Uma musiquinha francesa veio-me à memória ao tomar conhecimento do noticiário da semana. Chama-se tout va très bien, madame la marquise.

Ela conta com muita verve a história de uma marquesa que, estando em viagem, telefona para seu criado querendo saber se tudo corria bem em casa.

E o criado vai respondendo, sempre começando suas frases com um “tudo vai muito bem”.

Terminadas as quatro primeiras palavras, vem o famoso “mas…”: ele começa a dar detalhes, muito deprimentes, terminando com um incêndio que destruiu parte do castelo. Conclui com um último “mas, tirando isto, tudo vai muito bem”.

A música é uma sátira bem feita do otimismo sistemático e por princípio, e pode aplicar-se aos otimistas ou indiferentes diante da verdadeira “reforma do Brasil” para pior, preconizada pelo PNDH-3. Aqui, isso não vai acontecer, pensam os otimistas… Para que se esforçar?

Veja-se, por exemplo, a última estatística da Organização Mundial da Saúde sobre aborto em diversos países: no Leste europeu chegou-se a 103 abortos para cada 100 crianças nascidas vivas. Na Rússia de hoje realizam-se 95 abortos para cada 100 nascidos vivos! Na Espanha os abortos dobraram nos últimos vinte anos. Tudo isso é o que desejam os fautores do PNDH-3, para o Brasil.

O corolário do aborto é um desproporcionado carinho para com os animais irracionais, um substitutivo do carinho para com as crianças. Se os meninos de nada valem, algo tem de ocupar seu lugar.

Assim, lemos numa notícia: “O tratamento ortopédico, que incluiu até um pino na pata, doeu na fox paulistinha Cindy e no bolso da dona, a geógrafa Letícia Sartori. Depois de gastar uns R$ 7.000 com tratamentos, cirurgias e o parto da cadela, resolveu aderir a um plano de saúde para cachorro.

“É um sofrimento porque ela é como se fosse minha filha. Ela já está mais idosa e começou a dar defeito como carro velho”, diz Letícia, dona da Cindy, de 15 anos. Para não confundir com cachorros muito parecidos, a operadora exige a implantação de um microchip para identificação do animal.

Assim como nos planos de saúde para humanos, o convênio para os animais tem carência, limite de consultas, rede credenciada que varia de acordo com o plano contratado e é mais barato para bichos com menos de 6 anos (Folha de S. Paulo, 16-8-2010).

Mas as coisas não param aí. Comenta o Globo: “Alguma coisa está fora da ordem. Cachorros de raças pequenas passeiam em carrinhos de bebê em Ipanema e crianças andam amarradas a coleiras para não se perderem dos pais. Duas foram vistas encoleiradas nos últimos dias: uma no Shopping Leblon e a outra, no Galeão” (16-8-2010). Não é igualdade; é a hierarquia, mas invertida. No caso, os cachorrinhos estiveram no alto dela, e os humanos, no rés-do-chão.

Então, as aberrações vão entrando por toda parte e se implantando. Não há por que duvidar: tudo vai bem… bem para baixo! A única solução é fazer nossa parte e confiar em Nossa Senhora.

7 COMENTÁRIOS

  1. Estão conseguindo, de forma acelerada, demolir o que resta da civilização cristã, da gigantesca obra missionária cuja seiva ainda alimenta o Brasil real e permanece viva pelos grotões do Brasil, ainda pouco influenciadas pela avalanche de lixo que constitui a maioria dos programas televisivos. Sem os sólidos princípios da civilização cristã o progresso transforma-se em brinquedo perigoso ou instrumento criminoso. Com o controle da natalidade eufemisticamente chamado planejamento familiar, o divórcio, os abortos clandestinos e com tantos lares desfeitos jogando crianças nas sarjetas, o que será do Brasil dentro de pouco tempo ? Ficando somente neste aspecto crucial pois implica em grave sintoma demográfico suficiente para destruir uma nação a curto prazo em termos históricos. Quanto aos demais, drogas, criminalidade, corrupção, etc. coroados com um inexplicável silencio ou meias palavras dos que deveriam constituir a vanguarda contra esse intento, uma grande parte do clero; tudo isso nos acena com um futuro sombrio do qual apelamos nos livre a Rainha do Brasil, a toda poderosa Virgem Maria.

  2. Muito bem concebida a aplicação do “Tout va très bien, madame la marquise”, com o triste otimismo em certo tipo de mentalidade “nacional”, que sempre “vê tudo azul”, ainda quando o panorama da situação no Brasil esteja “pegando fogo”.

    Para aqueles que ainda não conhecem a letra da cançoneta, “Tout va très bien, madame la marquise”, abaixo segue o texto em francês e em português.

