O Martirológio Romano traz neste dia a seguinte entrada: “Em Nola, na Campânia, o natalício [para o céu] de São Félix, presbítero. Depois de muitos tormentos, como escreve o bispo São Paulino, foi metido no cárcere pelos perseguidores. Jazia ali atado sobre conchas e cascalhos, quando um Anjo o soltou e levou para fora, durante a noite. Mais tarde, finda a perseguição, converteu muitos à fé de Cristo pelo exemplo de sua vida e sua doutrina. Distinguiu-se com milagres, e lá mesmo morreu na paz do Senhor”.

As notícias mais exatas sobre esse santo do século III as temos de São Paulino de Nola, seu grande devoto e promotor de seu culto. Ele escreveu sua vida em versos latinos, que São Beda, o Venerável, reduziu a prosa.

Sírio de origem, Félix  era filho de Hérnias, militar de profissão que mudou-se com a família para Nola, perto de Nápoles, na Itália. Quando seu pai faleceu, o filho resolveu servir só a Deus Nosso Senhor. Repartiu então entre os pobres a maior parte de seus haveres, e entrou para o serviço da Igreja, sendo ordenado sacerdote.

Governava a igreja de Nola um venerável ancião, Máximo, zeloso e santo, que teve que fazer face às cruéis perseguições de Décio (245-250) e Valeriano (256). Lembrando-se das palavras de Nosso Senhor, “quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra” (Mt 10, 73), o bispo santo resolveu ocultar-se em lugar seguro, esperando melhores tempos.

Deixou então sua grei aos cuidados de Félix. Mas este foi logo depois encarcerado num local tenebroso, cujo pavimento era formado por agudos pedaços de telhas.

Segundo a legenda, um Anjo o tirou do cárcere, como fizera com São Pedro, dizendo-lhe: “Segue-me!”. Félix obedeceu prontamente e o Anjo, abrindo todas as portas da prisão, não só deu-lhe a liberdade, mas conduziu-o para a montanha em que estava o bispo Máximo.

Os dois santos resolveram então voltar para Nola, mesmo sob o risco de serem presos e martirizados, para socorrer os fiéis perseguidos. Ora, São Máximo estava já velho, e teria muita dificuldade em caminhar do seu esconderijo até Nola. Diz então a tradição que a caridade multiplicou as forças de Félix, que tomou sobre os ombros o santo velho, e assim entraram secretamente na cidade.

Entretanto, procuraram um esconderijo em uma casa abandonada até passar a borrasca. Segundo ainda à tradição, quando eles entraram na casa, uma aranha rapidamente teceu enorme teia sobre a porta, de modo que os soldados imperiais pensassem que a casa estava abandonada há tempos.

Quando amainou a tormenta, os dois santos começaram a exercer os santos mistérios e sua caridade.

Falecendo São Máximo, cuja festa se celebra amanhã, dia 15, Félix foi escolhido para seu lugar, mas recusou, apontando o nome de Quinto para a sé vacante.

Finalmente, depois de edificar a todos com vida exemplar, cheio de anos e de virtudes, São Félix faleceu pelo ano de 256. Ele foi tido por muitos como mártir por causa dos muitos trabalhos sofridos pela fé. O grande papa São Damaso, que a ele tinha recorrido para recuperar a saúde, dedicou-lhe devotos versos.

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