Primavera árabe revela ser um inverno cristão

Do alto da CruzEnquanto no Ocidente muitos católicos, entre eles altas autoridades eclesiásticas, vão se entregando à prática de um ecumenismo sem resultados favoráveis para a Santa Igreja, a perseguição aos cristãos cresce por toda parte, sem qualquer resposta à altura.

Os perseguidores costumam tomar o ecumenismo como um sinal de fraqueza dos católicos, quando não de covardia, e se lançam com mais afoiteza à perseguição.

Um impressionante relatório intitulado Perseguidos e Esquecidos? foi apresentado numa reunião das câmaras do Parlamento do Reino Unido pela associação Ajuda à Igreja que Sofre (AED, sigla em francês), em 17 de outubro último. O resumo que apresentamos abaixo é da agência de notícias “Correspondance européenne”, de 20-10-13.

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O relatório analisa a situação dos cristãos em 30 países, especialmente vários predominantemente islâmicos e nos Estados cujos sistemas políticos têm um caráter autoritário pronunciado. O período em análise abrange os últimos 30 meses .

De acordo com John Pontifex , diretor de Informação do Gabinete britânico da AED, “a conclusão principal do relatório é que, em dois terços dos países onde a perseguição aos cristãos é mais grave, os problemas, sem dúvida, pioraram ainda mais. De fato, em algumas áreas – especialmente no Oriente Médio – a própria sobrevivência da Igreja está agora em perigo”.

Parem com a catolicofobiaPara os cristãos, a chamada “Primavera Árabe” tornou-se , em numerosos casos, o que o relatório chama de “inverno cristão”. Se bem que as convulsões políticas trouxeram sofrimentos para pessoas de todas as religiões, foram principalmente as denominações cristãs as que mais claramente sofreram hostilidades e violências. Os cristãos foram vítimas de todos os tipos de conflitos políticos, econômicos, sociais e religiosos – por exemplo, os conflitos entre muçulmanos sunitas e xiitas. Conseqüentemente, cristãos em grande número foram forçados a fugir. O relatório descreve o êxodo como sendo de “proporções quase bíblicas.”

De acordo com as informações apresentadas nesse relatório, a influência dos grupos fundamentalistas islâmicos tem aumentado significativamente ao longo dos últimos 30 meses. Eles representam, talvez, a maior ameaça à liberdade religiosa no mundo de hoje. Seu objetivo é a eliminação, ou pelo menos a subjugação, dos cristãos .

Também nos países comunistas os esforços para controlar a população cristã aumentou. Na Coréia do Norte, nenhuma atividade religiosa tem reconhecimento oficial, e aqueles que são tolerados são estritamente controlados. A China insiste em afirmar sua autoridade sobre todos os grupos cristãos, especialmente aqueles que não são oficialmente registrados.

Como explica John Pontifex , “emerge de todos os depoimentos que os atos de perseguição parecem agora se agravar e tornar-se implacáveis: igrejas são incendiadas, cristãos são pressionados para se perverter, há violências coletivas contra lares cristãos, seqüestros e estupros de jovens cristãs, propaganda anti -cristã na mídia e impulsionada pelo governo, discriminação nas escolas e locais de trabalho … a lista é longa. O relatório Perseguidos e esquecidos? levanta sérias interrogações quanto ao engajamento da comunidade internacional a se levantar em favor da liberdade religiosa”.

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É preciso acrescentar: não é dever dos católicos, especialmente das autoridades religiosas, mesmo as mais altas, empreender uma cruzada em favor de seus irmãos brutalmente martirizados e pressionados para apostatar? Não é a inércia que provoca as perseguições, enquanto não chega a hora de provocar a cólera de Deus?