Profecia de Fidel: um presidente negro nos EUA e um Papa latino-americano dialogarão com Cuba

Fidel Castro no Vietnã do Norte, 1973. De retorno dessa viagem ele teria feito a intrigante "profecia".
Fidel Castro, no Vietnã do Norte, 1973. De retorno dessa viagem ele teria feito a intrigante “profecia”.

“Os EUA virão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e haja no mundo um Papa latino-americano”, teria “profetizado” Fidel Castro em 1973 voltando de uma visita ao Vietnã, então em guerra.

A declaração teria sido feita ao jornalista Brian Davis, de uma agência inglesa, que lhe perguntou: “Quando o Sr. acha que se poderão restabelecer as relações entre Cuba e os EUA?”

Ouvindo a resposta do ditador, alguns jornalistas riram, pois estavam habituados às suas palhaçadas histriônicas. Mas alguns espíritos mais reflexivos guardaram a então enigmática predição.

Agora, o jornalista e escritor Pedro Jorge Solans, diretor de El Diário de Carlos Paz, jornal de uma pequena cidade serrana de Córdoba, Argentina, encontrou em Havana um dos presentes na ocasião.

Trata-se de Eduardo de la Torre, que em 1973 era estudante universitário e que agora sobrevive como taxista.

O jornalista argentino escreveu em abril uma crônica com a “profecia” de Fidel, a qual foi reproduzida pela imprensa cubana, inclusive pelo jornal do Partido Comunista, sem que ninguém apresentasse reparos.

“Os EUA virão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e haja no mundo um Papa latino-americano”, teria “profetizado” Fidel Castro em 1973
“Os EUA virão dialogar conosco quando tiverem um presidente negro e haja no mundo um Papa latino-americano”, teria “profetizado” Fidel Castro, em 1973,

Após a reabertura mútua das embaixadas dos EUA e de Cuba, no processo patrocinado pelo Papa Francisco, a crônica foi reproduzida em grandes jornais do mundo, como “La Vanguardia” da Espanha e Clarín da Argentina, bem como em sites e blogs, inclusive castristas e maoístas.

Sobre a autenticidade histórica das palavras atribuídas a Fidel, paira certa dúvida, segundo o site Slate.

O jornalista argentino autor da crônica acrescenta que a testemunha, Eduardo de la Torre, teria acrescentado em tom irônico: “Olha, rapaz, ninguém acreditava no comandante, mas como não acreditar num comandante que ressuscitou mais vezes que Jesus Cristo?”

Costuma-se dizer que o demônio comunica seus planos a seus seguidores com frases confusas ou debochadas, onde mistura o verdadeiro com o falso.

Cabe aos mais perspicazes reconhecer o que pai da mentira está realmente tramando.