Seqüestro para “salvar o planeta” acaba mal

    Luis Dufaur

    Polícia interveio na sede de Discovery Channel, Silver Spring

    A tomada de reféns no prédio do Discovery Channel, em Silver Spring, Maryland, lamentavelmente concluído com a morte do seqüestrador em confronto com a polícia, suscitou mais preocupações em Washington.

    James L. Lee, o seqüestrador, agiu como uma pessoa perturbada pela pregação do extremismo ambientalista.

    Ele acreditava que aterrorizando os funcionários da conhecida TV ele impulsionaria a “mudança” e, em última instância, “salvaria o planeta”, observou editorial do “The Washington Times”.

    Após manifestar com cartazes caseiros diante da sede da TV em Silver Spring, Lee invadiu o local fortemente armado e carregando pacotes que dizia ser explosivos.

    Após horas de frustradas conversações, o ecoterrorista morreu em tiroteio com a polícia.
    Lee mostrava-se muito influenciado pelos exageros e deformações do livro e filme de Al Gore “Uma verdade inconveniente”.

    Numa página de grande primarismo na Internet, Lee culpava a humanidade pela ameaça que ele julgava pairar sobre a

    James Lee protestando em 2008 diante do Discovery Channel Building

    salvação planetária.

    Em conseqüência, seu fraco juízo concluía ser indispensável reduzir o número dos seres humanos. Na realidade, ele só repetia slogans bem conhecidos do ecologismo radical anti-natalista e anti-vida.

    Na sua concepção, debilitada talvez pela doença, Lee via no Discovery Channel um inimigo do globo pelo “crime” de “glorificação da civilização e sua maquinaria”.

    “Todos os programas no Discovery Health-TLC devem parar de estimular o nascimento de qualquer criança parasitária e o falso heroísmo que se esconde por trás dessas ações”, argüia Lee no arremedo de manifesto que postou no seu site (http://savetheplanetprotest.com/ , ainda ativo no domingo, 12 de setembro de 2010, 11:44:25).

    Idéias não menos obtusas e radicais que as de Lee são defendidas por ambientalistas que pregam o retorno a uma “natureza” onde o homem levaria uma existência submissa às exigências de qualquer espécie animal.
    Nesse sentido, o “Washington Times” observou que os proprietários da Califórnia podem ser proibidos de proteger suas casas dos incêndios florestais.

    Exageros causam efeitos indesejáveis. (The Day After Tomorrow)

    Ativistas “verdes” alegam que, agindo assim, os cidadãos ameaçariam o habitat de um rato ‒ o “Stephen’s kangaroo rat” (Dipodomys stephensi) ‒ e violariam a lei federal que protege as espécies em risco de extinção.

    Antes de atentar contra a vida dos funcionários da TV de Silver Spring, Lee se mostrou profundamente afetado pelas teorias de Malthus e Darwin. Essas teorias hoje orientam movimentos que limitam o valor e o lugar da vida humana no planeta, como a organização abortista Planned Parenthood, observou o “Washington Times”.

    Produções de Hollywood como “The Day After Tomorrow” disseminam essas idéias errôneas de modo altamente sugestivo, montando catástrofes apocalípticas que viriam a acontecer pela expansão natural da população humana e de seu progresso, acrescenta o jornal.

    E concluiu o “Washington Times”: “Enquanto esse movimento (ambientalismo alarmista) continuar apresentando a humanidade como uma parasita e um perigo, continuarão aparecendo mais Unabombers [terroristas] e pistoleiros de Silver Spring”.