais na formação sexual de seus filhos.

Tudo isso consta do documento “Estado da População Mundial-2014”, o qual põe em causa as leis que exigem autorização dos pais para acesso ao aborto, aos anticoncepcionais, ao uso de agulhas para consumir drogas etc. Além de criticar normas contrárias “às relações entre pessoas do mesmo sexo, ao consumo de drogas e à venda de sexo ou o trabalho sexual”.

Em suma, segundo o informe desse Fundo da ONU, a chave para o desenvolvimento está em garantir que a conduta sexual dos adolescentes não seja supervisionada, mas irrestrita e financiada com dinheiro público, e sobretudo não vise à procriação.

O que o UNFPA postula é a imposição da anarquia sexual entre os jovens, a pretexto de que ela lhes garantirá o bem-estar e ao mundo inteiro. E acusa de intolerantes os Estados que não adotam essas normas.

Reações salutares

O representante da ilha Nauru — o menor país do mundo, localizado na Oceania — recriminou encolerizado o UNFPA por “acossar” seu governo. “A ONU pensa que pode fazer isto porque Nauru é o menor Estado?”.

Delegações africanas e outras queriam omitir ou precisar no documento, termos como “educação sexual integral” e “saúde sexual e reprodutiva e direitos reprodutivos”“expressões que supõem a aceitação da homossexualidade, os direitos sexuais para crianças e o aborto”.

Após duas semanas de negociações, não se chegou a um acordo sobre a aplicação de tais normas draconianas e imorais.

O embaixador Usman Sarki, da Nigéria, representando os africanos, emitiu uma mensagem mordaz. Criticou os governos e ativistas que se utilizam da ONU para promover questões sociais polêmicas.

Sarki sustentou que se trata de um projeto “repleto de temas controvertidos” e lamentou as tentativas de manipulação das negociações por parte de burocratas das Nações Unidas. Também deixou claro que as negociações da ONU deveriam estar “livres de toda influência indevida, pressão e coerção”. E criticou a pressão exercida sobre os funcionários na sede dessa organização.

Os delegados africanos queixaram-se ainda da pressão sem precedentes exercida pelo UNFPA nas capitais de suas nações e em Nova York. Tal pressão visa incluir a chamada “educação integral sobre a sexualidade humana”, que promove a atividade sexual de crianças de até cinco anos de idade.

Os promotores desse informe imoral não esperavam essas reações. Um delegado de El Salvador, que encabeçou as negociações, estava particularmente decepcionado. John Wilmoth, principal demógrafo da ONU, disse ao final da reunião que ficara “estupefato”. A presidente belga teve de “pôr fim a uma resolução, em lugar de tentar amoldar as inquietações em face do projeto conciliatório que havia elaborado”.

Disso tudo resulta uma lição. Quando os que defendem a boa causa não cedem ante as imposições revolucionárias e se negam a qualquer conciliação traiçoeira, os revolucionários se veem obrigados a recuar.

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(*) Noticiário baseado nos informes do Center for Family and Human Rights (C-Fam), de 22-11-2014 e 4-4-2015.