Este santo do século IV (faleceu em 398), nasceu na histórica Cesaréia, na Palestina, no tempo do imperador Constâncio. Desejando entregar-se inteiramente à contemplação, retirou-se para um local solitário. A vida santa que levava logo lhe atraiu fama, e muita gente passou a ir visitá-lo em seu ermo onde a notícia de seus milagres logo o tornou célebre em todo o Oriente.

Martiniano viveu assim por vinte e cinco anos, quando ocorreu que uma dama desonesta, chamada Zoé, não suportando sua virtude, decidiu pervertê-lo por meio de detestáveis artimanhas. Apresentou-se assim, um dia, à cela do Santo, suplicando-lhe abrigo para a noite, pois se “perdera no deserto” e não tinha onde dormir. Martiniano, num momento de fraqueza, compadeceu-se dela, cedeu-lhe sua cela e se retirou para uma casinha fora dela.

No dia seguinte Zoé, vestindo esplêndidas vestes que trouxera consigo, apresentou-se ao eremita dizendo que lhe oferecia, com sua mão, excelente fortuna. Tal foi a eloqüência da sedutora, que o santo, em vez de fugir como o casto José, fraquejou, aceitando a proposta em seu coração.

Quando chegou a hora em que os cristãos vinham ao eremitério para recolher seus avisos, e receber sua bênção, Martiniano estava decidido a despedi-los. Mas, apenas ficou só, caiu em si, e um salutar remorso dissipou a diabólica ilusão. Ele acendeu então uma fogueira, e nela pôs os pés. A dor fê-lo arrancar gritos. A cortesã acudiu, e encontrou o santo estirado no chão, em lastimável estado. “Ah! exclamou ele. Como havia de suportar o fogo do inferno, se não posso tolerar este que não é mais que sombra daquele?”.

Zoé não pôde ficar indiferente a essa tremenda cena. Caiu de joelhos, pediu perdão ao anacoreta, e que a introduzisse nas vias da salvação. Dessa vez mais prudente, ele não quis se expor a nova tentação, e a enviou para o mosteiro de São Paulo, em Belém, onde a ex-cortesã passou o resto de sua vida em penitência e oração.

Assim que Martiniano pôde de novo começar a andar, retirou-se para um lugar ainda mais ermo, onde viveu seus últimos anos fazendo penitência pela sua meia apostasia.

São Martiniano é popular na igreja grega. Celebrava-se sua festa em Constantinopla já no século V.

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