Chamado “o maior poeta da idade patrística” e a “harpa do Espírito Santo”, este Doutor da Igreja escreveu algumas das mais belas e profundas reflexões sobre o Natal e sobre Nossa Senhora da história da Igreja. Entretanto, ele é pouco conhecido hoje em dia.

Isso se deve ao fato de que tenhamos somente muito poucos dados de sua vida. Efrém nasceu em Nisibis, na Mesopotâmia setentrional (hoje Nusaybin, na Turquia), então sob a dominação romana, no início do século IV, provavelmente em 306. Seu pai, cujo nome ignoramos, era sacerdote pagão, e sua mãe, nativa de Amid, cristã, que o instruiu nos preceitos da fé católica.

Os primeiros anos de Efrém transcorreram-se durante a perseguição de Diocleciano. Com efeito, já no ano 303 esse imperador removia dos cargos públicos todos os cristãos, e mandou destruir várias igrejas. No ano seguinte exigiu dos cristãos a obrigatoriedade de sacrificarem aos deuses pagãos sob pena de execução. Embora com sua abdicação a perseguição no Ocidente tenha praticamente cessado, entretanto manteve-se no Oriente sob a jurisdição de Maximino Daza.

Além disso, aquela parte da Mesopotâmia passava por grandes conflitos religiosos com  o surgimento de muitas heresias. Contudo Efrém pôde fazer face a elas sem dano para sua alma, por estar solidamente instruído  nos mistérios da nossa santa fé por São Tiago, bispo de sua cidade, que o batizou aos dezoito anos. Daí por diante Efrém tornou-se íntimo discípulo daquele santo, que se utilizou dele para renovar a vida moral dos cidadãos da diocese, especialmente durante os cercos de 338, 346 e 350.

De São Tiago, diz o Martirológio Romano no dia 15 de julho: “Em Nisibis, na Mesopotâmia, o natalício [para o céu] de São Tiago, bispo do lugar, varão de grande santidade. Famoso por seus milagres e sua erudição, foi ele, na perseguição de Galério Maximiano, um daqueles confessores da fé que, no Concílio de Niceia, condenaram a perversidade de Ario, contrapondo-lhe o conceito de ‘homoúsios’. Pelas suas orações e as do bispo Santo Alexandre é que Ario recebeu, em Constantinopla, a condigna punição de sua iniquidade, porquanto as vísceras se lhe romperam para fora”.

Dessa época um dos biógrafos de Efrém narra o seguinte episódio:  durante a invasão da cidade de Nisibis pelos persas, o santo amaldiçoou o exército dos invasores que já estavam nas muralhas da cidade, provocando que uma nuvem de pernilongos e moscas caísse sobre eles, o que os fez  retroceder.

Entretanto, quando os persas tomaram finalmente a cidade, o grosso de sua população a abandonou. Efrém foi um deles, estabelecendo-se primeiro em Amid, e finalmente em Edessa, onde ficou até  fim de seus dias levando vida eremítica.

Vários autores de peso relatam o encontro de São Basílio Magno, quando viajou pela Mesopotâmia, com Santo Efrém. Pois, atraído pela grande reputação do primeiro, o eremita de Edessa resolvera ir visitá-lo em Cesareia, onde foi calorosamente recebido e ordenado diácono por São Basílio. Como diácono Efrém obteve então licença para pregar em público.

Quatro anos depois, São Basílio mandou um seu delegado a Edessa para oferecer a Santo Efrém ordená-lo sacerdote, e conferir-lhe o episcopado. Mas o eremita de Edessa recusou as duas propostas.

São Gregório de Nissa faz o panerígico de Santo Efrém em um de seus sermões. E, vinte anos após sua morte, o erudito São Jerônimo diz dele em sua obra “De viris ilustribus”: “Efrém, diácono da Igreja de Edessa, escreveu muitas obras em siríaco, e tornou-se tão famoso, que seus escritos são lidos publicamente em algumas igrejas após as Sagradas Escrituras. Eu li um volume seu em uma versão em grego sobre o Espírito Santo. Se bem que fosse somente uma transcrição, eu reconheci nele o sublime gênio do homem” (cap. cxv).

Com efeito, o profundo conhecimento da Sagrada Escritura oferecia à rica veia poética de Efrém o elemento mais propício para imergir nos mistérios da verdade e extrair úteis ensinamentos para o povo de Deus.

A Nossa Senhora o santo dedicou 20 hinos, todos com imensa e terna devoção. Para ele, a Mãe de Deus era “mais resplandescente que o sol, conciliadora do céu e da terra, paz, alegria e salvação do mundo, honra das virgens, toda pura, imaculada, incorrupta, santíssima, inviolada, venerável, honorífica”.

A obra literária de Santo Efrém, toda ela baseada em uma profunda herança teológica, varia de homilias, escritos polêmicos e comentários bíblicos, poesias e hinos. Como ele não sabia grego, sua obra ficou isenta da influência dos teólogos seus contemporâneos, inclinados à controvérsia sobre a Santíssima Trindade.

Santo Efrém faleceu em Edessa no dia 9 de junho de 373, durante o reinado do imperador Valente. Apesar de, após sua morte, ele já passar a ser venerado como santo, e muitas graças terem sido atribuídas à sua intercessão, ele só foi oficialmente canonizado pelo papa Bento XV em 1920, ocasião em que o mesmo Pontífice outorgou-lhe também o título de Doutor da Igreja.

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