Quem ganhará: a direita? o centro? a esquerda?

Como os monumentais protestos contra o governo PT, ocorridos em todo o Brasil nos dias 15 de março e 12 de abril últimos, revelam o acerto de um impressionante prognóstico feito por Plinio Corrêa de Oliveira em seu memorável artigo intitulado “Cuidado com os pacatos”, sobre a situação nacional, julgamos oportuno apresentar abaixo a parte relativa a essa previsão. O artigo foi publicado originalmente na “Folha de S. Paulo” em 14-12-1982.

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Plinio Corrêa de Oliveira

“Se a esquerda for açodada na efetivação das reivindicações ‘populares’ e niveladoras com que subiu ao poder; se se mostrar abespinhada e ácida ao receber as críticas da oposição; se for persecutória através do mesquinho casuísmo legislativo, da picuinha administrativa ou da devastação policialesca dos adversários, o Brasil sentir-se-á frustrado na sua apetência de um regime bon enfant, de uma vida distendida e despreocupada. Num primeiro momento, distanciar-se-á então da esquerda. Depois ficará ressentido. E, por fim, furioso. A esquerda terá perdido a partida da popularidade.

“Em outros termos, se os esquerdistas, ora tão influentes no Estado (Poderes 1, 2 e 3), na Publicidade (Poder 4) e na estrutura da Igreja (Poder 5), não compreenderem a presente avidez de distensão do povo brasileiro, deixarão de atrair e afundarão no isolamento. Falarão para multidões silenciosas no começo, e pouco depois agastadas.

“A História dá inúmeros exemplos de regimes que não se mantiveram porque não souberam entender coisas destas.

“O Brasil de hoje quer absolutamente pacatez. Se a esquerda vitoriosa não souber oferecê-la, evanescer-se-á. Se o centro e a direita não souberem conduzir sua luta num clima de pacatez, terá chegado a vez deles de se evanescerem.

“Bem concebo que algum leitor exasperado me pergunte: Mas, afinal, quem ganha com essa pacatez? — Até aqui não tratei disto. Mostrei que perderá quem não a souber ter.

“Quem ganhará: a direita? o centro? a esquerda? — Quem conhecer as verdadeiras fibras da alma brasileira e souber entrar em diálogo pacato com essas fibras. Seja Governo, seja oposição, pouco importa. A influência será de quem saiba fazer isto.

“Insisto. Se o Governo, a Publicidade e a estrutura eclesiástica não souberem manter-se no clima de pacatez e passarem para a violência física, legal ou publicitária contra a oposição, os pacatos lhes dirão: mas, afinal, qual é a sinceridade, qual a dignidade de vocês, que quando eram oposicionistas reclamavam para si liberdade e respeito, e agora que são governo usam da perseguição e da difamação para quem é hoje oposição?

“E se os pacatos notarem acrimônia nos de centro e de direita, dir-lhes-ão: está bem provado que é impossível conviver com vocês, porque, nem vencidos, sabem ser de um trato distensivo.

“E cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes…”