Eis que, derrotadas ultimamente pelas valorosas forças armadas colombianas, as FARC se veem obrigadas a aceitar a inexplicável mão estendida pelo presidente Manuel Santos, ávido em promover um novo processo de negociação.

“Esse filme já vimos antes”

Os outrora vencidos são os vencedores e perseguidores hoje. Argentina, Chile, Brasil têm orquestradas suas “Comissão da Verdade”, um autêntico tribunal cujo objetivo não éapurar a verdade, mas punir aqueles que lutaram para que suas respectivas nações não descambassem no estado totalitário comunista. (Não mencionamos aqui os abusos que tenham ocorrido nesta época)

Se depender de “Kerenskys” como Manuel Santos, estejamos seguros, o inominável sucederá. O presidente colombiano apresenta-se incompreensivelmente como derrotado perante os vencidos.

Prova disso é a falta de reação diante de declarações como a que pronunciou Ivan Márquez, o porta-voz das FARC, logo do inicio das conversações em Oslo. Ele declarou: “A paz não significa o silêncio dos fuzis”.

E não foi só isso. Em sua primeira fala na mesa de negociações, que durou 33 minutos, Ivan Márquez investiu contra as empresas multinacionais, contra os tratados de livre comércio, contra os Estados Unidos e contra a política de partilha de terras do governo colombiano. Depois seguiu citando, nome por nome, os “invasores do cerrado”, no leste da Colômbia, entre eles os filhos do ex-presidente Alvaro Uribe.”1

As exigências vão além, como expõe a BBC2:

1. Desenvolvimento agrário (Reforma Agrária)

O primeiro tema a ser abordado será a posse das terras no país. Ele é crucial pois foi a razão da formação das FARC a partir de um grupo de “autodefesa” camponês, em 1964.

O conflito entre a guerrilha e o governo deixou em cinco décadas mais de quatro milhões de pessoas “deslocadas” de suas moradas originais.

O que as FARC desejam é uma Reforma Agrária socialista radical.

2. Participação política

A participação dos guerrilheiros no processo político colombiano é um dos pontos mais polêmicos do processo de negociações.

Segundo pesquisas, até 70% da população é contrária à entrada das FARC na política. Manuel Santos reconhece, porém, que sem isso a conquista da paz será praticamente impossível.

Além da polêmica, há impedimentos legais para que procurados pela Justiça concorram a cargos políticos. Mesmo no caso de uma anistia ampla, muitos guerrilheiros ainda seriam procurados por tráfico de drogas em países como os Estados Unidos – o que causaria mais complicações.

3. Desmobilização

O governo colombiano se comprometeu a intensificar o combate às organizações criminosas. Como as FARC não descartam serem vítima da ação de grupos paramilitares opositores, é possível que os guerrilheiros concordem em baixar as armas, porém não em entregá-las ao governo.

Analistas temem, porém, que determinados setores das FARC não concordem com os termo do acordo e permaneçam mobilizadas.

4. Narcotráfico

A polícia colombiana alega que as FARC se transformaram em um grande cartel que domina os laboratórios de refino da cocaína na selva e comanda o transporte da droga.

Os guerrilheiros dizem que não controlam a produção e o tráfico de narcóticos, mas cobram taxas dos traficantes.

Nesse ponto, guerrilheiros e governo devem discutir alternativas para desenvolver a região onde atualmente se cultiva a coca com projetos de investimento e desenvolvimento.

5. Vítimas

O tema dos direitos das vítimas do conflito deverá causar polêmica. Isso porque envolve a discussão sobre punições contra responsáveis por abusos de direitos humanos.

Porém, os membros das FARC não aceitam ser julgados e condenados à prisão.

Além disso, serão discutidas as devoluções de terras e edifícios tomados pelas FARC para seus verdadeiros donos.

Com todos esses dados, podemos temer que, se as negociações continuarem nesses termos, logo veremos nos bancos dos réus aqueles que promoveram a luta contra o estabelecimento de um estado comunista –  narco-guerrilheiro-terrorista, sequestrador e assassino. E talvez a história aponte o presidente Manual Santos como o “Kerensky” responsável por isso.

Notas:

Kerensky foi o presidente da efêmera república burguesa de transição do czarismo e representou face ao comunismo uma política de sucessivas concessões. Favorecidos gradualmente por estas, os bolchevistas acabaram por se tornar bastante fortes para tomar o poder, e o tomaram. Em 1967, Fabio Xavier da Silveira mostrou em “best-seller” que o presidente democrata-cristão chileno Eduardo Frei poderia tornar-se o Kerensky chileno, preparando o caminho para o comunismo com seu sistema concessivo. Foi o que aconteceu três anos depois, quando o marxista Salvador Allende tornou-se Presidente do país andino.

1. Pax Colombiana http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,pax-colombiana-,948950,0.htm

2. Os cinco pontos-chave das negociações entre a Colômbia e as Farc http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121012_farc_apresentacao_lk.shtml

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