Thiago Moraes Fleury

Com a propagação das Aparições de Fátima, em Portugal, os Pastorinhos passaram a ser constantemente procurados e assediados por peregrinos vindos de todas as partes para vê-los.

Todos os três procuravam se resguardar dessa fama repentina, sobretudo São Francisco Marto.

Todavia, em uma situação específica, quando não teve como escapar, duas senhoras perguntaram-lhe sobre a carreira que ele gostaria de seguir quando crescesse:

– “O que você quer ser quando crescer? Carpinteiro!?”

Ao que ele respondeu:

“Não. Eu não quero ser carpinteiro”

“Queres ser soldado?”

“Não, madame.”

“Não gostaria de ser médico?”

“Também não.”

“Ah. Eu sei muito bem o que gostarias de ser… Gostarias de ser padre! Não é verdade?”

─ “Não senhora, eu não vou ser padre!”

─ “Então, o que queres ser?”

─ “Eu não quero ser nada! Eu quero morrer e ir para o céu!”

Caríssimo leitor, aqui fica evidente a perfeita conformidade com a vontade de Deus na alma desse jovem santo. Segundo Santo Afonso de Ligório, essa uniformidade do nosso querer com o querer divino constitui o caminho essencial para a santidade.

Mas como esse admirável santo conseguiu tão estreita união até o ponto de desprezar a si mesmo? Claro que não existe outra explicação senão Nossa Senhora, a mãe da misericórdia. Aí está expresso o perfeito exemplo de tudo fazer por Maria, com Maria e em Maria.

Quais são os efeitos do Segredo de Maria, dessa especial união com Nossa Senhora de que nos fala o grande santo mariana, São Luís Maria Grignion de Montfort, no coração dos videntes e, em especial, no de São Francisco? Ele tem uma alma perfeitamente contrarrevolucionária, ornada e armada com três magníficas virtudes: a seriedade, a lógica e o espírito de sacrifício associado à oração.

A fisionomia de Francisco deixa claro que, apesar de jovem, não está neste mundo para brincar, sorrir, ter uma vida miúda cingida aos prazeres efêmeros e enganosos. Não, ele está aqui para salvar almas através do sacrifício. Dessa forma, ele apresenta um modo de viver perfeitamente contrário àquele Hollywoodiano de viver à procura de prazeres, doçuras das mais variadas, sem sofrimento nenhum e, por fim, alcançar um imaginário Final Feliz, que seria, no fundo, morrer sem a Graça divina.

Infelizmente, esse ideal infectou largamente a atual geração. Muitos católicos assim se iludem e tentam conciliar a tibieza com a Verdadeira Devoção. Contudo, o exemplo dado pelo pastorzinho de Fátima mostra que qualquer um que queira agradar a Nossa Senhora deve ser profundamente sério, pois a vida é séria: há um Céu para ganhar e um inferno a se evitar. Deus, que é infinitamente justo e sábio, leva infinitamente a sério a nossa falta de seriedade, pois não há palavra ou dito leviano – ou pensamento algum consentido pela vontade – que a Divina Justiça deixe sem punir ou recompensar. Esta é a realidade que deve estar continuamente sob os nossos olhos para que não percamos de vista a eterna recompensa.

Aliada a essa virtude magnânima, podemos também destacar o estado de espírito profundamente contemplativo, sacral e metafísico reinante em sua alma. Com toda certeza, não era um rapaz dado a pensamentos vãos como a maioria de nossos jovens. Ele era lógico, conseguia abarcar o mundo com um único princípio generalíssimo de que tudo foi feito por Deus e tudo deve dar glória a Deus. A partir daí, deduzia toda a sua vida moral: para agradar a Deus, deve dar tudo à Virgem, e depois de ter dado tudo a ela, deve dar a própria vida e oferecer cada contrariedade sofrida pela conversão dos pecadores.

Como, no entanto, alcançar para esses miseráveis pecadores, que nada têm a ganhar a não ser o Inferno, a conversão? Pelo sacrifício! Mas um sacrifício amoroso, tal como foi amoroso o sacrifício de Jesus no início de sua Paixão ao beijar a Cruz.

Como dizia Dr Plinio Corrêa de Oliveira, o ápice da vitória e da glória consiste perfeitamente no ápice da dor e do sofrimento. Não se pode alcançar o Paraíso por outra via senão a de sofrer tudo por amor a Jesus e a Maria. Assim era o ritmo de vida desse santo, porque sempre estava rezando e se sacrificando pelos pecadores por amor a Deus por meio de Nossa Senhora, a Estrela da Manhã que guia os navegantes dessa existência para o único Porto Seguro da salvação, que é precisamente a Igreja Católica.

Peçamos, portanto, a essa boa Mãe que nos faça, a exemplo deste admirabilíssimo santo, São Francisco Marto, verdadeiros devotos Seus para que tenhamos as virtudes necessárias para pormos em prática a Contrarrevolução e apressarmos assim a vinda do Reino de Maria.

Não nos esqueçamos, jamais, das palavras de São Bernardo, “Quando te assaltarem os ventos das tentações, quando vires aparecer os escolhos da desgraça, olha para a estrela, invoca a Maria. Se és sacudido pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria. Se a cólera, a avareza, as seduções carnais vierem sacudir a leve barca de tua alma, levanta os teus olhos, olha para Maria. Se, perturbado pela lembrança atroz de teus crimes, envergonhado pela vista da imundice de tua consciência, aterrorizado pela ameaça do juízo de Deus, começas a submergir no remoinho da tristeza e no abismo do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca a Maria. Que seu nome nunca deixe teus lábios, jamais deixe o teu coração. E, para obter o socorro de sua intercessão, não te afastes do exemplo de sua vida. Seguindo-a, não te perderás; suplicando-a, não conhecerás desespero; pensando nela, evitarás todo erro. Se ela te sustenta, não naufragarás. Se ela te protege, nada terás a temer. Se Ela te conduz, não te cansarás. Se Ela te for favorável, alcançarás o objetivo. E assim saberás por tua própria experiência tudo o que significam essas palavras: ‘E o nome da Virgem era Maria’

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