    E para aqueles que desejarem ver uma espirituosa apresentação teatralizada com a pitoresca historinha da Madame la Marquise, podem assisti-la no seguinte link:

    http://www.youtube.com/watch?v=zdf1mLPyJ90&NR=1&feature=fvwp

    _______________
    Allô, allô James !
    Quelles nouvelles ?
    Absente depuis quinze jours,
    Au bout du fil
    Je vous appelle ;
    Que trouverai-je à mon retour ?

    Tout va très bien, Madame la Marquise,
    Tout va très bien, tout va très bien.
    Pourtant, il faut, il faut que l’on vous dise,
    On déplore un tout petit rien :
    Un incident, une bêtise,
    La mort de votre jument grise,
    Mais, à part ça, Madame la Marquise
    Tout va très bien, tout va très bien.

    Allô, allô Matin!
    Quelles nouvelles ?
    Ma jument gris’ morte aujourd’hui !
    Expliquez-moi
    Valet fidèle,
    Comment cela s’est-il produit ,

    Cela n’est rien, Madame la Marquise,
    Cela n’est rien, tout va très bien.
    Pourtant il faut, il faut que l’on vous dise,
    On déplore un tout petit rien :
    Elle a péri
    Dans l’incendie
    Qui détruisit vos écuries.
    Mais, à part ça, Madame la Marquise
    Tout va très bien, tout va très bien.

    Allô, allô Pascal!
    Quelles nouvelles ?
    Mes écuries ont donc brûlé ?
    Expliquez-moi
    Mon chef modèle,
    Comment cela s’est-il passé ?

    Cela n’est rien, Madame la Marquise,
    Cela n’est rien, tout va très bien.
    Pourtant il faut, il faut que l’on vous dise,
    On déplore un tout petit rien :
    Si l’écurie brûla, Madame,
    C’est qu’le château était en flammes.
    Mais, à part ça, Madame la Marquise
    Tout va très bien, tout va très bien.

    Allô, allô Lucas!
    Quelles nouvelles ?
    Notre château est donc détruit !
    Expliquez-moi
    Car je chancelle
    Comment cela s’est-il produit ?

    Eh bien ! Voila, Madame la Marquise,
    Apprenant qu’il était ruiné,
    A pein’ fut-il rev’nu de sa surprise
    Que M’sieur l’Marquis s’est suicidé,
    Et c’est en ramassant la pell’
    Qu’il renversa tout’s les chandelles,
    Mettant le feu à tout l’château
    Qui s’consuma de bas en haut ;
    Le vent soufflant sur l’incendie,
    Le propagea sur l’écurie,
    Et c’est ainsi qu’en un moment
    On vit périr votre jument !
    Mais, à part ça, Madame la Marquise,
    Tout va très bien, tout va très bien.

    * * *

    Alô, alô, James!
    Quais são as novas?
    Ausente há 15 dias,
    eu telefono para saber
    O que encontrarei no meu retorno?

    Tudo vai muito bem, Senhora Marquesa,
    Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.
    Mas é necessário que eu vos diga
    Ocorreu algo insignificante, porém lamentável:
    Um incidente, uma bobagem,
    a morte da vossa égua cinzenta,
    Mas, fora isso, Senhora Marquesa,
    tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

    Allô, allô Martin!
    Quais são as novas?
    A minha égua cinzenta morreu hoje!
    Explica-me,
    Fiel Empregado,
    Como é que isso aconteceu?

    Aquilo não foi nada, Senhora Marquesa,
    Aquilo não foi nada, tudo vai muito bem.
    No entanto é necessário que eu vos conte
    Sobre um pequeno incidente, um “quase nada”:
    Ela morreu
    no incêndio
    Que destruiu as vossos estábulos.
    Mas, fora isso, Senhora Marquesa,
    tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

    Allô, allô Pascal !
    Quais são as novas?
    Então meus estábulos queimaram-se?
    Explica-me,
    meu empregado modelo,
    como isso aconteceu?

    Aquilo não foi nada, Senhora Marquise,
    aquilo não foi nada, tudo vai muito bem.
    No entanto é necessário que eu vos conte,
    Sobre um pequenino, mas lamentável, incidente:
    Se a cavalariça queimou, Senhora,
    Foi por que o castelo estava chamas.
    Mas, fora isso, Senhora Marquesa,
    Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

    Alô, alô Lucas!
    Quais são as novas?
    O nosso castelo então foi destruído!
    Explica-me
    porque não entendo
    como isso aconteceu?

    Pois bem, Senhora Marquesa,
    Ao saber que estava arruinado,
    Mal refeito da surpresa,
    E vendo-se sem opção,
    O Senhor Marquês se suicidou,
    Ele pegou todas as velas,
    E pôs fogo em todo o castelo
    Que se consumiu de alto a baixo;
    E o vento soprando sobre o incêndio,
    O propagou até ao estábulo,
    E foi assim, nesse momento,
    Que vossa égua veio a falecer!
    Mas, fora isso, Senhora Marquesa,
    Tudo vai muito bem, tudo vai muito bem.

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