Quando Xi Jinping, da China, chegar à Casa Branca em 24 de setembro, procurará obter as maiores vantagens possíveis ao menor custo possível para a China. Sempre foi assim com os ditadores comunistas chineses. Não há razão para esperar qualquer mudança agora.
Por esse motivo, os Estados Unidos podem e devem insistir para que certas realidades sejam reconhecidas nesta primeira visita de Estado de um líder da China Vermelha em mais de uma década. Sem esse reconhecimento como fundamento, a visita corre o risco de ser mais um fiasco.
Uma posição de força diante do vergonhoso emblema do comunismo
A primeira realidade é que os Estados Unidos ainda entram em cena a partir de uma posição de força, não de fraqueza. Apesar do atual caos na ordem mundial, o país ainda lidera o mundo nos campos econômico, militar e tecnológico.
A nação não deve se curvar servilmente aos interesses chineses. Os Estados Unidos devem manter-se altivos e representar o Ocidente com toda a sua força.
Assim, a segunda realidade é que os Estados Unidos devem deixar claro que Xi não vem para um encontro entre iguais, mas como alguém que ostenta o vergonhoso emblema de um comunista declarado. Ele jamais poderá ser verdadeiramente honrado enquanto não renunciar a essa ideologia terrível, responsável pela morte de dezenas de milhões de chineses ao longo das décadas.
O encontro não é uma alegre reunião de amigos ou aliados, mas um trágico lembrete de que esse sistema filosófico maligno ainda existe e ameaça os Estados Unidos e o Ocidente. Encontros como esse devem apresentar uma firme posição de força; caso contrário, correm o risco de seguir os trágicos passos do Acordo de Munique antes da Segunda Guerra Mundial.
De fato, a China está se preparando para se tornar uma inimiga direta e já auxilia os inimigos dos Estados Unidos. As Forças Armadas norte-americanas admitem abertamente que estão se preparando para uma guerra com a China. Os Estados Unidos devem agir de acordo com essa realidade, em vez de se entregar a fantasias chamberlainianas sobre a “paz em nosso tempo”.
Não uma cúpula de negócios, mas um encontro moral
A terceira realidade é que os norte-americanos devem compreender que essa visita não deve ser uma cúpula de negócios, mas um encontro moral. Os negócios exigem honestidade, jogo limpo e respeito. Os Estados Unidos só podem esperar da China mais roubos de sua propriedade intelectual, mais dumping de produtos baratos em seu mercado e mais ações para solapar os interesses norte-americanos e ocidentais em todo o mundo.
Essa visita deveria ser uma ocasião para esclarecer os fatos e exigir o fim das práticas comerciais desleais que destroem os mercados livres e os empregos norte-americanos. O presidente deveria exigir o fim desse clima venenoso que está destruindo os Estados Unidos e a ordem mundial posterior a 1945.
A paz só pode advir da tranquilidade da ordem, não do engano e da intriga.
Libertem Jimmy Lai e parem de perseguir os católicos clandestinos da China
A realidade final é que os norte-americanos devem insistir para que a China comunista respeite os direitos humanos fundamentais. Isso se aplica particularmente aos católicos clandestinos chineses, que sofrem uma perseguição cruel por serem fiéis a Roma. É preciso fazer menção especial ao idoso Jimmy Lai, católico de Hong Kong que definha injustamente em uma prisão política.
Além disso, a China tenta cada vez mais transformar a Igreja Católica em uma marionete do Estado marxista. O Estado comunista nomeia bispos alinhados ao Partido com base em um acordo secreto com o Vaticano. Essa visita deveria ser uma ocasião para denunciar esses processos. Como gesto mínimo de boa vontade, Xi deveria reconhecer a injustiça da condenação de Jimmy Lai à prisão e libertá-lo antes de chegar a Washington.
Essas realidades serão reconhecidas?
Assim, essas quatro realidades que afetam a liderança e a segurança dos Estados Unidos, os negócios e a liberdade da Igreja Católica deveriam estar no topo da lista de assuntos a serem reconhecidos e discutidos.
No entanto, elas serão discutidas? É duvidoso. Xi é um ideólogo que serve à sua ideologia comunista, segundo a qual os fins justificam os meios. Ele está disposto a firmar ou romper qualquer acordo e a sacrificar a própria carreira, desde que isso contribua para o avanço do comunismo.
Para o presidente Trump, tudo é um acordo e tudo é negociável — até mesmo questões inegociáveis, como os direitos humanos fundamentais, a moral e as garantias da propriedade. Realidades dolorosas tendem a pôr fim rapidamente aos acordos.
Hora de encarar a realidade
Este não é o momento para acordos, mas para encarar a realidade. É hora de honrar todos aqueles que sofreram sob o terrível regime de Xi. Este é o momento de exigir a libertação de Jimmy Lai.
No entanto, isso não acontecerá. Em vez disso, haverá uma visita de Estado, revestida de todas as honrarias. Será uma encenação teatral que ignorará a realidade, frustrará esperanças e preparará o caminho para crises futuras. Quaisquer acordos equivalerão, para citar Sir Winston Churchill, à desonra e à guerra: “Foi-lhes dada a escolha entre a guerra e a desonra. Vocês escolheram a desonra e terão a guerra.”
Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/four-realities-for-xi-when-he-comes-to-washington




